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Nesta semana, a Câmara dos Deputados foi palco de uma votação quase unânime, o que está longe de ser algo frequente numa Cada bastante polarizada. Por 477 a 22, os parlamentares aprovaram a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que põe fim à escala de trabalho no modelo 6x1 no Brasil.
A esquerda e o centrão votaram praticamente juntos em uma matéria que tende a ampliar o descanso dos trabalhadores. Já a direita bolsonarista ficou praticamente isolada na votação, com o núcleo duro deste grupo votando contra a proposta.
Os argumentos para estarem contrários à matéria foram muitos, mas houve destaque para falas de nomes conhecidos, como a do ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (PL). Ele destacou que a mudança no regime pode impactar a mão de obra e que o governo federal tem usado essa discussão para ganhar popularidade em ano eleitoral.
"O governo está manipulando essa discussão de uma maneira muito sorrateira para tentar ganhar popularidade, para dizer 'olha, eu trabalho, eu defendo o trabalhador e a direita é contra o trabalhador'. Isso é uma mentira. Vai atrapalhar a competitividade do país, vai reduzir, a médio e longo prazo, a remuneração dos trabalhadores", pontuou.
Outra voz ativa contra o tema foi a catarinense Julia Zannata, que fez uma longa campanha nas redes sociais. Ela participou também da comissão especial, sendo um dos únicos quatro votos contrários ao texto.
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"É justo e é lindo querer um dia a mais de folga, mas quem vai pagar essa conta? O trabalhador brasileiro, que já está endividado, e, no seu dia de folga, vai ter que fazer bico para a conta de casa fechar”, argumentou.
Já Gilson Marques (Novo) ressaltou que, com a mudança, "estão proibindo as pessoas de trabalharem mesmo que queiram", respondeu, em entrevista à Gazeta do Povo. “A melhor alternativa é a liberdade de escolha: que trabalhador e empregador decidam como querem trabalhar e que as horas sejam pagas proporcionalmente. Se a pessoa quer trabalhar 44, 30 ou 20 horas, que receba pelo que trabalhou”.
A PEC em questão vem tramitando em Brasília há mais de um ano, quando diversos setores da sociedade puderam dar suas opiniões sobre o tema. No modelo como foi aprovado pela Câmara, além de proibir a escala 6 por 1, reduz a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas por semana, o que deve ampliar seu alcance.
Um acordo costurado pelos parlamentares abriu caminho para que haja uma regra de transição de 60 dias a partir da promulgação do texto. Isto é, depois que passar por análise do Senado e for sancionada pela presidência da República.
É importante destacar que a versão atual do item não altera outros regimes de trabalho, que seguem convenções coletivas. O modelo 12 por 36, por exemplo, muito usado nos setores de saúde e segurança, deve permanecer disponível, assim como o 4 por 3, que pode ser usado pelo varejo ou outros segmentos empresariais.
O presidente Lula comemorou a aprovação e disse que deve atuar para acelerar o processo na Casa Alta. “É uma conquista histórica e civilizatória”, afirmou o chefe do Executivo. "As duas folgas semanais significam mais tempo para estudar, se divertir, cuidar da saúde e ver os filhos crescerem", continuou.
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