Taxa Referencial (TR): o que é, como funciona e qual o valor atual

Entenda o que é a Taxa Referencial, como a TR é calculada, onde é utilizada e como influencia o rendimento da poupança, do FGTS e contratos financeiros.

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Publicado em 26/08/2026 às 15:56h Publicado em 26/08/2026 às 15:56h por Louise Daud
Conheça o significado da Taxa Referencial e como ela impacta seus investimentos. (Imagem: Ilustração criada com Inteligência Artificial)
Conheça o significado da Taxa Referencial e como ela impacta seus investimentos. (Imagem: Ilustração criada com Inteligência Artificial)

A Taxa Referencial (TR) é uma taxa de referência utilizada no Brasil na remuneração ou atualização de produtos e contratos financeiros como a remuneração da poupança e do FGTS, podendo ser utilizada como indexador em determinados contratos.

A TR se difere da inflação e da taxa Selic. Seu cálculo possui metodologia própria, atualmente baseada na Taxa Básica Financeira (TBF) e em um redutor.

Neste conteúdo, você entenderá como a TR funciona, como é calculada, onde é utilizada e por que seu valor pode mudar ao longo do tempo.

O que é a Taxa Referencial (TR)?

A Taxa Referencial, ou TR, é uma taxa calculada e divulgada pelo Banco Central do Brasil utilizada como referência para a remuneração ou atualização de determinados produtos e contratos.

Atualmente, a TR está presente principalmente em situações como:

  • Remuneração dos depósitos de poupança.

  • Remuneração das contas vinculadas do FGTS.

  • Determinados contratos que adotam a TR como indexador.

Um ponto importante é que TR não é um índice de inflação. Portanto, seu objetivo e sua metodologia são diferentes dos utilizados pelo IPCA, por exemplo.

Quando e por que a TR foi criada?

A TR foi criada em 1991, durante o Plano Collor II, em um período em que o Brasil enfrentava inflação elevada e buscava novas formas de atualizar contratos e aplicações financeiras. 

A mesma lei também extinguiu o Bônus do Tesouro Nacional (BTN) e o BTN Fiscal, referências que até então eram utilizadas para atualizar determinados valores, contratos e obrigações.

 A mudança fez parte da reorganização das referências financeiras da época, contexto em que a TR passou a ser utilizada. 

Com o passar dos anos, apesar de ter perdido espaço como referência geral da economia, a taxa permaneceu vinculada a produtos importantes, especialmente poupança e FGTS.

Como a TR é calculada?

A TR é calculada pelo Banco Central a partir da Taxa Básica Financeira (TBF). Sobre essa taxa é aplicado um redutor, que ajuda a determinar o valor final da TR.

De forma simples, funciona assim: o Banco Central parte da TBF, aplica as regras de cálculo definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e chega ao valor da TR.

A metodologia está prevista na Resolução CMN nº 4.624/2018 e passou por atualizações posteriores. Para entender a matemática, a fórmula utilizada é:

TR = máx. {0; 100 × [((1 + TBF/100) ÷ R) − 1]}

Em que:

  • TR: Taxa Referencial.

  • TBF: Taxa Básica Financeira correspondente ao dia de referência.

  • R: redutor calculado conforme a metodologia estabelecida pelo CMN.

Nessa fórmula, TBF é a taxa usada como ponto de partida e “R” é o redutor aplicado no cálculo. Se o resultado for negativo, a TR considerada é zero.

Assim, o mais importante é entender que a TR não é definida livremente pelo Banco Central nem corresponde diretamente à TBF: ela é resultado de um cálculo com regras previamente estabelecidas.

Na prática, portanto, a TR não é simplesmente igual à TBF menos uma taxa fixa.

Exemplo de cálculo da TR

Um exemplo oficial ajuda a entender.

Para o período de 31 de julho a 31 de agosto de 2026, o Banco Central divulgou:

  • TBF: 1,0076%.

  • Redutor: 1,00836775.

  • TR: 0,1694%.

Os números mostram por que não se deve tratar TBF e TR como equivalentes: a aplicação do redutor determina o valor final da Taxa Referencial.

