BRB fecha contrato com gestora para criar fundo de R$ 15 bi com ativos do Master

Banco vai receber R$ 4 bilhões em dinheiro e o restante será convertido em cotas do fundo.

Publicado em 21/04/2026 às 10:37h Publicado em 21/04/2026 às 10:37h por Wesley Santana

Nesta terça-feira (21), o BRB (BSLI4) informou ao mercado que fechou um acordo para vender até R$ 15 bilhões em ativos do Banco Master. O acordo foi assinado junto à Quadra Capital com o objetivo de transferir os títulos para um fundo de investimentos a ser criado.

No desenho da operação, haverá um pagamento inicial de até R$ 4 bilhões desses ativos, em dinheiro. O restante do valor será convertido em cotas e estará atrelado à variação dos ativos no mercado, além de uma transferência para investidores privados.

Para muitos analistas, a venda dos ativos pode ser lida como uma tentativa de limpar o balanço do banco estatal, que está contaminado com os ativos da instituição financeira. Calcula-se que mais de R$ 20 bilhões estejam comprometidos com operações vinculadas ao Master.

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O anúncio deve, de fato, ajudar a equilibrar as contas do banco do DF, mas ainda há várias questões que são incógnitas. Isso porque não foram divulgados quais os ativos estão no acordo, nem o desconto implícito deste documento.

A governadora do DF, Celina Leão, disse recentemente que o BRB está conversando com vários bancos para encontrar uma solução para o caso. Ela ainda criticou o governo federal por supostamente estar bloqueando conversas com os bancos estatais.

"Todos os bancos privados têm sentado, têm negociado com o BRB. Os únicos bancos que não têm negociado com o BRB são a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. A impressão que se passa por parte do governo federal é de que a vontade dele é que o banco do Distrito Federal quebre mesmo, independentemente de responsabilidade de quem quer que seja”, afirmou.

A crise do BRB teve início com a liquidação extrajudicial do Master, que era dono de bilhões em títulos de renda fixa que estavam na carteira do banco do DF. Desde então, a gestão do governo tem buscado alternativas para cobrir o rombo deixado pelos ativos, mas até agora não houve nenhuma solução concreta.

Na última semana, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso pela Polícia Federal por suspeita de receber propina em um esquema que beneficiava o Master. Desde o ano passado, ele já estava afastado da instituição por ordem judicial.