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Publicado em 05/08/2026
Conheça os países com os menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo e entenda suas principais atividades econômicas, fontes de renda e desafios de desenvolvimento.
O desenvolvimento de um país não depende apenas do tamanho de sua economia. Renda, educação e expectativa de vida também ajudam a mostrar as condições de vida da população.
Uma das principais referências utilizadas para essa comparação é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Segundo o Human Development Report 2025, que utiliza dados referentes a 2023, o Sudão do Sul possui o menor IDH do mundo, com índice de 0,388. Na sequência aparecem Somália e República Centro-Africana.
Neste artigo, utilizamos o IDH como critério para identificar os países com menores níveis de desenvolvimento humano.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um indicador utilizado pelo PNUD para comparar o desenvolvimento humano dos países a partir de três dimensões: saúde, educação e padrão de vida.
O cálculo considera:
Saúde: expectativa de vida ao nascer;
Educação: anos esperados de escolaridade e média de anos de estudo;
Renda: Renda Nacional Bruta (RNB) per capita.
O resultado varia entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento humano.
Por isso, o IDH complementa indicadores exclusivamente econômicos, como o PIB, ao incorporar aspectos relacionados às condições de vida da população.
Considerando os menores IDHs como critério, os oito últimos colocados no ranking mais recente são Sudão do Sul, Somália, República Centro-Africana, Chade, Mali, Níger, Burundi e Burkina Faso.
Uma característica importante do grupo é a participação elevada de agricultura e recursos naturais em várias dessas economias.
Petróleo, ouro e outras commodities podem gerar exportações e receitas relevantes, mas a existência desses recursos não se traduz automaticamente em níveis elevados de desenvolvimento humano.
O país conquistou sua independência em 2011 e enfrenta problemas relacionados a conflitos, instabilidade, infraestrutura limitada e dificuldades de acesso a serviços básicos.
Do ponto de vista econômico, o petróleo ocupa uma posição central. Essa dependência também torna a economia vulnerável a interrupções na produção e exportação.
Um exemplo ocorreu no ano fiscal de 2025, quando a economia sofreu forte retração após a interrupção de um oleoduto utilizado para escoar petróleo pelo Sudão. A produção posteriormente começou a se recuperar.
A agricultura também possui importância para a população, especialmente como fonte de trabalho e subsistência.
A Somália possui o segundo menor IDH, com índice de 0,404.
Décadas de conflitos, dificuldades institucionais, pobreza e eventos climáticos contribuíram para limitar o desenvolvimento econômico e social do país.
Sua economia possui forte participação de atividades agropecuárias, enquanto o consumo também é sustentado pelas remessas enviadas por somalis que vivem no exterior.
Em 2024, a economia cresceu cerca de 4%, apoiada pelo desempenho da agricultura e pelo consumo privado, que recebeu suporte das remessas. A dependência de ajuda internacional continua sendo outro elemento relevante da economia somali.
A República Centro-Africana possui IDH de 0,414, ocupando a 191ª posição.
Apesar da presença de recursos naturais, o país enfrenta limitações relacionadas à infraestrutura, segurança, energia e desenvolvimento institucional.
A agricultura e o agronegócio possuem participação relevante na economia, ao lado de serviços e atividades relacionadas aos recursos naturais.
A recuperação econômica recente foi apoiada pela produção agrícola, pelo avanço do agronegócio e pelo desempenho das atividades de serviços.
O caso mostra como a disponibilidade de recursos naturais não garante, isoladamente, níveis elevados de renda ou desenvolvimento humano.
O Chade registra IDH de 0,416 e possui uma economia fortemente ligada ao petróleo e à agricultura.
O petróleo representa aproximadamente 15% do PIB, 41% das receitas governamentais e 76% das exportações do país.
Já a agricultura responde por cerca de 40% do PIB e sustenta grande parcela da população.
Essa composição expõe a economia a diferentes riscos. De um lado, alterações na produção e nos preços do petróleo podem afetar receitas e exportações. De outro, secas, enchentes e outros eventos climáticos podem prejudicar a atividade agrícola.
O Mali apresenta IDH de 0,419, empatado com o Níger.
O país possui uma economia em que ouro e algodão têm grande importância para as exportações, enquanto agricultura e serviços respondem por parcelas relevantes da produção e do emprego.
Mais recentemente, o lítio também passou a integrar a atividade mineral do país. A produção do mineral começou a contribuir para as perspectivas de crescimento econômico, ao lado da agricultura e dos serviços.
Apesar da disponibilidade de recursos minerais, instabilidade política, conflitos e limitações estruturais continuam dificultando avanços mais amplos no desenvolvimento humano.
O Níger possui IDH de 0,419 e divide a 188ª posição com o Mali.
A agricultura continua sendo uma atividade importante, mas o petróleo ganhou peso na economia com o início das exportações em grande escala.
Em 2024, o PIB do país cresceu 8,4%, impulsionado principalmente pelo avanço das exportações de petróleo e por uma boa temporada agrícola.
O Banco Mundial, porém, destaca que a dependência de petróleo e agricultura de sequeiro deixa o crescimento vulnerável a choques e volatilidade.
O país também possui atividade de mineração, incluindo recursos como urânio.
O Burundi possui IDH de 0,439 e ocupa a 187ª posição.
Sua estrutura econômica é um pouco diferente da imagem de uma economia exclusivamente agrícola.
Os serviços representam cerca de 51% do PIB, seguidos pela agricultura, com 31,6%, e pela indústria, com 17,4%.
A agricultura continua tendo grande importância para emprego e renda, enquanto exportações de café, mineração, energia e investimentos em infraestrutura também influenciam a atividade econômica.
Apesar disso, baixa renda, inflação elevada e limitações estruturais continuam afetando as condições econômicas do país.
