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Petrobras (PETR4) alcançou nesta sexta-feira (2) um marco inédito em sua trajetória na bolsa. Pela primeira vez, a estatal encerrou um pregão avaliada acima de R$ 700 bilhões, fechando o dia com valor de mercado de R$ 700,08 bilhões.
As ações preferenciais (
PETR4) avançaram 2,81%, cotadas a R$ 51,17, enquanto as ordinárias (
PETR3) subiram 3,25%, a R$ 56,62. O desempenho adicionou R$ 20,9 bilhões ao valor da companhia em uma única sessão.
A PETR4 também ficou entre os papéis mais movimentados da
B3 (B3SA3), ocupando a terceira posição, com aproximadamente 67,3 mil negócios e giro financeiro de R$ 2,664 bilhões, em um dia marcado pela volatilidade típica da véspera eleitoral.
O recorde anterior pertencia ao pregão de 16 de setembro, quando a petroleira terminou o dia valendo R$ 693,14 bilhões, impulsionada principalmente pela valorização do
Brent ao longo daquele mês.
Desta vez, o petróleo não explica a disparada
O curioso é que a alta das ações não acompanhou a commodity. O contrato do Brent com vencimento em dezembro, referência internacional e base da política de preços da estatal, terminou praticamente estável, com leve recuo de 0,06%, a US$ 102,25 o barril, na ICE (Intercontinental Exchange), em Londres.
O combustível do rali foi outro. Os investidores reagiram a uma
nova descoberta no poço Morpho, localizado na Margem Equatorial, a 175 quilômetros da costa do Amapá. O achado anterior na região havia sido comunicado em meados de agosto.
Identificado como 1-BRSA-1405-APS, o poço está situado em águas ultraprofundas da bacia da Foz do Amazonas, com lâmina d'água de 2.886 metros, que corresponde à profundidade do mar no ponto da operação.
Magda Chambriard fala em nova fronteira e prevê mais três poços em 2027
De acordo com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a perfuração do poço foi concluída, e a operação avança agora para a fase de manobras e procedimentos de saída, que envolvem testes e atividades pós-perfuração, como a perfilagem e a retirada da coluna.
"Vamos perfurar mais três poços para delimitar a descoberta, isso deve ser no primeiro trimestre de 2027. Em se confirmando as nossas expectativas, como elas vêm sendo confirmadas, não podemos garantir, mas tudo indica que realmente estamos abrindo uma nova fronteira exploratória", afirmou a executiva em entrevista coletiva na sede da companhia, no Rio de Janeiro.
Ela também comparou a qualidade do material encontrado com a de outras áreas do país. "Óleo da Margem Equatorial pode não ser melhor só do que o óleo de Urucu, no Amazonas", disse.
A desmobilização da estrutura está prevista para o fim de outubro, com os trabalhos estimados até o encerramento do mês.
Magda lembrou ainda que os detalhes técnicos do poço, como a profundidade dos indícios, as características da rocha e as espessuras encontradas, permanecem sob confidencialidade. Pelas regras do setor, o operador pode manter esses dados em sigilo por até dois anos, o que funciona como vantagem competitiva para quem perfura primeiro uma área exploratória.
Ativa vê caminho longo até o primeiro óleo
Na leitura da Ativa Investimentos, a notícia reforça de forma incremental a tese de longo prazo da estatal, mas não altera as estimativas de curto prazo. "Neste estágio, não vemos base para incorporar volumes da Margem Equatorial ao valuation. O potencial segue como opcionalidade não precificada", destacam os analistas.
A casa ressalta que a estrada até a comercialidade é extensa. A Petrobras ainda precisa cumprir ao menos sete etapas, entre elas a conclusão do poço, a apresentação do Plano de Avaliação de Descoberta (PAD) à ANP, a perfuração dos poços de delimitação Manga, Crotalus e Morpho Extensão, já autorizados pelo Ibama, um eventual teste de formação, a Declaração de Comercialidade, o Plano de Desenvolvimento e a decisão final de investimento (FID).
Em fronteiras de águas ultraprofundas, o intervalo entre a descoberta e a primeira produção costuma variar de 5 a 10 anos. O campo de Liza, na Guiana, que levou cerca de 4 a 5 anos, é considerado a referência mais acelerada desse tipo de desenvolvimento.
📊 A Ativa também chama atenção para o risco jurídico e ambiental do projeto. "O processo teve histórico de tensão com o Ibama, a região é socioambientalmente sensível e há risco de judicialização. Cada nova etapa (delimitação, TLD, desenvolvimento) exige novo licenciamento", afirmam os analistas.