Rali de setembro: Magalu (MGLU3) dispara 61% e lidera altas do Ibovespa

Ações da varejista encerraram o mês a R$ 7,46, impulsionadas por juros e notícias corporativas.

Publicado em 01/10/2026 às 07:53h Publicado em 01/10/2026 às 07:53h por Wesley Santana
Magazine Luiza e uma das principais varejistas de móveis do país (Imagem: Shutterstock)
Magazine Luiza e uma das principais varejistas de móveis do país (Imagem: Shutterstock)

O mês de setembro foi bem positivo para a bolsa de valores, que viu seu principal índice avançar mais de 5%. Mas teve empresa que foi bem melhor que isso e ganhou destaque ao longo dos últimos 30 dias.

A Magazine Luiza (MGLU3) foi uma dessas, crescendo 61,46%, conforme dados da B3. Com isso, as ações terminaram o período cotadas em R$ 7,46.

A companhia foi beneficiada por um ciclo de corte da taxa de juros, que diminuiu a pressão sobre suas dívidas. Também houve o anúncio de um acordo com o Mercado Livre (MELI34), que agradou os investidores e fez os papéis ganharem tração.

Agora, a dúvida que fica é se a empresa tem fôlego para continuar em trajetória de crescimento. Segundo alguns analistas, o movimento ainda tem espaço para continuar neste mesmo sentido, mesmo que seja de uma forma mais tímida nas próximas semanas.

A Magalu tem hoje um valor de mercado de quase R$ 6 bilhões, com desvalorização de 15% desde o começo do ano. A companhia reportou prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões no segundo trimestre, ante prejuízo de R$ 24,4 milhões um ano antes.

JP é venda

Mesmo diante da aceleração rápida da companhia, ainda no último dia do mês, o JP Morgan publicou um relatório reiterando recomendação de venda para Magalu. Os analistas destacam que essa é uma das empresas mais endividadas dentro da sua cobertura. O banco mantém recomendação equivalente a venda para MGLU3.

O banco também destaca a sensibilidade do negócio no cenário eleitoral que ainda está indefinido. Ela poderia ser beneficiada com a eleição de algum candidato que tenha foco na disciplina fiscal, mas poderia perder caso haja uma reeleição de Lula (PT).

Além disso, eles chamam a atenção para eventuais cortes de juros, que poderiam favorecer a companhia. A expectativa do mercado é que já não haja novas reduções em 2026, então a empresa não teria uma nova avenida de crescimento neste quesito.

Mesmo assim, o banco diz estar atento ao ticker, sobretudo pelo fato de que a companhia ganhou espaço nas últimas semanas depois da recuperação extrajudicial de uma de suas principais concorrentes, a Casas Bahia (BHIA3). A estimativa é que as vendas cresçam até 10% em 2027 dentro deste novo panorama do varejo brasileiro.

“O varejo online ainda é muito pouco penetrado no Brasil, o que provavelmente deve melhorar daqui para frente. Nesse contexto, players como o Magazine Luiza devem capturar parte do crescimento do setor nos próximos anos, antes de vermos uma grande consolidação da indústria”, diz o banco.

Melhor mês do ano

Setembro já se consagrou como o melhor mês de todo o 2026 para a bolsa brasileira. E isso mesmo com o mercado apreensivo pelas eleições que ocorrem neste próximo domingo, dia 4 de outubro. 

Além do Magalu, quem também puxou o Ibovespa para cima foi empresas como Vamos (VAMO3) e Assaí (ASAI3) que avançaram mais de 30% ao longo do mês. Mas a lista de variações é longa, com ticket de diversos setores, o que mostra que o ciclo de avanço não foi restrito a um único setor da economia.

O IBOV chega ao fim do mês em seus 186,3 mil pontos, com alta de 16% apenas em 2026, dentro da margem prevista por muitos analistas. Há, porém, quem aposte que o indicador possa terminar acima dos 200 mil pontos, como é o caso da XP Investimentos.

“Mantemos nosso valor justo do Ibovespa para o fim de 2026 em 200 mil pontos, com cenário pessimista em 165 mil e otimista em 248 mil pontos. Também atualizamos as Carteiras XP, aumentando um pouco o beta (risco) das carteiras esse mês”, diz a corretora. 

MGLU3

Magazine Luiza
Cotação

R$ 7,46

Variação (12M)

-17,55 % Logo Magazine Luiza

Margem Líquida

0,23%

DY

1.09%

P/L

65,40

P/VP

0,52