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Vale (VALE3) não espera mudanças na sua estratégia de negócios e investimento devido à troca de comando do seu Conselho de Administração. Ao menos foi o que disse o diretor-financeiro da companhia, Marcelo Bacci.
🗣️ Em entrevista à plataforma americana "Barron's", Marcelo Bacci afastou o risco de mudanças alegando que os dois candidatos à presidência do Conselho já fazem parte da companhia. Além disso, afirmou que a mudança será positiva, pois reforçará a independência do board.
"Essa é uma grande mudança e é algo positivo para a administração. A eleição será a primeira em que teremos dois candidatos independentes: o atual vice-presidente do conselho e o atual conselheiro independente líder", afirmou. E seguiu: "Em qualquer cenário, será alguém que já está na companhia, e não esperamos mudanças na estratégia".
A troca no Conselho
Maior acionista individual da Vale, a
Previ pediu destituição do Conselho de Administração da mineradora no início de junho, por entender que a renovação do board seria importante para fortalecer práticas de governança, melhorar a gestão estratégica e garantir o alinhamento com os interesses dos acionistas e stakeholders.
O acordo prevê o pagamento de uma compensação financeira para que o executivo mantenha a confidencialidade das informações da empresa por um prazo de 24 meses e está sob
investigação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Com isso, a Vale convocou uma assembleia extraordinária de acionistas para eleger um novo presidente para o Conselho de Administração no próximo dia 22 de julho (quarta-feira). Até lá, a posição é ocupada interinamente pelo conselheiro independente
Wilfred Theodoor Bruijn.
Na briga pelo comando do board, estão os já conselheiros Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira e Marcelo Gasparino da Silva. O primeiro foi indicado pela Previ, que depois desistiu de apoiar qualquer nome na disputa. Já o segundo é o atual vice-presidente do Conselho e lançou a própria candidatura.
O impacto nas ações
A troca no Conselho de Administração da Vale levantou temores de ingerência política, já que o governo federal mantém influência sobre a Previ. Por isso, tem pressionado as ações da mineradora.
📉 O papel já recua quase 6% desde 11 de junho, dia em que a Previ pediu a mudança. Ainda assim, analistas dizem que o movimento não afeta a tese de investimento de longo prazo na empresa.
"Embora os recentes desenvolvimentos de governança tenham sido ruidosos e infelizes, continuamos a ver impactos limitados para a história das ações ou para a direção estratégica da empresa", afirmou o BTG Pactual.
O banco reiterou a recomendação de compra para as ações da Vale em um relatório publicado nessa quinta-feira (16), após a entrevista de Bacci à "Barron's".
Na avaliação do BTG, as ações da Vale são negociadas a múltiplos atrativos, com um desconto em relação às grandes mineradoras australianas.
Operações
Na entrevista, o CFO da Vale também comentou as perspectivas operacionais da empresa.
Segundo Bacci, o boom da IA (Inteligência Artificial) e o processo de transição energética têm elevado a demanda por metais produzidos pela Vale, como minério de ferro e cobre.
Ele admitiu, porém, que o crescimento da produção de cobre deve ocorrer em um ritmo mais lento do que o avanço da demanda, o que deve exigir ajustes nos investimentos e nos preços.
"Estamos monitorando o cenário, mas ainda não temos uma visão clara sobre qual nível de investimento será necessário para atender à demanda", afirmou.
Bacci também lembrou que a Vale tem enfrentado custos maiores, devido ao impacto da guerra no Oriente Médio nos custos dos combustíveis e do frete. Por isso, a companhia tem reforçado os mecanismos de proteção e monitorado os preços do
petróleo.
"Se os preços do petróleo permanecerem acima de US$ 90 por um período mais longo, isso representará uma pressão adicional sobre os custos", afirmou.
A Vale divulga o relatório operacional do segundo trimestre de 2026 na próxima terça-feira (21), na véspera da escolha do novo presidente do Conselho de Administração. Já o balanço financeiro sai em 30 de julho.