Governo manifesta "indignação" com ameaça de novo tarifaço dos EUA

O texto também destacou que o Pix é um patrimônio do Brasil, criado para ampliar a inclusão financeira.

Publicado em 02/06/2026 às 15:03h Publicado em 02/06/2026 às 15:03h por Elanny Vlaxio
Lula responsabilizou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro  (Imagem: Shutterstock)
Lula responsabilizou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (Imagem: Shutterstock)
O governo brasileiro manifestou “indignação” após os Estados Unidos sinalizarem um possível novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros no âmbito da investigação da Seção 301 da legislação comercial americana, voltando, inclusive, a atacar o sistema de pagamentos Pix
Em nota divulgada nesta terça-feira (2), o governo defendeu a soberania nacional na condução de políticas públicas e decisões institucionais. O texto também destacou que o Pix é um patrimônio do Brasil, criado para ampliar a inclusão financeira.
“Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares. Segundo estatísticas do ‘Bureau of Economic Analysis’, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025)”, menciona o texto.
Lembrando que a investigação da Seção 301 é um mecanismo utilizado pelos EUA para apurar práticas consideradas desleais e chega após o governo Trump classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas e depois de autoridades norte-americanas exigirem inspeções em jatos fabricados pela Embraer (EMBJ3).

"Auxílio de falsos patriotas"

No comunicado, o governo brasileiro também criticou a utilização de temas ligados ao funcionamento das instituições nacionais como justificativa para medidas comerciais. A nota reforça que assuntos relacionados ao Judiciário brasileiro fazem parte da soberania do país e não devem ser alvo de pressões externas.
“Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”, diz.
Segundo a nota, “É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares.”
Apesar da escalada nas tensões, o governo afirmou que seguirá buscando diálogo para defender os interesses econômicos brasileiros, inclusive, podendo recorrer à Lei de Reciprocidade.
“O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional.”

O que disse o presidente Lula 

Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) responsabilizou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo novo anúncio dos EUA contra o Brasil e afirmou que os filhos do ex-presidente são “piores que ele”.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele, e são, na verdade, vendilhões [vendedores que traem interesses coletivos para se beneficiarem] da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, disse Lula.
“É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som. São traidores. [...]. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso povo?”, prosseguiu o presidente. Além disso, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo recebeu a ameaça de novas tarifas “com indignação”.
Já o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que em encontro com as autoridades norte-americanas pediu de Trump que evitasse tarifas às empresas brasileiras.
“Nas três reuniões que nós tivemos, com o presidente Trump, o vice-presidente Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz, expresso, a eles”, afirmou em entrevista à Rádio Itatiaia.