BTN: o que foi o Bônus do Tesouro Nacional e como funcionava

Entenda o que foi o BTN, para que servia o Bônus do Tesouro Nacional, como seu valor era atualizado e por que o título deixou de existir em 1991.

Author
Publicado em 19/08/2026 às 17:01h Publicado em 19/08/2026 às 17:01h por Louise Daud
Bônus do Tesouro Nacional: saiba como funcionava (Imagem: Ilustração criada com Inteligência Artificial)
Bônus do Tesouro Nacional: saiba como funcionava (Imagem: Ilustração criada com Inteligência Artificial)

O Bônus do Tesouro Nacional (BTN) foi um título público federal criado em 1989, em um período marcado por inflação elevada, sucessivos planos econômicos e forte utilização de mecanismos de correção monetária no Brasil.

Além de servir como instrumento de financiamento do governo federal, o valor do BTN passou a ser utilizado como referência para atualização de diferentes obrigações e valores da economia brasileira.

Sua existência, porém, foi curta. O BTN foi extinto a partir de fevereiro de 1991, durante o processo de desindexação da economia que também levou à criação da Taxa Referencial (TR).

Os títulos que já estavam em circulação não desapareceram imediatamente: a legislação assegurou sua liquidação nos respectivos vencimentos.

Para entender o BTN, portanto, é necessário diferenciar o título público do BTN Fiscal e compreender o contexto de inflação e indexação em que esses instrumentos foram utilizados.

O que foi o BTN?

O BTN, sigla para Bônus do Tesouro Nacional, foi um título público federal instituído com a finalidade de fornecer ao Tesouro Nacional recursos necessários para a manutenção do equilíbrio orçamentário ou para operações de crédito por antecipação de receita. 

O BTN também podia ser emitido em determinadas operações relacionadas à dívida externa do setor público.

Uma das principais características do BTN era a atualização monetária de seu valor nominal, mecanismo especialmente relevante diante da inflação elevada observada naquele período.

Segundo o Banco Central, a atualização nominal ocorria mensalmente pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC).

Assim, o BTN tinha uma dupla importância histórica: era um título da dívida pública e seu valor também acabou sendo utilizado como referência de correção monetária em diferentes situações.

Na prática, o BTN fazia parte do universo da renda fixa, já que era um título de dívida emitido pelo Tesouro Nacional com condições de remuneração previamente estabelecidas.

Ao adquirir um título público desse tipo, o investidor financiava o governo e recebia uma remuneração conforme as regras da emissão, que no caso do BTN podiam combinar juros e atualização monetária.

Embora sua estrutura seja diferente dos produtos disponíveis atualmente, a lógica de emissão de dívida aproxima o BTN dos investimentos de renda fixa e dos títulos públicos atuais.

Por isso, o BTN pode ser entendido como parte da história da evolução da renda fixa e da dívida pública brasileira.

Quando o Bônus do Tesouro Nacional foi criado?

O BTN foi instituído em 19 de junho de 1989, durante o governo de José Sarney, pela Lei nº 7.777/1989. O período ajuda a explicar por que mecanismos de indexação tinham tanta importância.

A economia brasileira atravessava uma fase de inflação muito elevada e sucessivas tentativas de estabilização dos preços.

Antes do BTN, outros títulos públicos também haviam desempenhado papel importante na correção monetária. A própria trajetória dos títulos públicos brasileiros mostra essa relação.

A Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional (ORTN) havia sido criada em 1964 com remuneração acrescida de correção monetária.

O valor unitário do título acabou sendo amplamente utilizado como indexador na economia.

Durante o Plano Cruzado, em 1986, a ORTN passou a se chamar Obrigação do Tesouro Nacional (OTN). 

Posteriormente, a OTN foi extinta no contexto do Plano Verão, e o BTN surgiu em 1989. O Banco Central registra essa sequência histórica ao tratar da evolução desses instrumentos de indexação.

De forma simplificada, a sequência pode ser entendida como:

ORTN → OTN → BTN

Apesar dessa continuidade histórica, cada instrumento teve regras próprias e surgiu dentro de um contexto econômico específico.

Para que servia o BTN?

A principal finalidade do BTN era permitir que o Tesouro Nacional captasse recursos para suas necessidades financeiras.

