Raízen oferece até R$ 5 bilhões a investidores de renda fixa

Produtora de açúcar e etanol busca reestruturar dívida de R$ 65 bilhões com credores, especialmente bancos.

Publicado em 26/04/2026 às 15:30h Publicado em 26/04/2026 às 15:30h por Lucas Simões
RAIZ4 se recusa a abrir mão do controle em seu conselho administrativo (Imagem: Shutterstock)
RAIZ4 se recusa a abrir mão do controle em seu conselho administrativo (Imagem: Shutterstock)
Com uma dívida de R$ 65 bilhões nas costas, a Raízen (RAIZ4) enfrenta uma árdua batalha em meio à sua recuperação extrajudicial com credores, especialmente grandes bancos. Uma proposta apresentada na noite deste sábado (25) prevê um aumento de capital entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões.
Informações colhidas pela Bloomberg junto a pessoas cientes das negociações dão conta de que, embora a produtora de açúcar e etanol esteja se esforçando para honrar os compromissos financeiros com seus investidores de renda fixa, a diretoria mostra resistência à contrapartida dos credores, que exigem o controle do conselho administrativo.
Para além do saldo de até R$ 5 bilhões anunciado neste final de semana, os acionistas controladores da Raízen já se comprometeram a aportar outros R$ 4 bilhões, recursos bancados pelo bilionário Rubens Ometto, da holding brasileira Cosan (CSAN3), além da distribuidora de combustíveis britânica Shell PLC (SHEL).
Atualmente, cerca de 44% do capital social da RAIZ4 está nas mãos da Cosan, além de outros 44% de propriedade da Shell PLC. Só 10,54% da sucroalcooleira é negociada entre acionistas minoritários na bolsa de valores brasileira. O restante do capital social divide-se entre fundos de investimento e gestoras, além das ações em tesouraria.
A própria gestão da Raízen não nega que mantém negociações em andamento com credores financeiros no âmbito de seu processo de recuperação extrajudicial, mas reforçou que ainda não há qualquer acordo firmado ou decisão definitiva sobre o tema.
Todavia, a companhia resiste às demandas dos credores de que os acionistas abram mão da maioria das cadeiras no conselho ou de que executivos sejam responsabilizados por eventuais passivos que possam surgir no futuro, dizem as mesmas fontes sob condição de anonimato.

Risco infla renda fixa da Raízen 

As dificuldades financeiras e o elevado risco de calote que pairam sobre a Raízen já fazem um baita estrago sobre as emissões de títulos de dívida da empresa no mercado secundário de renda fixa (o ambiente acessível nas prateleiras das corretoras de valores).
A ferramenta do Investidor10 que monitora as condições dos títulos de renda fixa disponíveis no mercado aponta que os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) emitidos pela Raízen com vencimento em 17 de outubro de 2033 oferecem uma taxa prefixada de 18% ao ano.
Tamanho juros compostos estão muito acima da média de mercado, afinal de contas, as empresas privadas já costumam pagar taxas um pouco maiores que o Tesouro Direto para atrair dinheiro emprestado dos investidores de renda fixa. Mas, o caso da Raízen chama muito a atenção pela sua disparidade de remuneração.
Para se ter uma ideia, o Tesouro Prefixado 2032, a renda fixa do governo brasileiro com vencimento mais próximo aos CRAs emitidos pela Raízen em questão, pagava juros compostos de 13,67% ao ano na última sexta-feira (24).
Os dados fornecidos pelo Investidor10 apontam que uma aplicação inicial de R$ 10 mil nos mencionados CRAs emitidos pela Raízen gera um montante de R$ 35.993,98 nos próximos 90 meses.
Em contrapartida, um CDB (Certificado de Depósito Bancário) pagando taxa de 100% do CDI, retornaria R$ 26.165,15 nas mesmas condições. Vale citar que apenas os títulos bancários contam com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

RAIZ4

Raízen
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