Mercado Livre (MELI34) lucra menos no 1T26, mas também investe mais no Brasil
Apesar de a varejista ser argentina, cerca de 53% de suas receitas são geradas por consumidores brasileiros.
Uma das empresas mais promissoras interrompeu uma trajetória de forte valorização que vinha alcançando na bolsa de valores. O balanço do quarto trimestre de 2025 do Mercado Livre (MELI34) decepcionou investidores e analistas financeiros.
O documento foi divulgado na noite desta terça-feira (24), quando a companhia reportou um lucro abaixo do esperado pelo mercado. Foram US$ 559 milhões no intervalo entre outubro e dezembro, quando o consenso LSEG previa algo na casa de US$ 587 milhões.
O resultado também representa uma desaceleração de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. O documento também mostrou um recuo nas margens da companhia, mesmo com créditos fiscais extraordinários de quase US$ 100 milhões no Brasil.
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“Esses 10,1% seriam cinco a seis pontos acima, e essa diferença é investimento, e temos consciência disso. É algo que faz parte de um planejamento de longo prazo. Estamos ainda nos 15 minutos do primeiro tempo nesse processo na América Latina, temos que desenvolver o mercado, mesmo que isso tenha impacto no curto prazo, mas fazemos de forma disciplinada, gerando lucro e com crescimento em cima de crescimento”, disse Leandro Cuccioli, vice-presidente de estratégia e relações com investidores do Mercado Livre, em teleconferência de resultados.
Na bolsa, a reação dos investidores foi imediata na abertura do pregão desta quarta-feira, com as ações despencando. Por volta das 13h, os papéis negociados na Nasdaq, nos Estados Unidos, operavam com baixa de quase 10%, aos US$ 1.735.
No Brasil, a situação não era muito diferente, com os BDRs da companhia sendo negociados com recuo de 11%, aos R$ 73,60, conforme dados da B3. Com isso, no intervalo dos últimos doze meses, a baixa ultrapassa a marca de 20%.
Apesar de números menos expressivos, o 4T25 serviu para a companhia ver o número de vendas crescer em quase todas as subsidiárias. Parte desse desempenho esteve atrelada a promoções, como a oferta de frete grátis pedidos acima de R$ 19.
No Brasil e México, a alta foi de 35% em câmbio neutro, de acordo com a companhia. Já na Argentina, a aceleração foi ainda maior, de 42% na mesma comparação.
No total, a receita líquida da companhia ficou em US$ 8,8 bilhões, com aceleração de 45% na comparação com um ano antes. O número de compradores únicos cresceu cerca de 24%, encerrando o ano passado em 83 milhões de usuários.
Apesar de a varejista ser argentina, cerca de 53% de suas receitas são geradas por consumidores brasileiros.
Saldos não recuperados serão convertidos e transferidos para o Mercado Pago.
O investimento anunciado se concentra no Mercado Pago e na expansão logística, que prevê 70 mil funcionários no Brasil até dezembro.
A companhia reportou queda de 12,5% no lucro do 4T25, abaixo do esperado pelo mercado, mas uma receita acima das projeções.
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