A revisão reflete a avaliação dos analistas de que o cenário macroeconômico seguirá difícil para categorias cíclicas, dada a elevada correlação entre o consumo de bens duráveis e o nível das taxas de juros.
Para o Magazine Luiza, o preço-alvo passou de R$ 10 para R$ 6, implicando potencial de valorização de 15% a partir dos níveis atuais.
O banco reduziu a estimativa de crescimento de longo prazo da companhia, com o CAGR projetado de 4% entre 2029 e 2036, ante 4,5% anteriormente, diante da ausência de perspectiva de mudança na tendência de vendas de bens duráveis.
Por outro lado, os analistas reconhecem que o Magazine Luiza tem conquistado participação de mercado nas operações de lojas físicas (B&M), movimento observado nos últimos trimestres e incorporado às premissas do modelo.
Com isso, as projeções de receita líquida permaneceram praticamente estáveis, com revisões de apenas 2% para baixo em 2026 e 1% em 2027.
Nas margens, o banco reduziu a estimativa de margem bruta em cerca de 40 pontos-base para 2026 e 2027, em razão do ambiente competitivo ainda adverso no marketplace (3P), que deteriora o mix de receitas, já que as operações próprias (1P) e as lojas físicas carregam margens inferiores às do canal de terceiros.
As projeções ainda incorporam uma expansão gradual da margem bruta, sustentada pelo crescimento das receitas de serviços, com acréscimo de 10 pontos-base em 2026 e 2027 e 20 pontos-base em 2028.
O corte mais expressivo ficou no lucro líquido. As estimativas foram reduzidas em 67% para 2026, 22% para 2027 e 7% para 2028, como resultado da combinação entre desempenho operacional mais fraco e maiores despesas financeiras decorrentes do ambiente de juros elevados.
"Mantemos a recomendação Neutra para o MGLU3 devido ao potencial de valorização limitado e ao múltiplo implícito de 7 vezes o lucro no preço-alvo, que consideramos adequado diante de cerca de 90% do lucro líquido projetado para 2027 depender de créditos tributários e do cenário macroeconômico e competitivo. Também destacamos que todo o lucro líquido esperado para 2026 deverá vir de créditos tributários", afirmam os analistas.
Para a Casas Bahia, o corte foi ainda mais acentuado: o preço-alvo saiu de R$ 3 para R$ 1,20, com potencial de valorização de apenas 8%. A recomendação underperform foi mantida.
O principal motivo para a revisão foi a redução na velocidade esperada de expansão da margem Ebitda, que passou para 9,1% na perpetuidade, ante 9,7% anteriormente, com projeção de 8,4% para 2026. O banco adota postura conservadora para o crescimento das vendas, reduzindo as estimativas em 2% para 2026 e 2027 em relação às projeções anteriores.
As operações de lojas físicas (B&M) e de marketplace (3P) devem continuar pressionadas pelo cenário macroeconômico, compensando apenas parcialmente a melhora da operação própria (1P), impulsionada por parcerias com marketplaces.
Após incorporar os resultados do primeiro trimestre de 2026 e a perspectiva de juros mais altos, o banco elevou as projeções de despesas financeiras e revisou para cima as estimativas de prejuízo líquido para 2026 e 2027.
O Safra reconhece que a empresa melhorou sua estrutura de capital, mas pondera que grande parte desse avanço ocorreu às custas dos acionistas, por meio da expressiva diluição causada pela conversão de dívida em ações.
"Reconhecemos os esforços para melhorar a operação, mas, para adotarmos uma visão mais positiva sobre a companhia, gostaríamos de observar uma melhora consistente na geração de caixa. A empresa consumiu R$ 1,6 bilhão em caixa nos últimos 12 meses. Por isso, mantemos a recomendação Underperform", afirma o banco.
Mercado Livre segue como favorita do Safra
Em contraste com as visões sobre os varejistas brasileiros, o Safra manteve recomendação de compra para o
Mercado Livre (MELI34), mesmo após reduzir o preço-alvo das ações negociadas na Nasdaq de US$ 2.400 para US$ 2.300, o que ainda representa potencial de valorização de 24% sobre o fechamento anterior.
A gigante argentina de e-commerce é apontada como uma das ações preferidas do banco, que enxerga a companhia negociando a 36 vezes o lucro projetado para 2027, abaixo de sua média histórica de 55 vezes e do múltiplo atual de 41 vezes.
O otimismo se apoia em três pilares: crescimento como líder em mercado em rápida expansão, com mais de 30 trimestres consecutivos de expansão superior a 30%; melhora dos retornos, com ROIC médio de 39% entre 2025 e 2028; e estrutura de capital sólida, com relação dívida líquida/Ebitda de 1,1 vez em 2026.
As margens, no entanto, devem seguir pressionadas no curto prazo pela abertura e maturação de novos centros de distribuição, pela ampliação da oferta de crédito e por campanhas de frete grátis e cupons para acelerar a transformação digital.
📈 O banco elevou as projeções de GMV em 7% para 2026, 11% para 2027 e 14% para 2028, adotando visão mais construtiva para a Argentina diante da melhora macroeconômica no país, mantendo estimativas praticamente estáveis para o México e passando a ter perspectiva mais otimista para as operações em outras regiões.