Queda de até 95%: Veja as 16 ações que bateram o fundo do poço em setembro

Mesmo com o Ibovespa em alta de 15,65% no ano, 16 ações renovaram mínimas de 2026 em setembro, e uma delas já perdeu 95% do valor.

Publicado em 03/10/2026 às 11:03h Publicado em 03/10/2026 às 11:03h por Matheus Silva
Só Recrusul, JBS e BrasilAgro encerraram setembro nas mínimas do ano (Imagem: Shutterstock)
Só Recrusul, JBS e BrasilAgro encerraram setembro nas mínimas do ano (Imagem: Shutterstock)
📉 O Ibovespa (IBOV) chegou ao fim de setembro acumulando valorização de 15,65% em 2026, mas o bom desempenho do índice não reflete a realidade de todos os papéis negociados na bolsa.
Ao longo do mês, 16 ações renovaram seus menores preços de fechamento do ano, mostrando que uma parcela relevante do mercado seguiu na contramão do principal termômetro da B3 (B3SA3).
O dado faz parte de um levantamento da Elos Ayta, que analisou ativos com volume financeiro médio diário acima de R$ 1 milhão em 2026. Todos os papéis da lista encerraram os nove primeiros meses do ano no campo negativo, com perdas que variaram de 0,12% a 95,30%.
O contraste ajuda a responder uma pergunta frequente entre investidores, sobre como a bolsa pode subir enquanto tantas ações acumulam prejuízo. O Ibovespa representa uma carteira teórica em que cada papel tem um peso específico. Seu resultado reflete o comportamento do conjunto, e não exige que todas as empresas avancem na mesma direção.

Cinco ações do próprio Ibovespa aparecem na lista

Entre os 16 papéis que tocaram as mínimas do ano, cinco fazem parte do próprio Ibovespa. São eles Vale (VALE3), Natura (NATU3), Direcional (DIRR3), Cury (CURY3) e Azzas 2154 (AZZA3).
A Gafisa (GFSA3) concentra a maior desvalorização da amostra, com recuo de 95,30% até 30 de setembro. Na sequência aparecem a Recrusul (RCSL4), com perda de 82,71%, e a Azevedo (AZEV4), que acumula baixa de 71,67%. Esses são os únicos ativos do levantamento com quedas acima de 50% no ano.
No extremo oposto, a Vale apresenta o menor recuo da lista, de apenas 0,12%. Natura, com queda de 9,40%, e Cury, com perda de 9,55%, completam o trio de melhor desempenho relativo dentro da seleção. São os únicos papéis da amostra com desvalorização inferior a 10% no acumulado do ano.
Essa diferença revela que atingir uma mínima anual pode significar realidades bem distintas. A Vale registrou seu menor fechamento de 2026 em 29 de setembro, mas terminou o mês praticamente estável no ano. Já os nomes no topo da lista sofreram uma destruição expressiva de valor ao longo do mesmo período.

Metade das mínimas foi registrada nos últimos três pregões do mês

Oito dos 16 ativos atingiram seus menores fechamentos de 2026 justamente nas três últimas sessões de setembro. Em 30 de setembro, chegaram às mínimas Recrusul, JBS (JBSS32) e BrasilAgro (AGRO3). Na véspera, foi a vez de M. Dias Branco (MDIA3), Natura e Vale. Já Azevedo e Direcional tocaram seus pisos do ano em 28 de setembro.
A concentração mostra que, para metade da amostra, os menores preços do ano coincidiram com o encerramento do terceiro trimestre.
Há, porém, uma diferença importante entre tocar a mínima ao longo do mês e terminar setembro nesse patamar. Apenas Recrusul, JBS e BrasilAgro fecharam o último pregão exatamente em suas mínimas anuais. Os outros 13 papéis encerraram o mês acima dos menores preços que haviam registrado anteriormente.

Incorporadoras respondem por um quarto da lista

O setor de incorporação imobiliária é o mais representado na amostra, com quatro papéis, Gafisa, Direcional, Cury e Even (EVEN3), o equivalente a 25% do total. Cada um dos demais setores presentes no levantamento aparece com apenas um ativo.
Mesmo dentro desse grupo, a intensidade das perdas é bastante desigual. Além dos extremos representados por Gafisa e Cury, a Direcional acumula queda de 28,40% no ano, enquanto a Even recua 37,57%.
A presença de várias incorporadoras chama atenção para o segmento, mas os números mostram que as empresas tiveram trajetórias muito diferentes entre si. O levantamento aponta onde as mínimas ocorreram, sem identificar as razões por trás das quedas.

Lista atravessa Small Caps, IDIV e Ibovespa

Os papéis selecionados também estão espalhados por diferentes índices de referência. Nove fazem parte do índice Small Caps, cinco integram o Índice de Dividendos (IDIV) e cinco pertencem ao Ibovespa, com sobreposições entre os grupos, já que uma mesma ação pode compor mais de uma carteira. Outros seis ativos não fazem parte de nenhum desses três índices.
Para o investidor, a principal lição do estudo é a diversidade de trajetórias escondida por trás da alta do Ibovespa. Uma mínima anual indica apenas onde o preço está dentro de um intervalo de tempo. Saber se esse patamar representa uma oportunidade exige olhar também para os resultados, as perspectivas e os riscos de cada companhia.
📊 O levantamento considerou as mínimas de preços de fechamento de 2026 registradas em setembro, entre papéis com volume financeiro médio diário superior a R$ 1 milhão no ano. Retornos acumulados até 30 de setembro de 2026.