Filme sobre Jair Bolsonaro perde sigilo de investigação pelo ministro Flávio Dino

O material revelado ao público expõe possível desvio de emendas parlamentares à produção cinematográfica "Dark Horse".

Publicado em 13/09/2026 às 12:24h Publicado em 13/09/2026 às 12:24h por Lucas Simões
Quebra do sigilo no caso Dark Horse aumenta as atenções para o STF (Imagem: Divulgação)
Quebra do sigilo no caso Dark Horse aumenta as atenções para o STF (Imagem: Divulgação)
A produção do filme "Dark Horse", sobre a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, perdeu o sigilo de suas investigações por vontade do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), relator do caso que apura supostos desvios de dinheiro público para o documentário.
Conforme o despacho assinado pelo ministro neste domingo (13), existe uma espécie de "viragem jurisprudencial em curso" à qual deve se adaptar. Há indícios de uma sofisticação no esquema que pode ter desviado emendas parlamentares e ainda com elos à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
O caso nas mãos do ministro Flávio Dino investiga suposta participação do deputado Mario Frias (PL/São Paulo), aliado da família Bolsonaro e um dos responsáveis pelo filme Dark Horse, nos desvios de dinheiro público. A quebra de sigilo revela que o parlamentar teria ocupado papel de liderança na suposta arquitetura criminosa.
Com mais um episódio que atrai ainda mais atenção para o STF, o ministro Flávio Dino deixou indiretas em seu despacho contra o ministro André Mendonça, responsável por retirar o sigilo do relatório sobre investigações do Banco Master, o qual escancarou conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
"Estou a zelar pela igualdade de todos perante a lei, já que todos os mencionados nos mesmos autos ou em autos paralelos, mas em idênticas situações, devem receber o mesmo tratamento, desde a abertura das investigações. Por exemplo, se proprietários de bancos, políticos ou magistrados figuram como suspeitos em um conjunto de procedimentos, todas as investigações devem ter marcha congruente, com ampla publicidade (nomes, dados financeiros, contas e fundos movimentados, conversas em WhatsApp, entre outros indícios)", dispara o ministro Flávio Dino, em despacho. 
Vale mencionar que, no próximo dia 15 de setembro (terça-feira), o plenário do STF, com seus dez ministros, apreciará o pedido de abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, justamente por conta de seus elos com o banqueiro Daniel Vorcaro, revelados a partir da quebra de sigilo. 
Na sequência, o presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, manteve o julgamento das ações do ministro André Mendonça para o próximo dia 23 de setembro (quarta-feira). Mendonça chegou a afastar do cargo o diretor-geral da Polícia Federal, mas Andrei Rodrigues foi reconduzido por intervenção do próprio ministro Flávio Dino.