Lula tem 1 chance em 4 de virar no 2º turno, calcula Eurasia; veja os 4 fatores

A Eurasia reduziu de 80% para 75% a chance de vitória de Flávio, mas avaliou que uma virada de Lula segue improvável.

Publicado em 19/10/2026 às 15:56h Publicado em 19/10/2026 às 15:56h por Matheus Silva
Lula precisaria de mais de 60% dos votos dos eliminados para virar, diz Eurasia (Imagem: Renato Pizzutto/Band)
Lula precisaria de mais de 60% dos votos dos eliminados para virar, diz Eurasia (Imagem: Renato Pizzutto/Band)
🚨 A consultoria de risco político Eurasia Group revisou para baixo as chances de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, marcado para o próximo domingo (25). 
A probabilidade atribuída ao candidato caiu de 80% para 75%. Mesmo com o ajuste, a consultoria mantém o senador como favorito para derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição.
A revisão consta de análise assinada por Christopher Garman, Raul Folino e Silvio Cascione. Segundo os analistas, a vantagem de Flávio diminuiu à medida que os modelos baseados em intenção de voto ganharam mais peso na projeção, mas a diferença de cerca de 3 pontos percentuais entre os candidatos, considerando os eleitores com maior probabilidade de ir às urnas, continua sendo vista como sólida. Antes, a distância estimada era de 5,4 pontos.
Na leitura da Eurasia, as promessas feitas por Lula na reta final da campanha, como o fim da escala 6x1, têm potencial para reduzir ainda mais a diferença nas pesquisas. 
A consultoria pondera, porém, que três fatores tornam uma virada pouco provável para o petista, um cenário de temas desfavorável ao presidente, a dificuldade de reduzir a abstenção no segundo turno e o ceticismo do eleitorado em relação às novas medidas.

Eurasia vê pesquisas superestimando a esquerda

Um dos pilares da análise é a forma como os institutos de pesquisa costumam errar. Segundo a consultoria, os levantamentos tendem a ser recalibrados depois do primeiro turno, o que melhora a precisão nas projeções para a etapa final da eleição.
"Em 2022, superestimaram a esquerda em 4,2 pontos no primeiro turno e em 1,7 ponto no segundo. Ainda assim, a maioria não considera adequadamente a abstenção, o que acaba por subestimar o voto conservador. A correção desse viés acrescenta 1 ponto à vantagem de Flávio, elevando-a para cerca de 3 pontos", afirma a Eurasia.
A consultoria observa ainda que as pesquisas recentes estão convergindo para a vantagem de cerca de 3 pontos que ela já havia projetado inicialmente. O cálculo levou em conta a diferença de 1,9 ponto obtida por Flávio no primeiro turno e a provável distribuição dos votos dos candidatos eliminados.
Na semana retrasada, quando as pesquisas mostravam o senador quase 5 pontos à frente, a Eurasia havia elevado as chances de vitória de Flávio de 70% para 80%. Agora, a consultoria avalia que aquele salto provavelmente foi influenciado pelo chamado efeito de favorecimento do vencedor, e que os levantamentos mais apertados podem representar apenas o retorno à vantagem esperada.

Três modelos sustentam a probabilidade de 75%

Para chegar às suas estimativas, a Eurasia utiliza três modelos de previsão eleitoral, baseados em índices de aprovação do governo, nos principais temas que preocupam os eleitores e na intenção de voto. Este último ganha peso conforme a votação se aproxima e é analisado de duas formas.
A primeira usa a base de dados do estatístico Nate Silver sobre eleições para o Senado americano, que relaciona as chances de vitória ao tamanho da vantagem e ao tempo restante até a votação. Por esse critério, Flávio teria 87% de chances com uma vantagem de 5,5 pontos a duas semanas do segundo turno, e 77% com uma diferença de 3 pontos a uma semana da eleição.
A segunda abordagem é um modelo estatístico de distribuição de probabilidades, que atribui ao senador 76% de chances de vitória com uma vantagem de 3 pontos. Combinadas, as duas leituras justificam a probabilidade de 75%. Segundo a consultoria, se a vantagem de Flávio se mantiver estável até o fim da semana, as chances do senador voltarão a ser elevadas.

Abstenção e temas da campanha pesam contra o presidente

A Eurasia aponta a abstenção como um dos principais entraves para Lula. O PT tem trabalhado para levar mais eleitores às urnas, mas a consultoria lembra que a abstenção raramente cai no segundo turno.
Para ser reeleito, o presidente precisaria conquistar mais de 60% dos votos dos candidatos eliminados no primeiro turno, cenário considerado improvável, ou convencer eleitores de Flávio a mudar de lado. Uma eventual abstenção maior entre os apoiadores do senador também não seria suficiente para reverter o resultado, segundo a análise.
Os temas que dominam a preocupação do eleitorado também jogam contra o presidente. A consultoria observa que, nos casos em que uma vantagem do primeiro turno foi revertida ou quase revertida, o ambiente de temas favorecia quem conseguiu a virada.
"Lula está em desvantagem em segurança e em corrupção, e pesquisas qualitativas indicam que a classe média se sente estagnada. A Eurasia Group subestimou a precisão desses modelos na previsão do voto no primeiro turno, e esse cenário prejudica o incumbente no segundo turno", afirmam os analistas.

Os quatro caminhos que podem dar a virada a Lula

Apesar do cenário adverso, a Eurasia atribui a Lula 25% de chances de vitória e identifica quatro fatores capazes de impulsionar uma reação.
O primeiro são os debates, vistos como a maior oportunidade do presidente. A consultoria, no entanto, avalia que eles tendem a evidenciar a diferença de idade entre os candidatos. "Flávio é disciplinado e precisa apenas manter o foco na mensagem e nas dores dos eleitores. 
Lula precisa que Flávio tenha um desempenho muito ruim para sair na frente", diz a análise. Os dois se enfrentaram no domingo (18), na TV Band, e voltam a se encontrar na sexta-feira (23), na TV Globo.
O segundo fator são os ataques negativos. Segundo a Eurasia, o PT tem conseguido algum êxito ao associar Flávio às milícias do Rio de Janeiro e ao medo de perda de benefícios sociais, o que ajuda a reduzir a diferença nas pesquisas, mas sem elevar de forma significativa a rejeição ao senador. A consultoria considera improvável o surgimento de novas revelações contra o candidato do PL.
O terceiro ponto são os anúncios recentes do governo, como a tarifa zero no transporte público aos fins de semana, os benefícios para pequenos empreendedores e a aprovação do fim da escala 6x1. Pesquisas qualitativas, porém, indicam que os eleitores percebem a motivação dessas medidas. "É improvável que revertam a disputa, mas podem acirrá-la ainda mais", afirma a Eurasia.
O último fator é a qualidade da campanha. Para a consultoria, Lula precisa reunir segurança pública e custo de vida em uma mesma mensagem. No primeiro turno, a avaliação é de que o presidente não conseguiu responder ao sentimento de estagnação do eleitorado, embora sua campanha tenha melhorado na reta final.
📊 A revisão da Eurasia chega em um momento em que os levantamentos seguem mostrando equilíbrio. Pesquisa Futura divulgada nesta segunda-feira (19) apontou Flávio com 48,3% e Lula com 47,5%, em empate técnico, mesmo cenário registrado pela pesquisa BTG Pactual/Nexus.