Goldman Sachs vê ações prontas para disparar até 3x mais que o Ibovespa após eleições

O banco norte-americano apontou que ações sensíveis aos juros acumularam queda de 5% no ano e podem reagir até três vezes mais após a eleição.

Publicado em 01/10/2026 às 16:13h Publicado em 01/10/2026 às 16:13h por Matheus Silva
Em 2022, a bolsa corrigiu cerca de 15% nos seis meses após a eleição (Imagem: Shutterstock)
Em 2022, a bolsa corrigiu cerca de 15% nos seis meses após a eleição (Imagem: Shutterstock)
📊 A reta final da corrida presidencial colocou as urnas no centro das decisões de investimento, e o Goldman Sachs avalia que o desfecho eleitoral pode provocar movimentos significativos na bolsa brasileira. 
Na leitura do banco americano, o maior potencial de reação está concentrado nas ações mais sensíveis aos juros, justamente o grupo que ficou para trás no rali recente do mercado.
O Ibovespa (IBOV) já percorreu um caminho relevante nos últimos meses. O índice avançou cerca de 10% desde as mínimas registradas em meados de agosto e acumulava valorização próxima de 13% no ano. 
O Goldman, porém, chama atenção para o fato de que esse desempenho agregado esconde uma bolsa dividida em duas velocidades.
De um lado, as exportadoras de commodities funcionaram como pilar de sustentação do índice. De outro, as companhias voltadas à economia doméstica, as small caps e os papéis mais dependentes do ciclo de juros permaneciam estáveis ou acumulavam perdas no ano. É nesse descompasso que o banco enxerga espaço para uma possível reprecificação depois da eleição.

Histórico eleitoral mostra ganhos entre os dois turnos na maioria dos ciclos

Para o Goldman, a disputa tende a ampliar a volatilidade dos ativos brasileiros, já que os investidores passam a antecipar qual será a orientação da política econômica a partir de 2027. Para dimensionar esse efeito, o banco recorreu ao comportamento do MSCI Brazil, índice que reúne as principais ações do país, em eleições passadas.
Nos ciclos de 2006, 2018 e 2022, o indicador acumulou ganhos entre 4% e 7% em moeda local no intervalo entre o primeiro e o segundo turno. A exceção ficou por conta de 2014, quando o índice recuou cerca de 5% no mesmo período.
O levantamento mostra que as maiores variações costumam aparecer depois que o resultado é conhecido. Nos seis meses seguintes às eleições de 2006 e 2018, o mercado acumulou altas entre 10% e 20%. Em 2022, o movimento foi na direção oposta, com uma correção de aproximadamente 15% no mesmo horizonte.
A conclusão do banco não aponta para um sentido predeterminado. O ponto central é que a definição do cenário político, e sobretudo seus efeitos sobre a política fiscal e a trajetória dos juros, tem potencial para alterar rapidamente a percepção dos investidores sobre os ativos brasileiros.

Investidores globais já estão se posicionando

Para quem acompanha o Brasil a partir do exterior, o EWZ é um dos caminhos mais tradicionais de exposição às ações brasileiras. O ETF é negociado em Nova York e replica o desempenho do mercado acionário local em dólares, o que explica sua presença no radar do Goldman durante o período eleitoral.
O relatório identificou um aumento na procura por opções de compra de curto prazo tanto do EWZ quanto do Ibovespa, estratégia usada por parte dos investidores para se posicionar em uma eventual alta sem precisar adquirir diretamente as ações. 
Em atualização divulgada às vésperas do primeiro turno, a mesa de trading do banco também citou as estruturas de call spread do EWZ com vencimento em novembro entre as operações monitoradas pelos investidores globais.

Ações sensíveis aos juros podem reagir até três vezes mais que o índice

A explicação para o foco nos juros está na forte correlação entre as ações brasileiras e as taxas domésticas. Quando o mercado passa a enxergar espaço para uma queda relevante dos juros, empresas mais dependentes do crédito e da atividade econômica costumam atrair maior interesse. 
Por isso, o banco destaca setores como bancos, utilities, consumo e construção, além de outras companhias ligadas ao mercado interno.
A distância entre esse grupo e o índice principal é significativa. Segundo o Goldman, a cesta de ações sensíveis aos juros acompanhada pelo banco acumulava queda de 5% no ano, enquanto o Ibovespa registrava alta de 13%. 
O banco calcula ainda que esses papéis têm um beta de juros entre duas e três vezes superior ao do índice geral, o que significa que uma mudança relevante nas taxas tende a provocar reações bem mais intensas nessas ações.

Cenário fiscal pós-eleição vai definir a direção do movimento

O raciocínio do Goldman parte da premissa de que o mercado já começou a se posicionar, mas que parte importante da reação dependerá do que vier depois das urnas. Um ambiente de maior disciplina fiscal, que abra caminho para a queda dos juros, tenderia a favorecer sobretudo as ações domésticas e sensíveis às taxas.
Já um cenário de preocupação crescente com a trajetória das contas públicas poderia gerar o efeito contrário, pressionando juros, câmbio, crédito e ações. 
📈 É por essa combinação de possibilidades que o banco classifica a configuração atual como assimétrica para as ações mais expostas ao ciclo de juros.