Ibovespa cai 1,64% na semana com Copom, Fed e quebra do acordo EUA-Irã; veja os destaques

Pressionado pelas decisões de juros no Brasil e nos EUA, o Ibovespa recuou 1,64% no acumulado da semana, fechando a última sessão aos 168.333 pontos.

Publicado em 20/06/2026 às 12:42h Publicado em 20/06/2026 às 12:42h por Matheus Silva
O dólar terminou a R$ 5,16, com valorização de 2,04% na semana (Imagem: Shutterstock)
O dólar terminou a R$ 5,16, com valorização de 2,04% na semana (Imagem: Shutterstock)
📉 O Ibovespa (IBOV) voltou ao tom negativo em semana marcada por decisões de política monetária no Brasil e nos EUA. O principal índice da bolsa brasileira acumulou perda de 1,64% e encerrou a última sessão aos 168.333,61 pontos. 
Já o dólar à vista terminou a R$ 5,1648, com valorização de 2,04% no acumulado da semana.
No Brasil, o cenário eleitoral continuou em pauta, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, ampliando a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto divulgadas pelo CNT/MDA e pelo Futura/Apex. O mercado aguarda novo levantamento do Datafolha.

Copom corta Selic para 14,25% e adia meta de inflação para o 1T28

O destaque da semana foi a decisão de juros. Na quarta-feira (17), o Copom (Comitê de Política Monetária) cortou a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, terceira redução consecutiva, em decisão unânime e em linha com o esperado pelo mercado. 
O BC destacou piora marginal das projeções de inflação e aumento das incertezas no cenário externo, com atenção especial às tensões no Oriente Médio, passando a enfatizar o "ajuste total" do ciclo de política monetária em vez do ritmo de cortes.
Apesar disso, o comunicado manteve a porta aberta para novos cortes na Selic, na contramão do tom adotado pelos principais bancos centrais ao redor do mundo, na visão de economistas. 
O ponto de maior atenção foi a sinalização antecipada da rolagem do horizonte relevante da política monetária, com o BC adiando o atingimento da meta de 3% do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, reforçando a percepção de novo corte da Selic em agosto, lido por parte do mercado como leniência com a inflação.

Fed mantém juros pela 4ª vez seguida na estreia de Kevin Warsh

Nos EUA, o Fed (Federal Reserve) adotou postura mais conservadora. O Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, quarta manutenção consecutiva, em decisão unânime. 
O dot plot, atualizado trimestralmente no SEP (Resumo de Projeções Econômicas), apontou para alta de 25 pontos-base nos juros até dezembro.
O destaque, porém, foi a primeira coletiva de imprensa de Kevin Warsh no comando do Fed. Durante o pronunciamento, o novo presidente indicou que o banco central poderá promover mudanças em sua estratégia de comunicação com o mercado, incluindo coletivas de imprensa e outros instrumentos de orientação aos investidores.

Quebra do acordo EUA-Irã pressiona petróleo na semana

A semana havia começado com avanço nas tratativas entre EUA e Irã. No domingo (14), Trump e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador, anunciaram que Washington e Teerã haviam chegado a um memorando de entendimento, com assinatura prevista para esta sexta-feira (19) na Suíça. Mas o país que sediaria a cerimônia anunciou o cancelamento das negociações de paz.
Em reação, os preços do petróleo subiram na última sessão da semana, mas encerraram o saldo semanal em tom negativo com o breve alívio das tensões anterior. O contrato mais líquido do Brent para agosto recuou 7,80% na semana, encerrando a sessão a US$ 80,57 o barril, na ICE, em Londres.

Embraer lidera altas da semana com contratos da FAB e da Grécia

A Embraer (EMBJ3) liderou os ganhos do Ibovespa na semana, com alta de 8,72%, impulsionada pelo contrato de serviços e suporte para a frota KC-390 da Força Aérea Brasileira, anunciado na quinta-feira (18). 
O acordo contempla suporte completo para as aeronaves já em serviço e as unidades ainda a serem entregues.
No início da semana, a companhia também havia anunciado a aprovação do Parlamento da Grécia para a compra de três aeronaves militares C-390 Millennium. Para o Santander, o movimento representa desenvolvimento positivo para a fabricante, com impulso para a divisão de Defesa.
📊 Maiores altas da semana:

Braskem despenca 17,58% após virar ré por crimes ambientais

A ponta negativa do Ibovespa foi liderada pela Braskem (BRKM5), cujas ações chegaram a renovar a mínima intradia do ano, a R$ 6,85, na quinta-feira. Os papéis foram pressionados por novos desdobramentos do desastre socioambiental em Alagoas e pela negociação com credores.
Na terça-feira (16), a companhia se tornou ré por crimes ambientais relacionados ao afundamento do solo em Maceió, na Justiça Federal de Alagoas. Documentos vazados do Ministério Público Federal mostram que a empresa já tinha conhecimento da instabilidade do solo no estado desde 1980.
Além disso, a companhia e seu novo acionista controlador, o IG4 Capital, enfrentam dificuldades para obter apoio de credores suficientes para avançar com proposta de reestruturação extrajudicial, segundo informações da Bloomberg. 
Os credores estariam resistindo aos planos apresentados pela petroquímica porque resultariam em tratamento desigual dentro da estrutura de capital, além de preocupações sobre as garantias oferecidas e a ausência de opção de conversão de dívida em capital, segundo a agência.
Na avaliação do UBS BB, a baixa liquidez de curto prazo enfrentada pela petroquímica deve continuar gerando volatilidade na ação, apesar de um cenário de spreads mais favorável.
📉 Maiores quedas da semana:
Braskem (BRKM5): -17,58%
Usiminas (USIM5): -15,48%
CSN (CSNA3): -13,06%
Natura (NATU3): -12,38%
Vamos (VAMO3): -11,55%
Magazine Luiza (MGLU3): -11,49%
Brava Energia (BRAV3): -9,66%
C&A Modas (CEAB3): -9,58%
Hapvida ON (HAPV3): -9,56%
Gerdau PN (GGBR4): -9,30%