Recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4) recebe aval da Justiça

Trata-se da maior dívida financeira já renegociada no Brasil, na ordem de R$ 65 bilhões.

Publicado em 30/07/2026 às 22:03h Publicado em 30/07/2026 às 22:03h por Lucas Simões
RAIZ4 consegue homologação da Justiça e ganha fôlego para sair do sufoco (Imagem: Shutterstock)
RAIZ4 consegue homologação da Justiça e ganha fôlego para sair do sufoco (Imagem: Shutterstock)
Com ações na casa dos centavos, não é segredo que a Raízen (RAIZ4) circunda a "bacia das almas" na bolsa de valores brasileira. Contudo, a produtora de açúcar e etanol deu um passo importante nesta quinta-feira (30) em direção a passar a sua situação financeira a limpo.
Afinal de contas, a Justiça de São Paulo homologou plano de recuperação extrajudicial da sucroalcooleira, que prevê a maior reestruturação corporativa da história do Brasil, ao englobar R$ 65 bilhões em dívidas financeiras. Vale destacar que o questionamento da homologação cabe recurso.
Conforme a decisão da Justiça, o plano de recuperação abrange todos os créditos submetidos à recuperação extrajudicial e seus respectivos titulares, como, por exemplo, emissões de CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio).
A Raízen alega que mais de 80% de seus credores aderiram às condições de seu processo de recuperação extrajudicial, percentual que é a maioria exigida pela Lei de Recuperação e Falências, permitindo que a empresa estenda tais condições até aos credores que não concordaram inicialmente com a renegociação de débitos.
Dentre as possibilidades previstas na recuperação, a RAIZ4 poderá converter parte de suas emissões de CRAs em ações, ou seja, investidores de renda fixa abrirão mão dos juros compostos combinados no momento em que emprestaram dinheiro à companhia e se tornarão acionistas da empresa. 
Como consequência, os atuais acionistas da Raízen veriam o seu patrimônio ser amplamente diluído diante da conversão de parte das dívidas bilionárias em ações.
Outro comprometimento já assumido na recuperação extrajudicial é um aporte de pelo menos R$ 3,5 bilhões liderado pela distribuidora britânica Shell (SHEL), que divide com a holding brasileira Cosan (CSAN3) o controle da Raízen.