Taxas do Tesouro Direto cedem, após máximas do ano: Veja se ainda vale a pena

Expectativa de fim da guerra traz alívio aos juros futuros, mas temor inflacionário persiste.

Publicado em 09/06/2026 às 13:44h Publicado em 09/06/2026 às 13:44h por Marina Barbosa
Mesmo em baixa, Tesouro Direto ainda paga mais de 14,7% ao ano (Imagem: Shutterstock)
Mesmo em baixa, Tesouro Direto ainda paga mais de 14,7% ao ano (Imagem: Shutterstock)
As taxas do Tesouro Direto operam em queda nesta terça-feira (8), interrompendo um rali que levou o retorno dos títulos públicos às máximas do ano no início dessa semana.
O recuo afeta sobretudo os títulos prefixados, mas não foi suficiente para anular a atratividade da renda fixa do governo para muitos investidores brasileiros.
Isso porque os prefixados seguem pagando mais de 14,7% ao ano e ainda há títulos pagando IPCA+ 8% ao ano disponíveis no Tesouro Direto.

O vai e vem das taxas

📉 O Tesouro Prefixado 2029 chegou a oferecer um rendimento de 14,92% ao ano na segunda-feira (8), mas está pagando 14,82% nessa terça-feira (9). No caso do Tesouro Prefixado 2032, a taxa bateu 14,86% e cedeu para 14,74%.
O recuo foi mais tímido entre os títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+ 2032, que chegou a pagar 8,36% na segunda-feira (8) e oferece um retorno de 8,32% ao ano nessa terça-feira (9).
Já a taxa do Tesouro IPCA+ 2040 passou de 7,71% para 7,66% ao ano, enquanto o retorno do Tesouro IPCA+ 2050 cedeu apenas 0,01 ponto percentual, de 7,37% para 7,36% ao ano.

O que mexe com o retorno da renda fixa?

As taxas do Tesouro Direto atingiram as máximas do ano nessa segunda-feira (8), em meio à percepção de que os juros seguirão altos por mais algum tempo -no Brasil e nos Estados Unidos.
💲 Por aqui, o mercado elevou as projeções para a Selic devido à piora das expectativas de inflação e da percepção fiscal.
"O investidor encontra títulos públicos pagando juros reais historicamente elevados porque o mercado passou a exigir um prêmio maior para financiar o país", afirmou a CEO da Magno Investimentos, Olívia Flôres de Brás.
Ela explicou que, enquanto a inflação é pressionada pela recente alta do petróleo e dos alimentos, o Brasil também enfrenta dificuldades estruturais para controlar os preços sem impor um custo elevado ao crédito, ao investimento e ao consumo. 
Além disso, o mercado olha com preocupação o aumento dos gastos públicos no ano eleitoral, já que isso pode levar a uma deterioração da situação fiscal e a uma pressão adicional na inflação.
Por isso, o Boletim Focus aponta para uma taxa Selic de 13,50% ao final do ano e algumas casas mostram-se ainda mais cautelosas em relação ao rumo dos juros. A XP, por exemplo, projeta juros de 14% ao final do ano, enquanto o BTG vê a Selic em 14,25% em dezembro.
🏦 Na dúvida do que esperar dos juros, o mercado ainda passou a trabalhar com a hipótese de que o Copom (Comitê de Política Monetária) interrompa o ciclo de corte da Selic já na próxima semana.
Segundo as Opções de Copom negociadas na B3, a expectativa é de que a Selic seja mantida em 14,50% ao menos nas próximas três reuniões do Copom.
Já nos Estados Unidos, as apostas de juros altos por mais tempo ganharam força depois que o payroll de maio mostrou que o mercado de trabalho segue aquecido, reduzindo o temor de uma desaceleração da economia.
Apesar desse cenário, as taxas futuras de juros apresentam um leve recuo nessa terça-feira (8), devido às sinalizações de que Estados Unidos e Irã podem estar perto de um acordo para acabar com a guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, o que explica o movimento do Tesouro Direto.

