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Ibovespa (IBOV) viveu uma quarta-feira (14) de forte oscilação. Pressionado pela
inflação acima do esperado nos Estados Unidos e por um movimento de realização de lucros após o rali eleitoral, o índice chegou a cair 1,65% pela manhã, mas reagiu ao longo da tarde e encerrou o pregão em leve baixa de -0,18%, aos 206.505 pontos. Foi a segunda queda consecutiva da bolsa.
Durante a sessão, o principal índice da B3 oscilou entre a mínima de 203.463,77 pontos e a máxima de 207.220,81 pontos, com volume financeiro de R$ 45,40 bilhões.
Na semana, encurtada pelo feriado de Nossa Senhora Aparecida na segunda-feira (12), o Ibovespa acumula recuo de -1,22%. Ainda assim, o saldo de outubro segue amplamente positivo, com alta de +10,82%, e o ganho em 2026 chega a +28,16%.
No câmbio, o
dólar comercial emendou a segunda alta seguida frente ao real e fechou com avanço de +0,17%, a R$ 5,028, depois de oscilar entre R$ 5,019 e R$ 5,055.
O movimento acompanhou o fortalecimento global da moeda americana, com o índice DXY subindo +0,35%, aos 102,54 pontos.
Inflação americana reacende aposta de alta de juros pelo Fed
O principal fator de pressão veio dos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,6% em setembro, em linha com o esperado na comparação mensal, mas acima da alta de 0,4% registrada em agosto.
Em 12 meses, a inflação americana chegou a 3,7%, acima da projeção de 3,6%. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% no mês e 2,6% em 12 meses, também superando as estimativas.
O dado reforçou a percepção de que o Federal Reserve pode voltar a subir os juros ainda em outubro. Para o Itaú BBA, a inflação ficou bem acima das expectativas e aumentou a probabilidade de uma nova alta na próxima reunião.
Na Casa Branca, o tom foi outro. O diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, afirmou que a alta de setembro foi puxada pela energia e tende a ser temporária. A declaração ajudou a reduzir parte da tensão nos mercados ao longo da tarde.
Em Wall Street, porém, o efeito negativo prevaleceu. O S&P 500 recuou 1,10%, aos 7.719,54 pontos, o Nasdaq caiu 1,88%, aos 26.692,87 pontos, e o Dow Jones fechou praticamente estável, com baixa de 0,09%, aos 51.621,78 pontos.
"A divulgação de hoje deve representar um obstáculo moderado para os ativos de risco, já que as expectativas de aumentos de juros no curto prazo aumentam a pressão sobre a ponta longa da curva", avaliou Jeff Schulze, estrategista-chefe de investimentos do Franklin Templeton Institute, em declaração à CNBC.
Realização de lucros pesa sobre as ações mais sensíveis a juros
No Brasil, o ambiente externo se somou a um movimento natural de ajuste depois da forte valorização que se seguiu ao primeiro turno.
Na semana posterior à votação, os investidores estrangeiros trouxeram cerca de R$ 13 bilhões para a bolsa, e o Ibovespa chegou a renovar seu recorde histórico.
O cenário doméstico também contribuiu para a cautela. O volume do setor de serviços recuou 0,1% em agosto na comparação com julho, abaixo do esperado, e cresceu apenas 0,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 12 meses, a alta é de 2,2%, a menor desde agosto de 2024.
Petróleo e câmbio ajudam o Ibovespa a reduzir as perdas
A recuperação da tarde teve a
Petrobras (PETR4) como principal motor. As ações da estatal subiram com força ao longo do dia, com a PETR3 avançando +1,94% e a PETR4 ganhando +2,22% na reta final.
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Brent para novembro fechou em alta de +0,35%, a US$ 106,06 o barril, e o
WTI avançou +1,01%, a US$ 95,09, em meio à escalada das tensões no Estreito de Ormuz, onde um navio porta-contêineres afundou após ser atingido por um projétil.
Do lado negativo, os grandes bancos fecharam majoritariamente em queda, com destaque para o
Santander (SANB11), que recuou mais de -2%.
O varejo concentrou as maiores perdas. O
Magazine Luiza (MGLU3), ação mais negociada do dia, chegou a cair mais de -7,7% durante a sessão, devolvendo parte do forte rali recente, e fechou o dia com queda de -4,49% . A
Casas Bahia (BHIA3) desabou -24,31%.
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Embraer (EMBJ3) também fechou em baixa, mesmo após a Japan Airlines encomendar até 26 jatos E190-E2 para sua divisão regional, sendo 16 pedidos firmes e 10 opções. Na ponta positiva, além da Petrobras, a
PRIO (PRIO3) e a
Axia Energia (AXIA3) estiveram entre os destaques de alta.
O índice de volatilidade da bolsa brasileira, o VXBR, disparou +11,61%, aos 33,26 pontos, refletindo a maior cautela dos investidores. O índice de
Small Caps (SMLL) caiu -1,11%, aos 2.701,16 pontos, e o
IFIX, de fundos imobiliários, subiu +0,07%, aos 3.953,80 pontos.
Quaest e Datafolha entram no radar do mercado
A cautela também refletiu a espera por novos dados eleitorais. A pesquisa Quaest sobre o segundo turno seria divulgada na noite desta quarta-feira, e o Datafolha está previsto para quinta-feira (15).