O Burkina Faso possui IDH de 0,459, o oitavo menor entre os países classificados neste levantamento.
A economia combina serviços, agricultura e mineração.
Em 2025, os serviços foram o principal motor do crescimento, enquanto a agricultura também apresentou expansão. A produção de ouro alcançou 94 toneladas, apoiada tanto pela mineração industrial quanto pela formalização de atividades artesanais e semimecanizadas.
O ouro é particularmente importante para a economia, embora a mineração tenha capacidade limitada de geração de empregos em relação a outros setores.
As principais fontes de atividade econômica dos países com menor IDH estão concentradas em agricultura, serviços, petróleo, mineração, pecuária e exportação de commodities.
Há diferenças importantes entre eles.
No Sudão do Sul e no Chade, o petróleo possui grande relevância econômica. No Mali e Burkina Faso, a mineração de ouro se destaca. Na Somália, agricultura, pecuária e remessas internacionais têm peso importante, enquanto no Burundi os serviços respondem pela maior parcela do PIB.
Essa estrutura ajuda a explicar uma característica recorrente: várias dessas economias dependem de poucos setores ou produtos, o que pode aumentar sua exposição a oscilações nos preços das commodities, problemas climáticos, conflitos e interrupções comerciais.
A presença de recursos naturais não significa necessariamente que a riqueza gerada será convertida em desenvolvimento humano.
O IDH não mede quanto petróleo, ouro ou outros recursos um país possui. O indicador considera renda por habitante, educação e expectativa de vida.
Além disso, a capacidade de transformar recursos naturais em desenvolvimento depende de fatores como:
Produtividade;
Infraestrutura;
Instituições;
Etabilidade política;
Capacidade de investimento;
Diversificação econômica;
Geração de empregos;
Acesso da população à educação e saúde.
O Chade é um exemplo dessa diferença. Embora o petróleo responda por 76% das exportações e 41% das receitas governamentais, o país permanece entre os últimos colocados no IDH.
Situação semelhante pode ser observada em países produtores de ouro, como Mali e Burkina Faso.
Por isso, riqueza em recursos naturais e desenvolvimento humano são conceitos diferentes.
Considerando o IDH como critério, o Sudão do Sul é atualmente o país com menor Índice de Desenvolvimento Humano, com IDH de 0,388.
O país ocupa a 193ª posição na classificação utilizada neste levantamento.
Além dos baixos indicadores de educação, renda e expectativa de vida, sua economia apresenta forte dependência do petróleo e elevada vulnerabilidade a conflitos e interrupções na infraestrutura de exportação.
Não existe uma única causa para o baixo desenvolvimento humano.
Entre os países apresentados, aparecem diferentes combinações de:
Baixa renda;
Acesso limitado à educação;
Expectativa de vida reduzida;
Conflitos e instabilidade política;
Infraestrutura insuficiente;
Insegurança alimentar;
Vulnerabilidade climática;
Baixa diversificação econômica.
A estrutura econômica também pode exercer influência.
Uma economia muito dependente de uma commodity pode crescer rapidamente quando produção e preços estão favoráveis e enfrentar dificuldades quando ocorre o movimento contrário.
O Níger ilustra essa dinâmica: o avanço das exportações de petróleo ajudou o país a crescer 8,4% em 2024, mas o próprio Banco Mundial aponta a vulnerabilidade decorrente da dependência do petróleo e da agricultura sujeita às chuvas.
Não necessariamente. IDH, pobreza, PIB e renda per capita são indicadores relacionados, mas medem aspectos diferentes.
O PIB mede a produção de bens e serviços de uma economia. A renda per capita procura dimensionar a renda em relação à população. Indicadores de pobreza avaliam parcelas da população abaixo de determinados níveis de renda ou condições de vida.
Já o IDH combina renda, saúde e educação.
Por isso, não é tecnicamente correto utilizar “país com menor IDH”, “país mais pobre” e “menor economia” como sinônimos.
O PIB mede a atividade econômica, enquanto o IDH avalia dimensões relacionadas ao desenvolvimento humano.
O Produto Interno Bruto representa o valor dos bens e serviços produzidos em determinado período.
Já o IDH considera renda, educação e expectativa de vida.
Isso significa que uma economia pode crescer sem apresentar, necessariamente, uma melhora equivalente no IDH.
Da mesma forma, países com PIBs semelhantes podem apresentar níveis diferentes de desenvolvimento humano dependendo dos resultados alcançados em saúde, educação e renda.
O Brasil possui IDH de 0,786 e ocupa a 84ª posição na classificação utilizada neste levantamento.
O país integra o grupo classificado como de alto desenvolvimento humano.
A comparação mostra uma diferença relevante em relação aos oito últimos colocados, cujos índices variam entre 0,388 e 0,459.
No entanto, assim como ocorre com qualquer país, o IDH brasileiro deve ser analisado em conjunto com outros indicadores econômicos e sociais para compreender de forma mais ampla suas condições de desenvolvimento.
Os países com os menores IDHs do mundo enfrentam desafios que envolvem renda, educação, saúde, infraestrutura e estabilidade econômica e institucional.
Ao mesmo tempo, alguns desses países possuem atividades econômicas relevantes ligadas ao petróleo, mineração, agricultura e outras commodities, mostrando que a disponibilidade de recursos naturais, isoladamente, não determina o nível de desenvolvimento humano de uma população.
Por isso, o IDH deve ser interpretado em conjunto com outros dados, como PIB, renda per capita, inflação, comércio exterior e indicadores sociais, especialmente ao comparar diferentes economias.
Acompanhar esses indicadores também ajuda a compreender movimentos da economia global e seus possíveis reflexos sobre mercados, setores e commodities.
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Publicado em 05/08/2026Publicado em 26/11/2020
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