Daniel Vorcaro apresenta nova proposta de delação premiada à PF

A expectativa dos policiais é de que o material traga mais informações sobre o caso Master.

Publicado em 03/06/2026 às 15:47h Publicado em 03/06/2026 às 15:47h por Marina Barbosa
Vorcado está preso na Superintendência da PF em Brasília (Imagem: Divulgação/Master)
Vorcado está preso na Superintendência da PF em Brasília (Imagem: Divulgação/Master)
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, reavaliou o seu discurso para tentar emplacar um acordo de delação premiada e, assim, pegar uma pena mais leve pelo seu envolvimento na maior fraude bancária do Brasil.
O banqueiro apresentou uma nova versão da sua proposta de colaboração premiada durante uma reunião realizada na segunda-feira (1º) com integrantes da PF (Polícia Federal) e da PGR (Procuradoria-Geral da República). E, no dia seguinte, fez um adendo ao material.
No mês passado, os órgãos rejeitaram a primeira proposta de delação de Vorcaro, por entenderem que o material não trazia muitas novidades em relação ao que já havia sido descoberto sobre o caso Master.

As investigações sobre o Master

Além de escancarar as fraudes financeiras do banco, as investigações da PF revelaram o envolvimento de Daniel Vorcaro em esquemas de corrupção e organização criminosa, com o objetivo de atacar adversários e obter dados sigilosos.
O trabalho dos policiais também expôs o relacionamento do banqueiro com autoridades como o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Vorcaro ainda mantinha conversas com o senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o financiamento do filme Dark Horse, que promete contar a história de Jair Bolsonaro (PL), como revelou o site "Intercept". 
E os policiais seguem avançando na perícia dos oito celulares apreendidos com o dono do Master, o que pode trazer ainda mais informações sobre o caso.

O que esperar da nova proposta de delação?

Diante disso, a PF entende que Vorcaro precisa trazer dados novos sobre as fraudes e os atores envolvidos no caso Master para poder conseguir um acordo de delação premiada, além de provas dos crimes denunciados.
Também há uma expectativa de que o banqueiro concorde em fazer um pagamento de R$ 60 bilhões, a título de reparação dos danos causados pelo escândalo do Master, sobretudo ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito).
Os investigadores devem, então, se debruçar sobre a nova proposta de delação nos próximos dias para avaliar se Vorcaro avançou nesses pontos.

Os próximos passos

Se a avaliação da PF for positiva, a delação ainda precisará ser aprovada pelo ministro André Mendonça, do STF, que já deu sinais de que só vai deixar o acordo avançar caso Vorcaro não omita dados ou poupe aliados.
Em troca dessas informações, Vorcaro pode receber uma eventual redução de pena, regime diferenciado de prisão ou até perdão judicial, além de recuperar valores retidos nas investigações.
Enquanto a decisão sobre o assunto não sai, o dono do Banco Master segue preso na Superintendência da PF em Brasília.