Veja o retorno dos títulos do Tesouro Direto em 9 de junho de 2026:

Títulos com liquidez diária

  • Tesouro Reserva 2036 = Aporte mínimo de R$ 1,00 (Rentabilidade: Selic)
  • Tesouro Selic 2031 = Aporte mínimo de R$ 191,14 (Rentabilidade: Selic + 0,0743% ao ano)

Títulos pré-fixados

  • Tesouro Prefixado 2029 = Aporte mínimo de R$ 7,03 (Rentabilidade: 14,82% ao ano)
  • Tesouro Prefixado 2032 = Aporte mínimo de R$ 4,67 (Rentabilidade: 14,74% ao ano)
  • Tesouro Prefixado com juros semestrais 2037 = Aporte mínimo de R$ 8,07 (Rentabilidade: 14,69% ao ano)

Títulos indexados à inflação

  • Tesouro IPCA+ 2032 = Aporte mínimo de R$ 28,89 (Rentabilidade: IPCA+ 8,32% ao ano)
  • Tesouro IPCA+ 2040 = Aporte mínimo de R$ 16,67 (Rentabilidade: IPCA+ 7,66% ao ano)
  • Tesouro IPCA+ 2050 = Aporte mínimo de R$ 8,57 (Rentabilidade: IPCA+ 7,36% ao ano)
  • Tesouro IPCA+ 2037 (com juros semestrais) = Aporte mínimo de R$ 41,11 (Rentabilidade: IPCA+ 7,95% ao ano)
  • Tesouro IPCA+ 2045 (com juros semestrais) = Aporte mínimo de R$ 39,82 (Rentabilidade: IPCA+ 7,71% ao ano)
  • Tesouro IPCA+ 2060 (com juros semestrais) = Aporte mínimo de R$ 39,47 (Rentabilidade: IPCA+ 7,57% ao ano)

Títulos para aposentadoria extra

  • Tesouro Renda+ 2030 = Aporte mínimo de R$ 18,84 (Rentabilidade: IPCA+ 7,78% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2035 = Aporte mínimo de R$ 13,42 (Rentabilidade: IPCA+ 7,56% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2040 = Aporte mínimo de R$ 9,58 (Rentabilidade: IPCA+ 7,43% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2045 = Aporte mínimo de R$ 6,84 (Rentabilidade: IPCA+ 7,35% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2050 = Aporte mínimo de R$ 4,88 (Rentabilidade: IPCA+ 7,30% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2055 = Aporte mínimo de R$ 3,45 (Rentabilidade: IPCA+ 7,29% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2060 = Aporte mínimo de R$ 2,42 (Rentabilidade: IPCA+ 7,30% ao ano)
  • Tesouro Renda+ 2065 = Aporte mínimo de R$ 1,70 (Rentabilidade: IPCA+ 7,30% ao ano)

Títulos para custear estudos

  • Tesouro Educa+ 2027 = Aporte mínimo de R$ 37,10 (Rentabilidade: IPCA+ 8,52% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2028 = Aporte mínimo de R$ 34,25 (Rentabilidade: IPCA+ 8,48% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2029 = Aporte mínimo de R$ 31,68 (Rentabilidade: IPCA+ 8,42% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2030 = Aporte mínimo de R$ 29,35 (Rentabilidade: IPCA+ 8,34% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2031 = Aporte mínimo de R$ 27,29 (Rentabilidade: IPCA+ 8,23% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2032 = Aporte mínimo de R$ 25,41 (Rentabilidade: IPCA+ 8,13% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2033 = Aporte mínimo de R$ 23,72 (Rentabilidade: IPCA+ 8,02% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2034 = Aporte mínimo de R$ 22,18 (Rentabilidade: IPCA+ 7,92% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2035 = Aporte mínimo de R$ 20,73 (Rentabilidade: IPCA+ 7,84% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2036 = Aporte mínimo de R$ 19,38 (Rentabilidade: IPCA+ 7,77% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2037 = Aporte mínimo de R$ 18,11 (Rentabilidade: IPCA+ 7,71% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2038 = Aporte mínimo de R$ 16,91 (Rentabilidade: IPCA+ 7,67% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2039 = Aporte mínimo de R$ 15,80 (Rentabilidade: IPCA+ 7,63% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2040 = Aporte mínimo de R$ 14,74 (Rentabilidade: IPCA+ 7,60% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2041 = Aporte mínimo de R$ 13,79 (Rentabilidade: IPCA+ 7,56% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2042 = Aporte mínimo de R$ 12,90 (Rentabilidade: IPCA+ 7,53% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2043 = Aporte mínimo de R$ 12,04 (Rentabilidade: IPCA+ 7,51% ao ano)
  • Tesouro Educa+ 2044 = Aporte mínimo de R$ 11,27 (Rentabilidade: IPCA+ 7,48% ao ano)