Ibovespa (IBOV) sobe 1,2%, interrompe sequência de perdas e volta aos 174 mil pontos

Usiminas, CSN e Gerdau impulsionam a bolsa mesmo com tensões comerciais entre Brasil e EUA.

Publicado em 02/06/2026 às 17:49h Publicado em 02/06/2026 às 17:49h por Wesley Santana
Mesmo com perigo de tarifas, IBOV fechou com diferença positiva em relação à véspera (Imagem: Shuttestock)
Mesmo com perigo de tarifas, IBOV fechou com diferença positiva em relação à véspera (Imagem: Shuttestock)

Depois de vários pregões sucessivos de queda, o Ibovespa (IBOV) voltou a fechar o dia em alta. Nesta terça-feira (2), o principal indicador da bolsa de valores fechou com avanço de 1,2%, aos 174,3 mil pontos.

O resultado do índice veio mesmo com a notícia de que os Estados Unidos podem tarifar o Brasil em 25% sobre as importações. Além disso, também avançou mesmo com a principal ação do índice, a Petrobras (PETR4), recuando cerca de 0,7% no dia.

O principal destaque do dia foi a Usiminas (USIM5), que avançou mais de 9% e chegou ao patamar de R$ 12 na B3. Outras siderúrgicas acompanharam o mesmo ritmo, como a CSN (CSNA3) e a Gerdau (GGBR4), que avançaram 8,5% e 5,8%, respectivamente.

Leia mais: EUA voltam a criticar Pix e dizem que sistema favorece concorrência desleal

As empresas reagiram ao anúncio de que o aço terá uma tarifa de importação menor que outros produtos incluídos na lista da Casa Branca. O encargo passará dos atuais 25% para 15%, o que alegrou parte dos investidores.

Meliuz (CASH3) e Raízen (RAIZ4) disputaram a liderança da ponta negativa, caindo mais de 5% cada uma. A primeira reage ao desempenho do Bitcoin (BTC), que atingiu seu menor valor desde abril, enquanto a segunda ainda passa por correção em decorrência da sua reestruturação financeira.

Outros indicadores da B3 também terminaram o dia no campo verde, como é o caso do Índice Brasil 100 (IBrX 100), que subiu 1,2%. Já o Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) não conseguiu ter sucesso e terminou no zero a zero, com seus 3.860 pontos, ainda de acordo com dados da B3.

Dólar crava os R$ 5 de novo

Nos EUA, os indicadores de ações locais também fecharam em campos positivos, com destaque para NYSE que avançou 0,6%. Nasdaq cresceu 0,02%, S&P 500 se valorizou 0,13% e Dow Jones ganhou 0,45%.

A notícia vinda dos EUA também fortaleceu o real frente ao dólar norte-americano. Segundo o Banco Central, a divisa recuou 0,3% e voltou a terminar o dia cravada em R$ 5.

O mesmo aconteceu com o euro, que caiu na mesma proporção e passou a ser cotado em R$ 5,82. Entre os mercados emergentes, o peso argentino recuou 0,3% na comparação com o real.

O Bitcoin ampliou suas quedas das últimas semanas e chegou à casa de R$ 336,2 mil, de acordo com o monitor CoinMarketCap. Outras criptomoedas acompanharam o ritmo, fazendo com que o índice CoinDesk 20 também recuasse 5,3% e fosse negociado a 1.855 pontos.

Ainda não está claro quando as medidas de Trump devem entrar em vigor, mas o mercado já trabalha com o cenário de risco real sobre o assunto. Por isso, a bolsa e o mercado de câmbio devem passar por fortes oscilações nos próximos pregões, conforme avaliam os analistas.

“A leitura, por ora, é de que o episódio não é motivo para pânico e tende a fazer pouco preço no dia”, avalia Rachel de Sá, estrategista da XP Investimentos. No entanto, “mesmo com exceções relevantes, o mercado tende a reagir ao sinal de tensão institucional e comercial entre os dois países, porque isso afeta percepção de risco, fluxo estrangeiro, câmbio e prêmio exigido para investir no Brasil”, comenta Fábio Murad, Sócio e Fundador da Ipê Avaliações, em entrevista ao InfoMoney.