Quaest aperta a disputa, IBOV perde 209 mil pontos e dólar volta a subir

A pesquisa da Quaest mostrou diferença de apenas 1 ponto entre Flávio e Lula, e o índice virou para queda de 0,86%.

Publicado em 21/10/2026 às 18:03h - Atualizado em 21/10/2026 às 18:10h Publicado em 21/10/2026 às 18:03h Atualizado em 21/10/2026 às 18:10h por Matheus Silva
A rejeição a Flávio chegou a 52%, contra 47% de Lula (Imagem: Shutterstock)
A rejeição a Flávio chegou a 52%, contra 47% de Lula (Imagem: Shutterstock)
📉 O Ibovespa (IBOV) começou a quarta-feira (21) com otimismo e flertou com os 209 mil pontos, mas acabou virando e fechou em queda de -0,86%, aos 206.495 pontos, perda de 1.800,75 pontos. 
O índice oscilou entre a máxima de 209.244,71 pontos e a mínima de 205.988,00 pontos, com volume financeiro de R$ 37,10 bilhões.
A virada veio, mais uma vez, pelo trade eleitoral. A nova pesquisa Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto, contra 44% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com margem de erro de dois pontos percentuais. Na semana anterior, a diferença entre os dois era de 2 pontos, e agora caiu para 1 ponto.
Outro dado do levantamento azedou ainda mais o humor do mercado. A rejeição a Flávio chegou a 52%, enquanto a de Lula ficou em 47%, recuo de seis pontos percentuais em uma semana. Em outras palavras, o candidato preferido pelos investidores passou a ser o mais rejeitado pelo eleitorado.
No câmbio, o dólar comercial virou para alta e encerrou com avanço de +0,17%, a R$ 5,027, interrompendo três quedas seguidas. O movimento foi na contramão do exterior, já que o DXY recuou -0,01%, aos 101,70 pontos.
Os juros futuros também chegaram a trocar de sinal após a pesquisa, mas se recuperaram e fecharam com baixas por toda a curva.

Mercado opera cauteloso com a bolsa

A cautela dominou o pregão justamente porque boa parte do otimismo já está nos preços. "Hoje o dia é de cautela. A eleição está a quatro dias e o mercado vai reagir a cada nova pesquisa", afirmou João Debom, sócio da Supernova Investimentos. 
Vale lembrar que, há duas semanas, o Ibovespa rompeu pela primeira vez a barreira dos 200 mil pontos, impulsionado pela vantagem de Flávio no primeiro turno, e chegou a 209,7 mil pontos em 9 de outubro, sua máxima histórica.
Mesmo com a queda desta quarta, o saldo segue positivo. Na semana, o índice acumula alta de 0,52%, em outubro sobe 10,82% e no ano avança 28,16%.

WEG decepciona nas margens e despenca 7,34%

A temporada de balanços do terceiro trimestre começou no Brasil, e a primeira grande companhia a divulgar seus números foi a WEG (WEGE3). 
O lucro líquido somou R$ 1,67 bilhão, abaixo da expectativa de R$ 1,71 bilhão apontada por pesquisa da LSEG, e o Ebitda atingiu R$ 2,345 bilhões. Os resultados decepcionaram nas margens e expuseram pressão de custos, levando a ação a desabar 7,34%, a R$ 45,21.
O Bradesco BBI, porém, fez uma leitura mais branda. O banco considerou os números ligeiramente positivos, destacando que a receita veio 1% acima de suas estimativas e que as margens se mostraram resilientes mesmo diante de fatores adversos simultâneos. O banco mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 62.

Vale cai 2,15% e Petrobras recua

A Vale (VALE3) foi um dos destaques negativos, com queda de -2,15%, dando sequência às perdas dos pregões recentes. 
O UBS BB reduziu o preço-alvo da mineradora e apontou que ainda é cedo para apostar no fim da queda, citando risco de frustração na produção e pressão persistente do minério de ferro com o avanço da oferta global.
A Petrobras (PETR4) também não acompanhou seu próprio bom momento. No mesmo dia em que um levantamento mostrou a estatal liderando a valorização entre as gigantes globais do petróleo em outubro, a ação recuou -0,79%, fechando na mínima do dia.
Entre os bancos, o movimento foi misto. O Bradesco (BBDC4) caiu -0,15%, depois de renovar máxima histórica em R$ 22,67, e divulga seu balanço nesta quinta-feira, após o fechamento. 
O Banco do Brasil (BBAS3) perdeu -0,41%, enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) subiu +0,20% e o Santander (SANB11) avançou +0,94%. A Embraer (EMBJ3), que vem sofrendo com a volatilidade, ganhou +1,11%.

Hapvida lidera as perdas com tombo de 8,48%

O desempenho negativo se espalhou pela maioria dos papéis. A Hapvida (HAPV3) foi a maior baixa do índice, com queda de -8,48%, a R$ 8,74. Em seguida apareceram WEG, com -7,34%, Cogna (COGN3), com -7,08%, Marcopolo (POMO4), com -5,45%, e Azzas 2154 (AZZA3), com -5,04%.
No varejo, o Magazine Luiza (MGLU3) devolveu parte dos ganhos recentes e caiu -3,98%, sendo a ação mais negociada do dia. O GPA (PCAR3) recuou -2,56%, mesmo com a homologação de seu plano de recuperação extrajudicial pela Justiça.
Na ponta positiva, a Totvs (TOTS3) liderou com alta de +2,78%, a R$ 43,24, seguida por TIM (TIMS3), com +1,73%, MBRF (MBRF3), com +1,46%, Vivo (VIVT3), com +1,40%, e Embraer, com +1,11%.
O índice de Small Caps (SMLL) caiu -1,32%, aos 2.769,53 pontos, e o IFIX, de fundos imobiliários, ficou praticamente estável, com baixa de -0,02%, aos 3.975,33 pontos. O índice de volatilidade da bolsa brasileira, o VXBR, disparou +11,72% durante o dia, refletindo a tensão da reta final eleitoral.

Wall Street sobe com balanços e SpaceX no comando

Enquanto o Brasil azedava, Nova York ia na direção oposta. Os três principais índices americanos fecharam com ganhos consistentes, impulsionados pela temporada de balanços do terceiro trimestre. 
O Dow Jones subiu +0,69%, aos 52.857,10 pontos, o S&P 500 avançou +0,59%, aos 7.757,71 pontos, e o Nasdaq ganhou +1,05%, aos 26.702,86 pontos.
A protagonista do dia foi a SpaceX (SPCX), cujos resultados sustentaram o apetite por ativos ligados à inteligência artificial, ao lado da Super Micro. Na direção contrária, as ações da Netflix (NFLX) caíram após projeções que ampliaram as preocupações com o crescimento da audiência e da receita.

Datafolha e debate na Globo fecham a reta final

A quinta-feira segue sem agenda relevante de indicadores, o que deve manter o trade eleitoral no comando. O destaque será a divulgação de nova pesquisa Datafolha, que adiciona mais emoção a uma disputa acirrada. 
📊 Na sexta-feira (23), Lula e Flávio se enfrentam no último debate antes da votação, promovido pela TV Globo. Restam apenas dois pregões antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.