Ibovespa tem a pior semana em seis anos e cai 18% após o 2º turno

Na quinta queda seguida, o índice recuou 0,75%, aos 167.921 pontos, e fechou a semana com perda de 18%, a pior desde março de 2020.

Publicado em 30/10/2026 às 18:33h - Atualizado em 30/10/2026 às 18:46h Publicado em 30/10/2026 às 18:33h Atualizado em 30/10/2026 às 18:46h por Matheus Silva
O dólar fechou a R$ 5,44, maior valor desde 30 de dezembro de 2025 (Imagem: Shutterstock)
O dólar fechou a R$ 5,44, maior valor desde 30 de dezembro de 2025 (Imagem: Shutterstock)
📉 A primeira semana após o segundo turno terminou com o pior desempenho da bolsa brasileira em seis anos.
Nesta sexta-feira (30), o Ibovespa (IBOV) emendou a quinta queda consecutiva e fechou em baixa de 0,75%, aos 167.921,80 pontos, pressionado pela deterioração das expectativas sobre a trajetória dos juros e pela espera por definições do plano econômico do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 
Durante o pregão, o índice oscilou entre a máxima de 169.184,60 pontos e a mínima de 167.007,57 pontos.
No acumulado da semana, a queda chegou a 18,12%, o pior resultado semanal desde março de 2020, no auge do choque da pandemia. Em outubro, o recuo foi de 9,88%, a maior perda mensal desde junho de 2022. 
O tombo apagou boa parte do rali eleitoral que havia levado o índice à máxima histórica de 209.713 pontos no início do mês.

Dólar sobe a R$ 5,44 e acumula alta de 9% na semana

No câmbio, o movimento foi inverso. O dólar à vista encerrou o dia cotado a R$ 5,4443, com alta de 1,05%, no maior valor de fechamento desde 30 de dezembro de 2025. Na semana, a moeda americana disparou cerca de 9%.
Além da maior aversão a risco, o avanço desta sexta foi influenciado pela disputa em torno da formação da Ptax de fim de mês, taxa de referência calculada pelo Banco Central e usada em contratos no mercado financeiro. 
Os juros futuros também abriram o dia em alta por toda a curva, com os vértices mais longos superando 15%.
No cenário doméstico, o IBGE informou que a taxa de desemprego ficou em 5,2% no trimestre encerrado em setembro, em linha com o esperado. 
O dado, porém, teve pouca influência diante do tema que domina o mercado, a expectativa sobre a condução da política fiscal e a composição da equipe econômica do novo mandato.
O ambiente político também seguiu no radar, com os desdobramentos da saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Miami, em descumprimento a decisão do STF.

Vale decepciona com lucro 53% menor

A temporada de balanços adicionou mais pressão. Na véspera, a Vale (VALE3) reportou lucro líquido de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre, queda de 53% em um ano, afetada por preços realizados de minério mais baixos e por pressões de custo ligadas à valorização do real e ao aumento das despesas com frete e combustível.
O Ebitda pro forma somou US$ 3,508 bilhões, recuo de 14% no trimestre e de 20% em um ano, em linha com a estimativa do Itaú BBA. 
Segundo o banco, o resultado de metais ferrosos veio praticamente como previsto, com vendas mais fortes compensadas por preços realizados mais fracos e frete mais caro, enquanto a divisão de metais preciosos superou a projeção, impulsionada pela alta do cobre. O fluxo de caixa livre recorrente ficou em US$ 1,37 bilhão.
Pela manhã, a Usiminas (USIM5) reverteu prejuízo e lucrou R$ 243 milhões, mas o número ficou abaixo dos R$ 300,11 milhões esperados pelo consenso IBES. O Ebitda ajustado também decepcionou, em R$ 558 milhões, ante projeção de R$ 659,3 milhões.

CSN fecha acordo de exclusividade com a Huaxin por R$ 12,7 bi

Entre as notícias corporativas, a CSN (CSNA3) informou que celebrou acordo de exclusividade com a Huaxin Building Materials Group para assinar os documentos definitivos da venda de ações da CSN Cimentos, em operação com enterprise value de R$ 12,7 bilhões. O prazo é de dez dias, e a companhia espera concluir a assinatura em poucos dias. 
Segundo a CSN, a chinesa apresentou a proposta mais vantajosa no processo competitivo iniciado em março de 2026.
Também movimentaram o dia a conversão, pela Shell, de 1,23 bilhão de ações ordinárias em preferenciais da Raízen (RAIZ4), e a confirmação, pela Telefônica Brasil (VIVT3), de negociações preliminares com acionistas da Vero.

Nasdaq cai com Amazon e Intel, e roubo na Binance abala as criptos

No exterior, o clima foi de aversão a risco. Os futuros de Nova York recuaram com destaque para a queda do Nasdaq, após resultados abaixo das expectativas de Amazon (AMAZN) e Intel (INTC) reforçarem a cautela com o setor de tecnologia e com os gastos em inteligência artificial. As ações da Amazon caíram 6% no after-market, e as da Intel recuaram 21%.
O mercado de criptomoedas também sofreu. A Binance confirmou um ataque hacker de cerca de US$ 6,3 bilhões, apontado como o maior roubo de criptoativos já registrado, e suspendeu saques. Cerca de metade dos ativos foi congelada com a ajuda de emissoras de stablecoins como Tether e Circle. 
A cofundadora Yi He afirmou que os fundos dos usuários estão seguros e que a corretora cobrirá todas as perdas.

Petróleo sobe com ataques no Oriente Médio

Nas commodities, o petróleo avançou com as preocupações de oferta, após os houthis do Iêmen intensificarem ataques contra a Arábia Saudita, e caminhava para o quarto mês seguido de ganhos. 
📊 O Brent subia mais de 2%, perto de US$ 117 o barril, e o WTI operava acima de US$ 104. O minério de ferro negociado em Dalian recuou mais de 1%, pressionado pelo aumento dos estoques portuários e pelas margens fracas das usinas chinesas.

Maiores altas

Maiores baixas