Qual é o valor da TR hoje?

A TR não possui um único valor fixo para todo o mês. O Banco Central divulga taxas correspondentes a diferentes datas-base e períodos.

Isso acontece porque existem valores referentes a diferentes períodos. Portanto, dizer simplesmente que “a TR do mês é X%” pode ser uma simplificação.

Para cálculos financeiros, o correto é verificar a taxa correspondente à data e ao período da operação.

Entre setembro de 2025 e agosto de 2026, a TR apresentou média mensal próxima de 0,17%, considerando os valores do período. 

Vale lembrar que a taxa varia ao longo do tempo, por isso o percentual correspondente a cada data deve ser consultado antes de realizar cálculos.

Por que a TR pode ficar zerada ou voltar a subir?

O comportamento da TR está relacionado à TBF e ao redutor utilizado em sua fórmula.

A própria fórmula atual determina que a TR corresponde ao maior valor entre zero e o resultado do cálculo estabelecido pelo CMN. Portanto, se a aplicação da fórmula produzir resultado negativo, a TR será zero.

Isso explica por que a Taxa Referencial pode permanecer zerada em determinados cenários e apresentar valores positivos em outros.

Qual a diferença entre TR e TRD?

A legislação também prevê a Taxa Referencial Diária (TRD).

A Lei nº 8.177/1991 estabeleceu a divulgação da TRD para cada dia útil e definiu sua relação com a distribuição proporcional da TR correspondente.

Portanto, TR e TRD não devem ser interpretadas simplesmente como duas taxas independentes:

  • TR: é a Taxa Referencial correspondente ao período definido.

  • TRD: corresponde à distribuição da TR conforme as regras previstas para sua aplicação diária.

Essa distinção é especialmente importante ao consultar documentos históricos ou regras de remuneração que façam referência à TRD.

Onde a Taxa Referencial é usada?

Onde a Taxa Referencial é usada? (Imagem: Ilustração criada com Inteligência Artificial)

A TR perdeu parte da importância que possuía no início da década de 1990, mas continua presente em produtos e contratos relevantes.

Poupança

A TR integra a remuneração básica dos depósitos de poupança.

Além dela, existe uma remuneração adicional que varia conforme a meta da Selic, como veremos adiante. A legislação separa expressamente esses dois componentes.

FGTS

A TR também faz parte da remuneração das contas vinculadas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Atualmente, a remuneração básica anual das contas corresponde a TR + 3% ao ano, à qual é acrescentada a distribuição de resultados do fundo.

Além disso, após decisão do Supremo Tribunal Federal, é verificado se a remuneração total alcança pelo menos o IPCA do exercício. Caso isso não aconteça, o Conselho Curador do FGTS deve determinar a forma de compensação.

Financiamentos e contratos

A TR também pode aparecer como indexador em contratos, inclusive em determinadas operações relacionadas ao mercado imobiliário.

Isso não significa que todo financiamento imobiliário seja corrigido pela TR. O indexador e as demais condições dependem do contrato firmado.

A Lei nº 8.177 permite a utilização da TR como base de remuneração de contratos nas condições estabelecidas pela legislação.

Como a TR afeta o rendimento da poupança?

A Taxa Referencial (TR) é uma das parcelas que compõem o rendimento da poupança.

Para depósitos realizados a partir de 4 de maio de 2012, a remuneração também depende da meta da taxa Selic.

  • Selic acima de 8,5% ao ano: a poupança recebe 0,5% ao mês + TR.
  • Selic igual ou abaixo de 8,5% ao ano: a remuneração adicional corresponde a 70% da meta anual da Selic, mensalizada, + TR.

Assim, quando a TR é positiva, ela acrescenta rendimento à poupança. Quando é zero, a remuneração fica limitada à parcela adicional determinada pela regra da Selic.

Como a TR afeta o rendimento do FGTS?

No FGTS, a TR é um dos componentes da remuneração das contas, mas não representa sozinha todo o rendimento recebido pelo trabalhador.

Além disso, existe a distribuição de resultados do FGTS, mecanismo que acrescenta parte dos resultados obtidos pelo fundo à remuneração das contas dos trabalhadores.

