Crise do STF: Ministros trocam farpas e julgamento sobre André Mendonça é adiado

A sessão que vai decidir o futuro de Mendonça deve ser realizada após o julgamento de Moraes.

Publicado em 17/09/2026 às 15:50h Publicado em 17/09/2026 às 15:50h por Marina Barbosa
André Mendonça foi acusado por Moraes de conduzir o caso Master de maneira indevida (Imagem: Rosinei Coutinho/STF)
André Mendonça foi acusado por Moraes de conduzir o caso Master de maneira indevida (Imagem: Rosinei Coutinho/STF)
A crise do STF (Supremo Tribunal Federal) voltou a escalar nesta quinta-feira (17), com novas trocas de acusações entre os ministros e o adiamento da sessão que poderia levar à abertura de uma investigação contra André Mendonça.
🏦 André Mendonça é relator do processo que investiga o esquema de fraudes e conexões políticas do Banco Master no STF. Por isso, foi responsável por tornar público o relatório da PF (Polícia Federal) que revelou trocas de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro.
O episódio levou a um pedido de investigação contra Moraes, que reagiu e acusou Mendonça de conduzir o processo de maneira indevida.
Moraes alega que Mendonça direcionou as investigações de acordo com motivos pessoais e políticos. Por isso, pediu que o colega fosse investigado por improbidade administrativa, abuso de autoridade e crimes de responsabilidade.
⚖️ Para tentar aplacar a crise, o presidente do STF marcou uma sessão para julgar o pedido de investigação contra Moraes e outra para avaliar a situação de Mendonça. 
A primeira sessão começou na última terça-feira (15) e foi marcada por discussões entre os ministros, além do pedido de Gilmar Mendes para que os processos contra Moraes e Mendonça fossem analisados de forma conjunta.
Por isso, o ministro Flávio Dino acabou pedindo vista. Ou seja, interrompendo a sessão por um prazo de até 90 dias para ter mais tempo de analisar o processo. 
Diante da dúvida sobre a melhor forma de conduzir os processos, Fachin decidiu cancelar a sessão que trataria da situação de Mendonça e estava marcada para a próxima quarta-feira (23).

Gilmar compara Mendonça a Moro e Dallagnol

🗣️ A decisão de Fachin foi publicada pouco depois de uma nova troca de farpas entre os ministros do STF.
Gilmar Mendes publicou um longo texto nas redes sociais acusando André Mendonça de querer "lucrar politicamente" com o processo do Master, por meio de "vazamento seletivo" de informações.
Citando o vazamento de mensagens de Vorcaro que mencionam o procurador-geral da República, Paulo Gonet, Gilmar chegou a comparar a atuação de Mendonça neste processo à de Deltan Dallagnol e Sergio Moro na Operação Lava Jato.
"Como na Lava Jato, a hora nunca é ao acaso. Lá, sigilos caíam a poucas semanas das eleições. Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método", escreveu.
Pouco depois, Mendonça emitiu uma nota rebatendo as acusações de Gilmar e dizendo que todo esse episódio demonstra a urgência da aprovação de um código de ética para o STF.
Segundo a nota, a decisão de retirar o sigilo do caso Master não partiu de Mendonça, "mas de quem hoje se diz indignado com a publicidade dos autos".
O ministro disse ainda que não teve "complacência com vazamentos" e que jamais "transformou o plenário num palanque ou picadeiro, vociferando aos berros, para tentar mascarar com truculência ilações vazias e que carecem de qualquer fundamento jurídico minimamente aceitável".