Ibovespa amplia perdas e bate nos 170 mil pontos

Além da ressaca eleitoral, a expectativa pela decisão de juros do Fed pesa sobre o mercado.

Publicado em 28/10/2026 às 13:47h Publicado em 28/10/2026 às 13:47h por Marina Barbosa
Às 13h30, apenas 5 ações do Ibovespa se mantinham no terreno positivo (Imagem: Shutterstock)
Às 13h30, apenas 5 ações do Ibovespa se mantinham no terreno positivo (Imagem: Shutterstock)
O Ibovespa opera em forte queda nesta quarta-feira (28), ampliando as perdas registradas após o segundo turno das eleições de 2026.
📉 O principal índice da B3 recuava 2,60% aos 171.143 pontos às 14h30. Na mínima do dia, chegou a tombar mais de 3% e tocou nos 170,3 mil pontos. 
Já o dólar subia 0,43% e era negociado a R$ 5,37, interrompendo o movimento de acomodação visto na véspera.

O que explica o novo tombo da Bolsa?

De acordo com analistas, o tombo ainda reflete a ressaca eleitoral, mas também a expectativa pela decisão do Fed (Federal Reserve).
Como vinha apostando na vitória de Flávio Bolsonaro (PL), o mercado segue ajustando suas posições para o novo mandato de Lula (PT).
💲 Além disso, os investidores aguardam sinalizações mais concretas dos planos fiscais e econômicos do próximo governo.
Na véspera, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo apresentaria uma proposta para reforçar a meta fiscal ainda em 2026. Porém, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, disse que o ajuste fiscal não é este ano.
Não bastasse a incerteza sobre as contas públicas, surgiram rumores de que o governo avalia taxar títulos de renda fixa que hoje são isentos, a exemplo de LCIs e LCAs. De acordo com o jornal "O Globo", a cobrança seria feita por meio do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
O mercado ainda teme que a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos crie novos atritos com o governo de Donald Trump, que nos últimos dias mostrou desconfiança com o resultado das eleições brasileiras e mantém tarifas de importação sobre os produtos brasileiros.
🏦 A expectativa pela decisão de juros dos Estados Unidos completa o clima de cautela do mercado. Os investidores esperam que o Fed mantenha suas taxas inalteradas nesta quarta-feira (28), mas eleve os juros em dezembro. Por isso, aguarda o discurso de Kevin Warsh para saber se essa projeção faz sentido.
A possível elevação dos juros americanos criaria uma dificuldade a mais para a Bolsa brasileira. Afinal, deixaria o rendimento dos Treasuries ainda mais atrativo, induzindo mais investidores a tirar recursos de países emergentes como o Brasil para apostar nos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Poucas altas no IBOV

Diante desse cenário, poucas ações do Ibovespa conseguem se manter em terreno positivo nesta quarta-feira (28).
Às 13h30, apenas cinco papeis do índice operavam em alta: Prio (PRIO3), Weg (WEGE3), Hypera (HYPE3), Suzano (SUZB3) e Tim (TIMS3).
Na outra ponta, empresas que podem sofrer com a manutenção de juros altos no Brasil lideravam as perdas do IBOV, a começar por Vamos (VAMO3) e Magazine Luiza (MGLU3).
Os bancos também pesam sobre o Ibovespa. Destaque para o tombo de quase 5% das Units do Santander (SANB11), que apresentou um resultado abaixo do esperado pelo mercado no terceiro trimestre de 2026.
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) seguem a mesma toada, apesar de uma alta das commodities.