FII despenca 12% após inadimplência de ativos; queda é de 62% em 2026
Cartesia Recebíveis Imobiliários enfrenta crise após corte de dividendos e calote milionário em CRI.
Os cotistas do fundo imobiliário Cartesia Recebíveis Imobiliários (CACR11) reprovaram os balanços financeiros apresentados pela gestora na última segunda-feira (15). Os documentos têm como base o exercício de 2025.
O fundo vem passando por uma crise financeira, decorrente de operações de crédito que ocasionaram prejuízo. Os cotistas alegam que os critérios apresentados pela gestão para a exposição a ativos financeiros não eram claros.
A notícia complicou ainda mais os problemas do fundo, que já vem amargando fortes perdas na bolsa de valores. Apenas neste ano, as cotas apresentam queda de 70%, depois de saltarem de R$ 78 para R$ 23 desde janeiro.
Parte dos cotistas deixou o ativo depois do anúncio de que não pagaria dividendos nos meses seguintes. A estratégia adotada pela gestão era preservar o caixa para tentar conter os problemas com o recebimento de recursos oriundos de CRIs.
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“Apesar do resultado de R$ 1,24 por cota apurado pelo regime de caixa, a decisão de preservar recursos para aplicação nos projetos em andamento investidos pelo CACR11 tem como finalidade assegurar a continuidade das obras financiadas, bem como preservar o valor das garantias vinculadas a cada operação, visando à integralidade e ao retorno do principal investido”, destacaram os gestores.
No mês passado, o FII anunciou a contratação de um auditor independente para revisar as informações financeiras. O especialista havia sido contratado um mês antes, mas isso só se tornou público em maio.
Enquanto alguns fundos tentam conter crises internas, o Índice de Fundos Imobiliários sente um pouco o peso disso. Nesta terça-feira (16), o IFIX opera com baixa de 0,1% na B3, aos 3,8 mil pontos.
Nos quatro primeiros meses do ano, o indicador operou no campo positivo, mas depois perdeu força. Agora, no acumulado do ano, a valorização continua no azul, mas com pouca variação, de apenas 1,3%, de acordo com dados da B3.
Neste mesmo intervalo, o Ibovespa (IBOV), que repercute o mercado acionário, entrega 5,7% aos investidores. É importante destacar, porém, que, em determinados momentos do primeiro semestre, o indicador chegou a trabalhar com alta de 25%.
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