Segundo o Banco Central, o título podia ser utilizado para:

  • Prover recursos necessários à manutenção do equilíbrio orçamentário.

  • Realizar operações de crédito por antecipação de receita.

  • Participar de determinadas operações relacionadas à dívida externa do setor público.

Além dessa função como instrumento de dívida pública, o BTN ganhou importância como referência de atualização monetária.

Em uma economia com inflação elevada, valores fixados em moeda corrente podiam perder rapidamente poder de compra. A utilização de indexadores permitia atualizar determinadas obrigações de acordo com algum critério de correção.

Por isso, referências ao BTN passaram a aparecer em diferentes normas, contratos e obrigações daquele período.

💡Saiba mais: Investidor10: plataforma de análise de investimentos, gestão de carteira e IRPF

Como funcionava o Bônus do Tesouro Nacional?

O BTN possuía características próprias de emissão, remuneração, atualização e negociação.

Segundo levantamento histórico do Banco Central, as características gerais incluíam:

Característica

BTN

Emissor

Tesouro Nacional

Criação

1989

Prazo

Até 25 anos

Valor nominal inicial

NCz$ 1,00 em fevereiro de 1989

Atualização

Mensal

Indexador originalmente utilizado

IPC

Forma de colocação

Oferta pública por meio de leilões

Modalidade

Nominativa-transferível

 

O Banco Central registra ainda juros máximos de 12% ao ano, calculados sobre o valor nominal atualizado monetariamente e pagos semestralmente, nas características gerais do BTN.

Algumas emissões possuíam condições específicas. 

Documento do Banco Central sobre títulos registrados no Selic, por exemplo, registra BTN com taxa de 6% ao ano e possibilidade de opção, no resgate, entre critérios de atualização previstos para aquela operação.

Por isso, não é adequado tratar todas as emissões de BTN como se apresentassem necessariamente as mesmas condições financeiras.

Como o valor do BTN era corrigido?

O valor nominal do BTN era atualizado mensalmente pelo IPC, conforme o modelo originalmente estabelecido para o título.

A correção monetária era especialmente relevante no contexto econômico da época.

Quando os preços aumentam rapidamente, manter um valor nominal fixo por longos períodos provoca perda de poder de compra. A indexação procurava compensar esse efeito atualizando os valores conforme determinado indicador.

Esse mecanismo não era exclusivo do BTN.

A economia brasileira utilizou diferentes indexadores ao longo das décadas, e a própria ORTN havia contribuído para institucionalizar mecanismos de correção monetária. O Banco Central destaca que seu valor unitário se tornou um indexador amplamente utilizado na economia.

O BTN fez parte dessa história de indexação, mas em um período bastante específico: os anos finais da década de 1980 e o início da década de 1990.

Qual era a rentabilidade do BTN?

Qual era a rentabilidade do BTN? (Imagem: Ilustração criada com Inteligência Artificial)

A remuneração do BTN podia combinar atualização monetária do valor nominal e juros, conforme as características da emissão.

O levantamento histórico do Banco Central registra, nas características gerais do instrumento, juros máximos de 12% ao ano, calculados sobre o valor nominal atualizado monetariamente e pagos semestralmente.

Entretanto, existiram BTN com características específicas.

Por isso, não é correto converter essa informação em uma afirmação genérica de que “todo BTN rendia 12% ao ano”.

Também é importante não comparar diretamente essas taxas históricas com as rentabilidades dos títulos públicos atuais.

O Brasil daquele período possuía:

  • Moedas diferentes da atual.

  • Inflação muito mais elevada.

  • Outros mecanismos de indexação.

  • Diferentes regras monetárias.

  • Outro mercado de dívida pública.

Uma taxa nominal daquele período, portanto, precisa ser interpretada dentro do contexto econômico em que o título existia.

Qual era a diferença entre BTN e BTN Fiscal?

BTN e BTN Fiscal não eram a mesma coisa.

Essa distinção é importante porque as duas siglas aparecem frequentemente em documentos e normas do período.

O BTN era um título público federal, utilizado pelo Tesouro Nacional como instrumento de captação e dívida pública.

Já o BTN Fiscal (BTN-F) foi instituído como referencial de indexação de tributos e contribuições de competência da União.

