O
PicPay (PICS) e o
BRB (BSLI4) são alvos de uma operação que apura um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento dos servidores do Distrito Federal nesta sexta-feira (19).
🚨 A operação foi deflagrada pelo MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) e cumpre mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Curitiba e em São Paulo, onde fica a sede do PicPay.
O que está em investigação?
Com a operação Juro Zero, o MPDFT apura um suposto esquema de descontos indevidos na folha de pagamentos dos servidores do Distrito Federal.
💸 Esses descontos teriam sido realizados como se fossem taxas bancárias para antecipação salarial, movimentando cerca de R$ 80 milhões entre 2024 e 2025.
Em nota, o PicPay negou irregularidades nas operações e disse que os valores eram antecipados sem cobrança, somente após a solicitação do cliente no aplicativo.
O banco digital disse ainda que seguirá colaborando com as autoridades competentes para esclarecer o ocorrido e mostrou-se confiante de que as investigações confirmarão a regularidade de sua atuação. Veja a íntegra da nota abaixo.
A investigação ainda não afeta as ações do
PicPay, que estreou na Nasdaq no início deste ano, pois as bolsas americanas estão fechadas nesta sexta-feira (19), em razão do feriado Juneteenth.
Já o BRB opera de forma mista na B3, com as ações ordinárias caindo e as preferenciais subindo.
Em nota, o Banco de Brasília disse que não possui contrato com o PicPay e apenas operacionaliza os descontos na folha de pagamentos dos servidores do Distrito Federal.
"A instituição não tem nenhuma responsabilidade direta na concessão dos empréstimos de terceiros, não participa da contratação das operações nem é responsável pela definição ou execução dos descontos realizados", afirmou.
Os alvos do MPDFT
O BRB disse ainda que as apurações focaram especialmente na atuação da BRB Serviços e ressaltou que a empresa possui atribuições e CNPJ apartados do banco, apesar de integrar o seu conglomerado.
A Secretaria de Economia do Distrito Federal também foi alvo das buscas, mas observou que a investigação mira a conduta de alguns agentes públicos e não a atuação institucional da pasta.
A secretaria disse ainda que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação, garantindo acesso às instalações e prestando todo o apoio necessário para o cumprimento das diligências e a coleta dos materiais solicitados.
De acordo com o "G1", a operação mira sobretudo o ex-secretário de Economia do Distrito Federal, Ney Ferraz; o ex-presidente do BRB
Paulo Henrique Costa, que já está preso devido ao envolvimento no
Banco Master; e o CEO do PicPay, Eduardo Chedid, que já foi indiciado pela CPMI dos Descontos Indevidos do INSS.
Confira o posicionamento do PicPay na íntegra:
"O PicPay reafirma seu compromisso com a estrita observância da legislação e da regulamentação aplicáveis aos setores financeiro e de meios de pagamento.
A companhia não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida. Seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes, submetidos a rigorosos mecanismos de controle e supervisão.
O valor antecipado era disponibilizado diretamente no cartão do cliente, mediante solicitação realizada no aplicativo, sem intermediários ou associações, e sem cobrança nessa modalidade.
O PicPay mantém uma sólida estrutura de governança corporativa, gestão de riscos e compliance, alinhada às melhores práticas de mercado e aos mais elevados padrões regulatórios.
A empresa seguirá colaborando plenamente com as autoridades competentes e está confiante de que quaisquer esclarecimentos necessários confirmarão a regularidade de sua atuação."
Veja também a nota do BRB:
“O Banco BRB informa que não possui contrato com a PicPay.
Em relação à realização dos descontos em folha de pagamento de servidores do Governo do Distrito Federal, no contexto da operação realizada na manhã de hoje (19), a atuação do BRB está restrita à operacionalização dos descontos. A instituição não tem nenhuma responsabilidade direta na concessão dos empréstimos de terceiros, não participa da contratação das operações nem é responsável pela definição ou execução dos descontos realizados.
Destaca, ainda, que as apurações estão direcionadas à atuação da BRB Serviços, empresa que integra o Conglomerado mas possui atribuições e CNPJ apartados do Banco, cuja atuação está relacionada à gestão de plataforma tecnológica destinada exclusivamente à operacionalização de descontos em folha.
O Banco segue colaborando com as autoridades competentes para os esclarecimentos necessários e para a apuração de irregularidades.
Por fim, o BRB reforça seu compromisso com a transparência e a integridade ao tempo em que reafirma a solidez das suas operações”.