Credores e acionistas da Raízen (RAIZ4) chegam perto de consenso sobre dívida
A companhia avançou para converter até 50% da dívida em ações até junho e negocia venda de ativos na Argentina ao Mercuria.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o influenciador digital Renato Cariani revelou uma perda importante na sua carteira de investimentos. Segundo ele, seus investimentos em ações da Raízen (RAIZ4) geraram um prejuízo de mais de R$ 250 mil depois da crise da distribuidora de combustíveis.
“Eu tenho investimentos em uma série de coisas e um dos que eu tenho é em ações. Eu tenho ações da Raízen”, iniciou Cariani. “A Raízen entrou em recuperação [extra] judicial depois de um prejuízo gigantesco, e os R$ 350 mil que eu tinha em ações viraram R$ 97 mil, do dia para a noite”, continuou o influenciador digital, conhecido no mundo dos esportes e da vida fitness.
A afirmação do influenciador se sustenta no histórico de cotação da companhia que controla marcas como Shell no Brasil. Só neste ano, a desvalorização dos papéis chega a 28%, conforme mostram dados da bolsa de valores.
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No mês passado, a distribuidora entrou com pedido de recuperação extrajudicial com dívidas que chegam a R$ 65 bilhões. A ideia é tentar um acordo com os credores fora da Justiça, antes de partir eventualmente para a recuperação judial que é mediada por um tribunal.
Cariani não deixou claro quando fez o aporte na companhia, mas, em um horizonte ainda maior, de 12 meses, por exemplo, esse recuo já chega a 67%, ainda segundo a B3. A Raízen fez sua abertura de capital em 2021, quando fixou cada ação em R$ 7,10, valor que nunca mais retornou.
Apesar do prejuízo que acumula com a ação da companhia, Cariani diz que vai manter o ticker na carteira na tentativa de reverter as perdas. “Ainda tenho [as ações] e agora vou ficar com elas”, pontuou ele, que acumula milhões de seguidores na internet.
O caso de Renato não é único, e mesmo quem investiu na renda fixa atrelada à Raízen tem passado por um mau momento. Os títulos emitidos pela companhia são negociados no mercado secundário bem abaixo do valor inicial.
Isso acontece porque os investidores já não estão tão confiantes de que a companhia vai honrar com seus compromissos no prazo fixado. Soma-se a isso o fato de que, diferente de CDBs, LCIs e LCAs, por exemplo, as debêntures não têm proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), então os investidores não serão ressarcidos por eventuais prejuízos da renda fixa.
Levantamentos feitos a partir de dados da Anbima mostram que os investidores podem chegar a ter um prejuízo de 60% com debêntures, CRIs e CRAs vinculados a empresas em RJ. Além da Raízen, Grupo Pão de Açúcar, Braskem e Oncoclínicas também preocupam o mercado.
A companhia avançou para converter até 50% da dívida em ações até junho e negocia venda de ativos na Argentina ao Mercuria.
A empresa enviou uma proposta alternativa aos credores no último sábado (25), segundo a Bloomberg News, citando fontes a par do assunto.
Produtora de açúcar e etanol busca reestruturar dívida de R$ 65 bilhões com credores, especialmente bancos.
O esclarecimento foi feito após questionamento da B3.
A proposta prevê a saída de Rubens Ometto da presidência do conselho da Raízen, atendendo a pedido anterior de detentores de títulos.
A companhia enfrenta resistência de credores à conversão de dívida em ações e deve discutir a reestruturação em reunião nesta semana.
A nota foi rebaixada após a Justiça de SP autorizar a Raízen a suspender pagamentos por 180 dias enquanto negocia com credores.
A companhia recebeu prazo de 90 dias para demonstrar que alcançou o quórum necessário.
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