Braskem (BRKM5) diz à Justiça que dívida de R$ 2,7 bi pode virar R$ 54 bi

A Braskem obteve cautelar na Justiça após alertar que uma dívida de R$ 2,7 bilhões poderia travar a empresa.

Publicado em 26/06/2026 às 21:38h Publicado em 26/06/2026 às 21:38h por Matheus Silva
A empresa argumentou que o desembolso comprometeria sua liquidez (Imagem: Shutterstock)
A empresa argumentou que o desembolso comprometeria sua liquidez (Imagem: Shutterstock)
⚗️ A Braskem (BRKM5) recorreu à Justiça e obteve proteção contra a cobrança de dívidas, em movimento que expõe a gravidade da crise financeira enfrentada pela petroquímica. 
Em comunicado enviado ao mercado, a companhia detalhou os termos do pedido, e as cifras envolvidas chamam atenção.
Segundo a empresa, caso fosse obrigada a pagar R$ 2,7 bilhões em dívidas com vencimento em julho, poderiam ser acionadas cláusulas de vencimento antecipado de aproximadamente R$ 54 bilhões em obrigações financeiras. A cobrança que motivou o pedido foi iniciada pelo Banco Safra.

Braskem diz que pagamento comprometeria despesas básicas

No documento, a Braskem argumenta que o desembolso comprometeria sua liquidez, deixando a companhia sem recursos para honrar despesas operacionais básicas e o pagamento de salários, o que inviabilizaria qualquer tentativa de reestruturação financeira. 
A empresa afirma que sua situação foi agravada por uma combinação de fatores, como o prolongado ciclo de baixa da indústria petroquímica global, o elevado passivo relacionado ao evento geológico de Alagoas e as incertezas provocadas pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
A medida concedida pela Justiça não é uma recuperação judicial. Trata-se de uma tutela cautelar que suspende, por 60 dias, cobranças e execuções de determinados credores, o que dá à empresa tempo para negociar uma reestruturação da dívida sem o risco imediato de execução por parte desses credores.

Ações acumulam queda de 50% desde maio

Nos últimos dias, a situação da Braskem, que já era delicada, piorou ainda mais. Na bolsa, as ações acumulam queda de cerca de 50% desde as máximas registradas em maio. 
Parte dessa desvalorização reflete o temor de que a companhia venha a pedir recuperação extrajudicial, conforme apurou o Pipeline, do Valor Econômico. 
Soma-se a isso a dificuldade em chegar a um acordo com os credores financeiros, fator que levou a empresa a recorrer à Justiça.
O anúncio elevou as preocupações do mercado em relação à liquidez da petroquímica e alimentou receios de que uma reestruturação financeira mais ampla possa ser necessária caso as negociações não avancem. 
As ações BRKM5 chegaram a despencar quase 15%, movimento intensificado após o Citi rebaixar a recomendação para venda.

Citi diz que tese "deixou de ser sustentável"

"Nossa tese anterior, de recomendação neutra, baseava-se na expectativa de uma recuperação cíclica do setor e de uma resolução clara sobre o controle acionário da empresa. No entanto, esse cenário deixou de ser sustentável", afirmou o Citi em relatório.
Na avaliação do banco, a perspectiva financeira da Braskem segue pressionada por spreads mais fracos e maior necessidade de capital de giro, o que deve resultar em fluxo de caixa livre negativo e ampliar a pressão sobre o balanço patrimonial. 
📊 Agora, investidores acompanham de perto as negociações com os credores, que devem definir os próximos passos da companhia.

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