Segundo o Banco Central, o valor do BTN Fiscal era divulgado diariamente e refletia a evolução do valor do BTN dentro de cada mês.

Em resumo:

BTN

BTN Fiscal

Título público federal

Referencial fiscal

Instrumento de dívida pública

Utilizado na indexação de tributos e contribuições federais

Valor atualizado mensalmente

Valor divulgado diariamente

 

Ambos foram posteriormente extintos durante o processo de desindexação da economia.

Qual era a relação entre ORTN, OTN e BTN?

ORTN, OTN e BTN fizeram parte de diferentes fases da história da dívida pública e da indexação no Brasil.

A ORTN (Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional) foi criada em 1964 e possuía correção monetária. Seu valor unitário também passou a funcionar como importante indexador da economia.

Em 1986, durante o Plano Cruzado, a ORTN passou a ser denominada OTN (Obrigação do Tesouro Nacional). O valor da OTN ficou inicialmente congelado durante o processo de estabilização.

Posteriormente, a OTN foi extinta no contexto do Plano Verão.

O BTN surgiu em 1989, retomando um instrumento relacionado à correção monetária em meio à persistência da inflação. O Banco Central registra historicamente que a OTN acabou substituída pelo BTN.

Essa sequência ajuda a entender por que essas siglas ainda aparecem em processos judiciais, contratos antigos e documentos históricos.

Por que o BTN foi extinto?

O BTN foi extinto em 1991 como parte de uma política de desindexação da economia brasileira.

A Lei nº 8.177/1991 estabeleceu novas regras relacionadas à atualização monetária e criou a estrutura da Taxa Referencial (TR).

A mesma legislação determinou a extinção, a partir de 1º de fevereiro de 1991, de:

  • BTN Fiscal.

  • Bônus do Tesouro Nacional.

  • Maior Valor de Referência (MVR).

  • Outras unidades de conta semelhantes atualizadas direta ou indiretamente por índices de preços.

A medida fazia parte de uma tentativa mais ampla de reduzir mecanismos de indexação da economia.

Isso porque a indexação generalizada podia contribuir para a chamada inércia inflacionária, na qual reajustes passados eram continuamente incorporados a preços, contratos e outras obrigações.

O que aconteceu com os BTN que já existiam?

A extinção do BTN não significou que todos os títulos existentes perderam imediatamente a validade.

A Lei nº 8.177/1991 assegurou a liquidação dos BTN em circulação nos respectivos vencimentos.

Além disso, a legislação determinou novas regras de atualização.

A partir de março de 1991, o valor nominal dos BTN emitidos anteriormente passou a ser atualizado no primeiro dia de cada mês com base em índice calculado a partir da TR referente ao mês anterior.

A legislação também preservou condições específicas para determinadas emissões.

Nos BTN com cláusula de opção emitidos anteriormente, por exemplo, foi assegurada no resgate a alternativa de atualização com base na variação da cotação do dólar americano divulgada pelo Banco Central.

Portanto, é importante diferenciar extinção de novas emissões/referências da liquidação dos títulos que já estavam em circulação.

Quanto valia o BTN?

O valor do BTN mudou ao longo de sua existência justamente porque o instrumento possuía mecanismo de atualização monetária.

O Banco Central registra valor nominal de NCz$ 1,00 em fevereiro de 1989 como referência inicial.

Na extinção, a Lei nº 8.177/1991 estabeleceu Cr$ 126,8621 como valor do BTN e do BTN Fiscal destinado à conversão para cruzeiros dos contratos existentes na situação prevista pela legislação e para efeitos fiscais.

Esses números precisam ser interpretados dentro das moedas e regras monetárias da época.

Não faz sentido simplesmente comparar NCz$ 1 ou Cr$ 126,8621 com R$ 1 ou R$ 126 atuais.

Para converter valores históricos para poder de compra atual seria necessário definir:

  • Data de referência.

  • Moeda utilizada originalmente.

  • Índice de atualização.

  • Objetivo da conversão.

Por isso, não existe uma conversão universal de “1 BTN para reais de hoje” sem definir previamente esses critérios.

BTN ainda existe?

Não. O Bônus do Tesouro Nacional foi extinto a partir de 1º de fevereiro de 1991.

