Prévia do PIB, IBC-Br sobe 0,60% em fevereiro

Esta foi a quinta alta mensal consecutiva do índice, segundo dados revisados.

Publicado em 16/04/2026 às 10:37h Publicado em 16/04/2026 às 10:37h por Elanny Vlaxio
Em 12 meses até fevereiro a alta é de 1,9% (Imagem: Shutterstock)
Em 12 meses até fevereiro a alta é de 1,9% (Imagem: Shutterstock)
O Banco Central do Brasil informou que o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) registrou alta de 0,6% em fevereiro na comparação com o mês anterior, considerando os dados com ajuste sazonal.
Apesar do avanço, o resultado indica desaceleração frente a janeiro, quando o indicador havia subido 0,86%. Ainda assim, esta foi a quinta alta mensal consecutiva do índice, segundo dados revisados.
Na análise por setores, o desempenho em fevereiro foi puxado principalmente pela indústria, que cresceu 1,2%. Já a agropecuária avançou 0,2%, enquanto o setor de serviços teve alta de 0,3%. Na comparação com fevereiro do ano passado, o IBC-Br apresentou queda de 0,3%. 
Já no acumulado de 2025 até o mês, o indicador registra avanço de 0,4%, enquanto em 12 meses até fevereiro a alta é de 1,9%. Nesses casos, os dados são calculados sem ajuste sazonal. Considerado uma espécie de prévia do PIB (Produto Interno Bruto), o IBC-Br possui metodologia distinta da adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 
Lembrando que o indicador do Banco Central incorpora estimativas para agropecuária, indústria, serviços e impostos, mas não contempla o lado da demanda, presente no cálculo oficial do PIB. O índice é uma das ferramentas utilizadas pelo Banco Central para auxiliar na definição da taxa básica de juros do país.

O que dizem os analistas

Segundo Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, o IBC-Br apresentou desempenho acima do esperado na comparação mensal, com alta de 0,6% em fevereiro, superando as projeções do mercado. “É o quinto mês seguido de crescimento, sinal de resiliência da atividade, mesmo com juros elevados”, afirmou.
Para o especialista, o resultado indica que a economia brasileira ainda mantém tração, especialmente impulsionada pelo setor industrial. “Isso mostra que a atividade econômica brasileira ainda tem tração, principalmente puxada pela indústria”, disse.
Apesar disso, Spyer ressalta que, na comparação anual, o indicador apresentou desempenho mais fraco do que o esperado. “Mas, ao mesmo tempo, na comparação com o mesmo mês do ano passado, o indicador caiu mais do que o esperado (-0,27% ante -0,05%), e isso tem muito a ver com fatores de calendário, como dois dias úteis a menos, e com a própria estratégia do Banco Central de esfriar a economia para controlar a inflação”, explicou.
Na avaliação do economista, o dado reforça um cenário intermediário para o mercado. “Para o mercado financeiro, esse dado reforça um cenário de atividade ainda sólida, porém sem pressão explosiva sobre a inflação, o que mantém a discussão sobre corte de juros em aberto”, concluiu.
Já de acordo com Sara Paixão, analista de macroeconomia do escritório, o IBC-Br registrou queda de 0,3% na comparação anual, contrariando a expectativa do mercado, que projetava alta de 0,2%.
Segundo a analista, o recuo foi observado em todos os segmentos da economia. Ela explica que esse movimento está relacionado à desaceleração gradual da atividade econômica brasileira, que vinha crescendo em ritmo constante e acima do potencial ao longo do primeiro semestre do ano passado.
"Para esse primeiro semestre, espera-se que haja crescimento na atividade econômica brasileira, sustentado principalmente pelas medidas já divulgadas pelo Governo de apoio ao consumo. Porém, com desaceleração quando comparado ao crescimento do ano passado. Para o COPOM, a expectativa continua em um corte de 25 bps na próxima reunião", avaliou ainda.