O que a ata do Copom diz sobre o futuro da Selic?

A ata aponta para manutenção de juros altos, mas deixa porta aberta para novo corte da Selic.

Publicado em 11/08/2026 às 11:05h Publicado em 11/08/2026 às 11:05h por Marina Barbosa
Copom é formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central (Imagem: Shutterstock)
Copom é formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central (Imagem: Shutterstock)
O Copom (Comitê de Política Monetária) entende que é preciso manter juros elevados para assegurar a convergência da inflação à meta, mas manteve a porta aberta para novos cortes da Selic
🏦 É o que indica a ata da última reunião do Copom, que foi divulgada nesta terça-feira (11) e reforça o recado de que a magnitude do atual ciclo de cortes de juros dependerá do comportamento futuro da inflação e da economia brasileira.
Na ata, o Copom avalia que a política monetária tem contribuído "de forma determinante para o processo de desinflação" e também tem afetado cada vez mais a atividade econômica -uma referência clara à desaceleração da inflação e da economia vista nos últimos meses.
O comitê observa, porém, que a inflação permanece acima da meta e ainda é pressionada pela demanda, seja por causa da resiliência do mercado de trabalho ou dos estímulos fiscais. Por isso, diz que o cenário ainda exige uma política monetária restritiva. Ou seja, juros altos.
A ata do Copom também chama atenção para a "influência relevante" exercida por choques de oferta sobre a trajetória recente da inflação e a sua trajetória prospectiva. 
O mercado elevou as expectativas de inflação dos próximos anos, diante da alta dos preços do petróleo e do receio de que o El Niño prejudique a produção de alimentos e de energia. 
📊 O Comitê de Política Monetária monitora esse movimento e voltou a dizer que um ambiente de expectativas desancoradas, como o atual, exige "uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado". Porém, indicou que só vai reagir a tais choques de oferta caso de fato haja um impacto na inflação.
"O Copom avalia que não deve reagir aos efeitos primários de choques dessa natureza, mas que é necessário monitorar com atenção eventuais efeitos de segunda ordem, e reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem", afirmou.
A percepção é de que o contexto atual segue marcado por um elevado grau de incerteza e por riscos assimétricos na direção de alta dos preços.
Por isso, o Copom cortou a Selic de 14,25% para 14,00% ao ano na última quarta-feira (5), mas deixou em aberto o futuro dos juros, condicionando os próximos passos da política monetária à evolução dos dados de inflação e atividade econômica.
"A magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", afirma a ata do Copom.

O que diz o mercado?

Na avaliação da XP, o Copom reforçou a necessidade de "manter a restrição adequada" para evitar "eventuais efeitos de segunda ordem" dos atuais choques de oferta, sugerindo que "uma pausa para observar a evolução desses choques pode ser uma decisão adequada".
A XP acredita que "os atuais choques globais de oferta (energia, inteligência artificial e El Niño), a resiliência da demanda doméstica (impulsionada por medidas fiscais e parafiscais expansionistas) e as expectativas de inflação acima da meta ainda justificam uma pausa na calibragem da taxa de juros". 
Por isso, aposta na manutenção da Selic em 14,00% nas próximas reuniões do Copom, com os cortes de juros voltando apenas em 2027.
"Uma postura mais cautelosa contribuiria para evitar uma deterioração adicional das expectativas de inflação e garantir um ambiente mais favorável para um ciclo de flexibilização monetária mais consistente e sustentável ao longo do próximo ano", diz a XP.
A casa diz, porém, que essa pausa deixaria de fazer sentido caso a inflação e a atividade econômica desacelerassem mais rapidamente do que o esperado nos próximos meses, abrindo espaço para a continuidade do processo de cortes graduais da Selic nos próximos meses.
Este é o cenário previsto por casas como a Ativa Investimentos, que conta com cortes de 0,25 ponto percentual na Selic até o final de 2026, que levariam a taxa básica de juros para 13,25% ainda neste ano.
Já o consenso do mercado aponta para só mais um corte de juros em 2026. De acordo com o Boletim Focus, a expectativa é de que a Selic caia dos atuais 14,00% para 13,75% ao ano na próxima reunião do Copom, em setembro. Porém, permaneça neste patamar nas reuniões de novembro e dezembro, voltando a cair apenas em 2027.
Na avaliação da CEO da Magno Investimentos, Olívia Flôres de Brás, é um cenário que "preserva a atratividade da renda fixa pós-fixada e mantém enorme valor na gestão de liquidez enquanto a curva tenta descobrir a velocidade possível da flexibilização monetária".
"O Copom cortou 0,25 ponto, não cortou a preocupação. E juros menores não significam dinheiro barato quando 14% ainda é o preço da cautela", afirmou a especialista.