A mesma legislação extinguiu o BTN Fiscal e outras unidades de conta utilizadas naquele período.

Isso significa que não é possível investir atualmente em BTN como um novo título público.

Quando a sigla aparece hoje, normalmente está relacionada a:

  • Contratos antigos.

  • Legislação histórica.

  • Processos judiciais.

  • Cálculos envolvendo obrigações daquele período.

  • Estudos sobre inflação e planos econômicos.

  • História da dívida pública brasileira.

Portanto, uma pesquisa atual sobre o valor do BTN ou sua correção normalmente exige identificar primeiro a data e a finalidade do cálculo.

O que substituiu o BTN?

Não existe uma equivalência simples do tipo “o BTN foi substituído por um único título atual”.

A Lei nº 8.177/1991 extinguiu o BTN dentro de um processo mais amplo de desindexação e instituiu a Taxa Referencial (TR), que passou a exercer funções próprias dentro da economia brasileira.

Ao mesmo tempo, o mercado de títulos públicos continuou evoluindo e passou a utilizar outros instrumentos de financiamento da dívida federal.

Por isso, é mais correto entender o BTN como parte de uma etapa histórica da dívida pública e da indexação brasileira, e não procurar um sucessor perfeitamente equivalente.

Como funcionam os títulos públicos atualmente?

Como funcionam os títulos públicos atualmente? (Imagem: Ilustração criada com Inteligência Artificial)

Atualmente, pessoas físicas podem investir em títulos públicos federais por meio do Tesouro Direto, programa criado pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3.

A lógica fundamental continua sendo a de financiar o governo por meio da compra de títulos de dívida, mas os produtos, regras, moedas e ambiente econômico são diferentes daqueles existentes durante o período do BTN.

Hoje, o Tesouro Direto oferece títulos com diferentes formas de remuneração, incluindo alternativas ligadas à taxa Selic, taxas prefixadas e inflação.

Por isso, o BTN possui principalmente relevância histórica para quem deseja compreender a evolução dos títulos públicos, da inflação e dos mecanismos de indexação utilizados no Brasil.

Perguntas frequentes sobre BTN

O que significa BTN?

BTN significa Bônus do Tesouro Nacional, título público federal instituído em 1989.

Quando o BTN foi extinto?

A Lei nº 8.177/1991 determinou sua extinção a partir de 1º de fevereiro de 1991.

BTN e BTN Fiscal eram iguais?

Não. O BTN era um título público, enquanto o BTN Fiscal funcionava como referencial para indexação de tributos e contribuições federais.

É possível investir em BTN atualmente?

Não. O título foi extinto em 1991. Os títulos que estavam em circulação na época tiveram sua liquidação preservada conforme as regras estabelecidas pela legislação.

Quanto vale um BTN hoje?

Não existe uma cotação atual do BTN, já que o título foi extinto. Para atualizar uma obrigação histórica expressa em BTN, é necessário considerar a data, a natureza da obrigação e o critério de atualização aplicável.

BTN era a mesma coisa que OTN?

Não. Eram instrumentos distintos utilizados em momentos diferentes. Historicamente, a ORTN passou a ser denominada OTN em 1986, e posteriormente a OTN foi extinta e sucedida pelo BTN no contexto dos planos econômicos do período.

Conclusão

O Bônus do Tesouro Nacional (BTN) foi um título público criado em 1989 em um período marcado pela inflação elevada e pela utilização de mecanismos de correção monetária na economia brasileira.

Além de servir para a captação de recursos pelo Tesouro Nacional, seu valor tornou-se referência para diferentes obrigações e atualizações monetárias.

O BTN teve existência curta e foi extinto em 1991 durante o processo de desindexação da economia. Ainda assim, compreender seu funcionamento ajuda a entender a evolução da dívida pública brasileira e a sequência de instrumentos como ORTN, OTN e BTN.

Hoje, o BTN possui principalmente relevância histórica e pode aparecer em contratos, normas e cálculos referentes àquele período. Para quem busca investir atualmente em títulos públicos, os instrumentos disponíveis possuem características e regras diferentes das utilizadas no final da década de 1980.

Investidor10: sua plataforma de análise de investimentos, gestão de carteira, acompanhamento de dividendos e apoio ao Imposto de Renda.

Clique aqui e cadastre-se!