O acordo, firmado em fevereiro de 2025, envolvia ativos localizados na Bacia Potiguar e tinha como compradores a Azevedo & Travassos Petróleo, controlada integral da companhia, em parceria com a Petro-Victory Energy e suas afiliadas.
Segundo a companhia, a justificativa apresentada pelas vendedoras foi o vencimento do Longstop Date, prazo-limite previsto no contrato e posteriormente prorrogado, além da existência de condições de fechamento que ainda não haviam sido cumpridas. Com isso, as vendedoras comunicaram a rescisão do acordo com base nas disposições contratuais aplicáveis.
A Azevedo & Travassos afirmou que recebeu a decisão de forma inesperada, já que, até a véspera, as partes trabalhavam para concluir ainda no fim de setembro. No fim de agosto, havia sido acordada uma nova extensão do prazo, levando a data-limite para 21 de setembro de 2026.
Negociações avançavam antes da ruptura
De acordo com a empresa, as conversas entre as partes continuaram diariamente. Em 2 de setembro, a Brava teria aprovado por e-mail os cálculos de ajuste, enquanto também negociava com a Azevedo & Travassos questões relacionadas à transferência dos ativos junto à ANP (Agência Nacional de Petróleo) e à comercialização da produção após o fechamento da operação.
No dia seguinte, porém, a Brava encaminhou uma primeira comunicação indicando a intenção de encerrar o negócio. A Azevedo & Travassos contestou a medida e questionou a rescisão unilateral diante do andamento das tratativas. A companhia também informou à Brava que dispunha dos recursos financeiros necessários para concluir a operação.
Segundo a Azevedo & Travassos, ela também estava preparada para apresentar a garantia de descomissionamento exigida para a transferência dos campos perante a ANP. Mas, em 14 de setembro, a Brava confirmou definitivamente a rescisão unilateral, que a Azevedo & Travassos classificou como injustificada e contrária aos acordos.
Produção dos campos também pesou na operação
Outro ponto destacado pela Azevedo & Travassos foi a situação operacional dos campos. Desde setembro de 2025, a produção vinha sendo fortemente reduzida após uma interdição da ANP relacionada ao não cumprimento, pela Brava, de requisitos mínimos de segurança operacional.
A Brava havia indicado que a produção seria retomada rapidamente, inicialmente até o fim de 2025 e, posteriormente, até o encerramento do primeiro trimestre de 2026. Segundo a Azevedo & Travassos, entretanto, uma decisão comercial interna adiou a retomada e levou os campos a cerca de sete meses de produção próxima de zero.
A recuperação começou apenas em meados de 2026 e, em julho, a produção total correspondia a aproximadamente 20% do esperado. Para a Azevedo & Travassos, esse cenário foi provocado pela Brava e acabou sendo o principal fator para o atraso da transação.
A redução das receitas, que pelo regime econômico previsto no SPA seriam atribuídas aos compradores após o fechamento, também teria prejudicado a percepção sobre o valor e os riscos dos ativos, além de dificultar o financiamento e as garantias bancárias necessárias à operação.
Apesar dos obstáculos, a companhia afirma ter cumprido suas obrigações previstas no SPA dentro dos prazos e planos estabelecidos. Agora, avalia os impactos da decisão e as medidas que poderão ser adotadas para preservar seus direitos e interesses previstos no contrato e nos documentos relacionados à operação.
Contrato do controle da Verde Alagoas Ambietal
Vale citar que, ainda nesta quinta-feira (17), a Azevedo & Travassos também anunciou a assinatura de um contrato para a venda do controle da Verde Alagoas Ambiental por R$ 21 milhões. A operação envolve a concessionária de saneamento que atua em 27 municípios de Alagoas. Do valor total, R$ 600 mil ficarão retidos para cobrir eventuais contingências previstas.
Segundo a companhia, os recursos obtidos com a venda serão destinados conforme suas diretrizes de alocação de capital, incluindo o apoio a novos investimentos. A operação está inserida na estratégia da Azevedo & Travassos como plataforma de investimentos em infraestrutura, diz comunicado ao mercado.