"Desequilíbrio absurdo": Varejistas reagem após extinção da taxa das blusinhas

Para a Renner, as empresas instaladas no país devem ter a mesma isenção de impostos federais concedida aos concorrentes no exterior.

Publicado em 15/05/2026 às 17:04h Publicado em 15/05/2026 às 17:04h por Matheus Silva
Na visão dos executivos, a competição é estruturalmente injusta (Imagem: Shutterstock)
Na visão dos executivos, a competição é estruturalmente injusta (Imagem: Shutterstock)
🚨 O anúncio do governo federal de extinção do imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 provocou reação imediata de varejistas nacionais, especialmente no segmento de vestuário.
André Farber, CEO da Riachuelo (RIAA3), foi o mais direto nas críticas, classificando a medida como um subsídio disfarçado à concorrência asiática.
"Na prática, é um incentivo chinês dentro do mercado brasileiro, enquanto a indústria nacional continua em clara desvantagem. O Brasil é a única cadeia têxtil completa do Ocidente, não podemos tratar isso como algo descartável", disse Farber em nota enviada ao Money Times.
Na visão do executivo, a competição é estruturalmente injusta. "As empresas instaladas aqui pagam 35% de imposto de importação, além de 11,25% de PIS/Cofins e toda a carga tributária e trabalhista local, enquanto operações de cross border seguem acessando o mercado brasileiro em condições muito mais favoráveis", afirmou.
Farber argumenta que a cadeia têxtil nacional gera cerca de 18 milhões de empregos e envolve 1,9 milhão de CNPJs, em sua maioria micro e pequenas empresas. 
"Entendemos que o consumidor busca preços acessíveis, mas sem emprego e renda não existe consumo sustentável", disse.

Lojas Renner pede isonomia tributária

Em nota, a Lojas Renner (LREN3) afirmou que a medida amplia o desequilíbrio tributário entre empresas que operam no Brasil e plataformas que vendem diretamente ao consumidor a partir do exterior. 
"Entendemos ser fundamental que todos os agentes que atuam no mercado brasileiro estejam submetidos às mesmas regras tributárias e regulatórias, garantindo condições isonômicas de concorrência", defende a varejista.
Para a Renner, se existe isenção de impostos federais para quem opera fora do Brasil, a mesma condição deve se aplicar às empresas instaladas no país.

Como funcionava a taxação e o que muda agora

O imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 havia sido implementado em 2024, com alíquota de 20% somada ao ICMS estadual, resultando em carga tributária efetiva de aproximadamente 40% a 50%, dependendo do estado e da categoria do produto. 
Antes da taxação, estima-se que as encomendas importadas de baixo valor superavam 18 milhões de remessas mensais entrando no Brasil. 
Após a implementação, o volume caiu para cerca de 11 milhões por mês no fim de 2024, antes de se recuperar gradualmente para a faixa de 15 milhões a 17 milhões, à medida que plataformas como Shein, Shopee, Temu e AliExpress ampliaram subsídios e melhoraram a eficiência logística, segundo estimativas de mercado citadas pelo BTG Pactual.

BTG vê Renner, C&A e Riachuelo como as mais expostas

Para o BTG Pactual, a decisão reabre de forma relevante o debate sobre a assimetria competitiva entre varejistas domésticos e marketplaces asiáticos. 
Na avaliação do banco, a retirada da tarifa pode novamente acelerar a expansão das plataformas estrangeiras, especialmente nos segmentos de vestuário, acessórios, beleza e itens para o lar.
Do ponto de vista de preços, a reversão da taxação deve restabelecer parte da vantagem estrutural historicamente desfrutada pelo comércio transfronteiriço. 
Apesar dos desafios que as plataformas estrangeiras ainda enfrentam no Brasil, incluindo complexidade logística, volatilidade cambial e prazos de entrega, os analistas do BTG avaliam que empresas expostas ao consumidor de renda média e baixa enfrentarão concorrência estruturalmente mais difícil e menor poder de repasse de preços. 
📊 Essa dinâmica é considerada pelo banco como particularmente relevante para Lojas Renner, C&A (CEAB3) e Riachuelo.

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Riachuelo
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