Petrobras (PETR4) dispara com petróleo acima de US$ 102 e salva Ibovespa em dia tenso

O índice subiu 0,46% nesta quinta-feira (1º) e acumulou ganho de 16,18% em 2026, mesmo com Treasuries no maior nível desde 2002.

Publicado em 01/10/2026 às 17:54h - Atualizado em 01/10/2026 às 18:06h Publicado em 01/10/2026 às 17:54h Atualizado em 01/10/2026 às 18:06h por Matheus Silva
O PMI industrial caiu a 44,8 em setembro, pior leitura desde abril de 2023 (Imagem: Shutterstock)
O PMI industrial caiu a 44,8 em setembro, pior leitura desde abril de 2023 (Imagem: Shutterstock)
📈 O Ibovespa (IBOV) atravessou uma quinta-feira (1º) de forte aversão a risco no exterior e, mesmo assim, conseguiu encerrar o primeiro pregão de outubro no campo positivo. 
O principal índice da bolsa brasileira fechou com alta de 0,46%, aos 187.197 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 184.767,78 pontos e a máxima de 187.436,73 pontos. O volume financeiro somou R$ 26,80 bilhões.
Com o resultado, o índice acumula valorização de 2,03% na semana e de 16,18% em 2026. Na véspera, o Ibovespa havia subido 1,37% e fechado setembro como o melhor mês desde janeiro.
A recuperação veio na reta final da sessão. Ao longo da tarde, o índice chegou a operar em queda superior a 0,7%, contaminado pela onda de vendas de títulos públicos em todo o mundo, antes de reagir com a força das ações de Petrobras (PETR4) e a recuperação parcial dos bancos.
No câmbio, o movimento foi de cautela. O dólar comercial avançou 0,89% e fechou cotado a R$ 5,220, interrompendo duas sessões seguidas de baixa. Durante o dia, a moeda americana chegou a R$ 5,237 na máxima. O avanço acompanhou o fortalecimento global da divisa, com o índice DXY subindo 0,40%, aos 101,85 pontos.

Treasuries no maior nível em 24 anos e petróleo acima de US$ 102

O pano de fundo da sessão foi a nova rodada de pressão sobre os títulos soberanos. O rendimento do Treasury de 10 anos chegou a 5,34%, maior patamar desde 2002, depois de registrar no trimestre encerrado em setembro a maior alta deste século. 
A pressão se espalhou por Europa e Japão, com o rendimento do título britânico de 30 anos atingindo 6% pela primeira vez desde 1998.
O petróleo reforçou o temor inflacionário. O Brent para novembro fechou com alta de 4,37%, a US$ 102,31 o barril, enquanto o WTI avançou 2,71%, a US$ 92,87. A disparada foi impulsionada pela decisão da China de proibir exportações de derivados de suas refinarias, em meio ao impasse entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
Dirigentes do Federal Reserve também movimentaram o mercado. O vice-presidente Philip Jefferson afirmou que o banco central está totalmente comprometido em trazer a inflação de volta à meta de 2%, enquanto Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, disse não ter uma visão formada sobre nova alta de juros em outubro. A ferramenta FedWatch, do CME, apontava 65% de chance de manutenção das taxas na reunião deste mês.
Em Wall Street, os índices encerraram com ganhos tímidos. O Dow Jones subiu 0,04%, aos 50.927,33 pontos, o S&P 500 avançou 0,20%, aos 7.666,68 pontos, e o Nasdaq ganhou 0,04%, aos 26.871,59 pontos. 
"A questão fundamental é se essa força nos lucros poderá se manter enquanto os custos de empréstimo permanecerem elevados", avaliou Tracie McMillion, chefe de estratégia global do Wells Fargo Investment Institute, em declaração à CNBC.

Petrobras sustenta o índice com petróleo em alta e produção recorde

No mercado local, a Petrobras foi o principal pilar de sustentação. Na reta final, a PETR3 subia cerca de 1,80% e a PETR4 avançava mais de 1,32%, embaladas pela disparada do petróleo e por dados da ANP mostrando que a produção brasileira de petróleo atingiu 4,6 milhões de barris por dia em agosto, alta de 18,4% em um ano e terceiro recorde mensal consecutivo. No mesmo dia, a estatal elevou em 11,8% o preço do querosene de aviação para outubro.
A Vale (VALE3), por outro lado, passou boa parte do pregão em queda, chegando a recuar mais de 1%, mas fechou com alta de 0,56%.

Santander lidera perdas entre os bancos; Casas Bahia e Azzas disparam

O setor financeiro concentrou a pressão vendedora durante a maior parte do dia. O Santander (SANB11) foi a maior baixa do Ibovespa, com queda de 2,96%. Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) chegaram a recuar perto de 1%, mas reduziram as perdas no fim da tarde e operaram próximos da estabilidade.
Na ponta positiva, a Azzas 2154 (AZZA3) liderou o índice com alta de 7,02%, depois de reportagem indicar que o grupo recebeu 15 propostas não vinculantes pela marca Farm Rio, avaliada pelos interessados entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões. 
A Casas Bahia (BHIA3) também se destacou, com valorização de 8,20% após passar por leilão durante a sessão. A Hapvida (HAPV3) ampliou os ganhos e bateu 4,50%, em dia em que o Bradesco BBI destacou queda de 37% nas novas ações judiciais contra operadoras de saúde em agosto.

Indústria em contração e eleição no radar completam o cenário

Do lado macroeconômico, o PMI industrial da S&P Global mostrou aprofundamento da contração no setor. O indicador caiu de 46,3 em agosto para 44,8 em setembro, a maior deterioração das condições operacionais desde abril de 2023, em meio a demanda fraca, pressões competitivas e incerteza eleitoral.
A eleição segue no centro das atenções. O mercado aguardava a nova pesquisa Datafolha, prevista para o início da noite, e o último debate entre os presidenciáveis antes do primeiro turno, promovido pela TV Globo. 
O senador Flávio Bolsonaro (PL) confirmou presença, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve comparecer. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou estar acompanhando "muito de perto" a disputa brasileira.
📈 Entre os demais índices da B3, o Small Caps (SMLL) subiu 0,92%, aos 2.289,20 pontos, e o IFIX fechou praticamente estável, com alta de 0,02%, aos 3.755,86 pontos.