Os Estados Unidos propuseram novas sobretaxas comerciais de 10% ou 12,5% contra cerca de 60 países, incluindo o Brasil, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado. A medida foi apresentada pelo governo do presidente Donald Trump e prevê tarifas adicionais sobre produtos importados de nações consideradas de “alto risco” nesse tema.
Segundo documentos divulgados pelas autoridades americanas, o Brasil aparece entre os países citados por supostas deficiências na fiscalização e no enfrentamento ao trabalho forçado em cadeias produtivas. A proposta ainda passará por uma etapa de consulta pública antes de uma eventual implementação.
"A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável", afirmou o embaixador dos EUA, Jamieson Greer. "Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais."
O governo dos Estados Unidos dividiu os países investigados em dois grupos de sobretaxação. A tarifa adicional de 10% será aplicada a nações que já possuem algum tipo de restrição parcial ou que assumiram compromissos formais para adoção de regras por meio de acordos comerciais recíprocos. Nesse grupo estão União Europeia, México, Canadá, Indonésia e Paquistão.
Já a tarifa extra de 12,5% foi destinada às economias que, segundo os EUA, não possuem regimes considerados eficazes de controle. Entre os países incluídos nessa categoria aparecem Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina e Arábia Saudita, além de outras nações investigadas.
Produtos isentos
Mesmo com a nova proposta tarifária, o governo dos Estados Unidos sinalizou que alguns produtos devem permanecer fora das sobretaxas. Entre os itens que aparecem na lista de exceções estão carne bovina, aviões, suco de laranja, café, petróleo, terras raras e metais. Veja abaixo os exemplos de produtos isentos:
- café;
- chá;
- cacau;
- bananas;
- mangas;
- petróleo bruto;
- gás natural liquefeito;
- ouro;
- prata;
- fertilizantes;
- vitaminas;
- medicamentos;
- semicondutores e diversos componentes eletrônicos.
Tarifa de 25%
A nova proposta surge um dia após o governo Trump anunciar uma
tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil. O documento americano também voltou a fazer críticas ao Pix e a políticas comerciais brasileiras.
Na ocasião, o
governo brasileiro manifestou “indignação” com a ameaça de um novo tarifaço e afirmou que as medidas representam riscos ao Pix, sistema de pagamentos instantaneos criado pelo Banco Central. O Brasil também declarou que irá atuar para proteger os interesses nacionais diante das medidas propostas pelos Estados Unidos.
“O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional", diz comunicado.
China e Reino Unido reagem
Além do Brasil, a China também foi incluída na proposta tarifária dos Estados Unidos. O governo chinês rejeitou as acusações relacionadas ao uso de trabalho forçado e criticou a iniciativa americana, afirmando que as medidas representam uma tentativa de politização das relações comerciais.
“Não existe o chamado trabalho forçado na China, e nos opomos ao uso disso como desculpa para manipulação política”, disse Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, em coletiva de imprensa.
Além da China, outros países também se manifestaram sobre a proposta americana. O governo do Reino Unido informou que mantém diálogo permanente com Washington e destacou que vem adotando medidas para combater o trabalho forçado em cadeias produtivas. Já a UE (União Europeia) considerou "injustificadas" as nova tarifas anunciadas pelos EUA.
Veja também os 60 países que foram ameaçados com a tarifa:
- África do Sul;
- Argélia;
- Angola;
- Argentina;
- Austrália;
- Bahamas;
- Bahrein;
- Bangladesh;
- Brasil;
- Camboja;
- Canadá;
- Catar;
- Cazaquistão;
- Chile;
- China;
- Colômbia;
- Coreia do Sul;
- Costa Rica;
- Egito;
- El Salvador;
- Emirados Árabes Unidos;
- Equador;
- Filipinas;
- Guatemala;
- Guiana;
- Honduras;
- Hong Kong (Região Administrativa Especial da China);
- Índia;
- Indonésia;
- Iraque;
- Israel;
- Japão;
- Jordânia;
- Kuwait;
- Líbia;
- Malásia;
- Marrocos;
- México;
- Nicarágua;
- Nigéria;
- Noruega;
- Nova Zelândia;
- Omã;
- Paquistão;
- Peru;
- Reino Unido;
- República Dominicana;
- Rússia;
- Arábia Saudita;
- Singapura;
- Sri Lanka;
- Suíça;
- Taiwan;
- Tailândia;
- Trinidad e Tobago;
- Turquia;
- União Europeia;
- Uruguai;
- Venezuela;
- Vietnã.