"Hora de comprar": CEO da Petrobras reage à ressaca eleitoral e CVM pede explicação

CVM pediu esclarecimentos sobre a "eventual recomendação de compra" de Magda Chambriard.

Publicado em 28/10/2026 às 09:34h Publicado em 28/10/2026 às 09:34h por Marina Barbosa
Magda Chambriard chamou de "movimento especulativo" a queda das ações da Petrobras após as eleições (Imagem: Divulgação)
Magda Chambriard chamou de "movimento especulativo" a queda das ações da Petrobras após as eleições (Imagem: Divulgação)
A CEO da Petrobras (PETR4), Magda Chambriard, minimizou a queda das ações da empresa após o segundo turno das eleições de 2026. Porém, a estatal acabou tendo que prestar esclarecimentos por isso.
🗣️ Em entrevista concedida à "Reuters" na segunda-feira (26), Magda Chambriard classificou o tombo dos papeis como um "movimento especulativo" que não refletia os fundamentos da empresa.
Destacando a solidez e a carteira de investimentos da empresa, ela disse ainda que a estatal não se deixaria influenciar por movimentos de curto prazo do mercado. E emendou: "A hora é de comprar (ações). Infelizmente não posso".
A declaração, no entanto, fez com que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) cobrasse esclarecimentos da Petrobras, para entender por que a "eventual recomendação de compra de ações" não foi alvo de um comunicado formal da empresa. A resposta veio na noite dessa terça-feira (27), em um comunicado ao mercado.

A resposta da Petrobras

🧾 Segundo a Petrobras, Magda Chambriard manifestou sua percepção de que a queda das ações não refletia, naquele momento, os fundamentos da companhia. E, para justificar essa avaliação, fez referência a dados que já haviam sido amplamente divulgados ao mercado, como a solidez e a carteira de investimentos da Petrobras.
"A afirmação da Presidente sobre a aquisição de ações foi feita de forma geral, no curso de comentário circunstancial sobre a movimentação do mercado como um todo, e buscou expressar a manutenção dos fundamentos da Companhia, verificada a partir de informações já públicas", afirmou.
A estatal disse ainda que "as declarações limitaram-se a comentários sobre a conjuntura e a movimentação do mercado, sem comunicação de fatos novos ou materiais". Por isso, o entendimento de que não era preciso divulgar um fato relevante a respeito disso.
"A entrevista não envolveu a divulgação de decisão, alteração de estratégia, projeção, resultado, operação ou qualquer outra informação nova e material relacionada aos negócios da Petrobras", afirmou a estatal, garantindo o compromisso com a transparência e o cumprimento das regras da CVM.

"Forte volatilidade"

📉 Na resposta à CVM, a Petrobras destacou ainda que Magda falou sobre o assunto "em um contexto marcado por forte volatilidade circunstancial no mercado de capitais brasileiro, que afetou de forma generalizada os valores mobiliários de companhias listadas na B3".
O Ibovespa afundou 13,88% na segunda-feira (26), com o mercado reagindo à reeleição de Lula (PT). Foi o pior desempenho diário do índice desde março de 2020, na pandemia de covid-19.
No caso da Petrobras, as ações preferenciais perderam 8,18% e as ordinárias recuaram 6,81%. Porém, outras ações do Ibovespa chegaram a cair mais de 50% no pregão posterior ao segundo turno das eleições de 2026.
O mercado até tentou uma recuperação na terça-feira (27). Porém, as ações da Petrobras seguiram em queda devido ao recuo dos preços internacionais do petróleo, pesando sobre o Ibovespa, que voltou a fechar no vermelho.

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