Governo Trump revoga visto de embaixadora do Brasil nos EUA

Episódio só acentua o desgaste nas relações diplomáticas entre os dois países.

Publicado em 04/08/2026 às 18:59h Publicado em 04/08/2026 às 18:59h por Lucas Simões
Por ora, a embaixadora brasileira poderá permanecer nos EUA (Imagem: Shutterstock)
Por ora, a embaixadora brasileira poderá permanecer nos EUA (Imagem: Shutterstock)
A embaixadora brasileira na capital dos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, teve o seu visto revogado pelo governo Donald Trump nesta terça-feira (6), conforme informação do Departamento de Estado.
Na justificativa do órgão americano, a penalidade à representação brasileira se deve à demora do Itamaraty em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA no Brasil.
Por ora, a embaixadora brasileira em Washington não será expulsa dos EUA e ainda poderá permanecer no país, ainda que sem o visto válido. O governo Trump condicionou o restabelecimento do visto à embaixadora brasileira ao aceito do Itamaraty na troca do embaixador americano em Brasília.
"Lamentamos a situação em que nos encontramos, mas deixamos muito claro que a reciprocidade é a regra do jogo. Se outro governo não permitir que realizemos nosso trabalho da maneira adequada, responderemos com medidas recíprocas", disse o Departamento de Estado, em comunicado.
A administração Trump também alega que as autoridades brasileiras sinalizaram que o aval diplomático só deve ser dado após as eleições presidenciais de outubro de 2026, e também não descarta a adoção de outras medidas.
O mais recente ruído diplomático só acentua a relação desgastada entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente americano Donald Trump, que já rendeu a aplicação de diversas taxações comerciais contra os produtos brasileiros destinados aos EUA. 
Vale mencionar que há 10 dias, o Itamaraty negou vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado que viajariam ao Brasil: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson, que foram apontados pelo jornal The Washington Post como conspiradores do sistema eleitoral brasileiro.