Após a definição da distribuição de resultados, verifica-se se:

TR + 3% a.a. + distribuição de resultados atingindo pelo menos a variação do IPCA correspondente ao exercício.

Caso a remuneração fique abaixo desse patamar, cabe ao Conselho Curador determinar a forma de compensação.

Por isso, afirmar apenas que “o FGTS rende TR” é incorreto. A TR participa da remuneração, mas não é seu único componente.

TR, Selic, CDI e IPCA: qual a diferença?

TR, Selic, CDI e IPCA aparecem frequentemente em conteúdos sobre investimentos, mas representam conceitos diferentes.

Indicador

O que é

Para que é utilizado

TR

Taxa de referência calculada a partir da TBF e de um redutor

Poupança, FGTS e determinados contratos

Selic

Taxa básica de juros da economia

Política monetária e referência para o mercado financeiro

CDI

Referência derivada das operações de curtíssimo prazo entre instituições financeiras

Benchmark comum de investimentos de renda fixa

IPCA

Índice de preços ao consumidor

Principal referência oficial para a inflação ao consumidor

A diferença mais importante é que a TR não mede inflação.

O IPCA acompanha a variação de preços de uma cesta de bens e serviços. Já a TR resulta de uma metodologia financeira baseada na TBF e em um redutor.

A Selic possui outra função: é a principal referência da política monetária brasileira. O CDI, por sua vez, é amplamente utilizado como benchmark de investimentos financeiros.

Portanto, embora todos apareçam em cálculos relacionados a dinheiro, TR, Selic, CDI e IPCA não são indicadores intercambiáveis.

Perguntas frequentes sobre a Taxa Referencial

A TR pode ser negativa?

Não. A fórmula atualmente estabelecida pelo CMN determina que a TR corresponda ao maior valor entre zero e o resultado do cálculo. Dessa forma, quando a fórmula produzir resultado inferior a zero, a TR será igual a zero.

Quem calcula a Taxa Referencial?

O Banco Central do Brasil calcula e divulga a TR, seguindo a metodologia estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Os comunicados do BC apresentam a TBF, o redutor e a TR correspondentes aos respectivos períodos.

Onde consultar a TR oficial?

A TR oficial pode ser consultada nos dados e comunicados disponibilizados pelo Banco Central do Brasil. Para cálculos, é importante utilizar a taxa correspondente à data-base e ao período da operação.

A TR é uma taxa de juros?

A TR é uma taxa de referência utilizada na remuneração ou atualização de determinados produtos e contratos. Embora esteja relacionada ao ambiente de juros por meio de sua metodologia, ela não deve ser confundida com a Selic, que desempenha o papel de taxa básica de juros da economia.

A TR acompanha a inflação?

Não. A Taxa Referencial não foi criada para medir a variação dos preços ao consumidor. Por isso, uma TR positiva não significa necessariamente que ela esteja acompanhando a inflação.

Existe investimento que rende somente a TR?

Nos produtos mais conhecidos pelo investidor, a TR aparece normalmente como parte de uma estrutura de remuneração. Na poupança, ela integra a remuneração básica e é combinada com uma remuneração adicional. No FGTS, soma-se a outros componentes.

Todo financiamento imobiliário usa TR?

Não. Existem financiamentos imobiliários que utilizam a TR como indexador, mas outros contratos podem adotar condições e referências diferentes. O investidor ou mutuário deve verificar o indexador previsto no contrato.

Conclusão

A Taxa Referencial continua relevante para entender a remuneração da poupança, do FGTS e de determinados contratos, mesmo tendo perdido parte do protagonismo que possuía quando foi criada em 1991.

Seu valor é calculado a partir da TBF e de um redutor definido pela metodologia do Conselho Monetário Nacional, o que explica por que a TR pode ficar em zero ou assumir valores positivos em diferentes períodos.

Também é importante não confundi-la com outros indicadores: TR, Selic, CDI e IPCA possuem funções e metodologias diferentes.

Para quem possui poupança, FGTS ou um contrato indexado à TR, acompanhar a taxa ajuda a compreender como ela participa da atualização ou remuneração dos valores.

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