Bolsa perde quase uma Vale (VALE3) em valor de mercado em uma semana

A queda acelerou após o JPMorgan rebaixar as ações do país para neutro, alegando o fim dos cortes na Selic, eleições e crédito pior.

Publicado em 13/08/2026 às 19:01h Publicado em 13/08/2026 às 19:01h por Matheus Silva
Os estrangeiros retiraram R$ 7,2 bilhões da B3 até o dia 12 de agosto (Imagem: Shutterstock)
Os estrangeiros retiraram R$ 7,2 bilhões da B3 até o dia 12 de agosto (Imagem: Shutterstock)
📉 Em apenas sete pregões consecutivos de queda, as empresas listadas na B3 (B3SA3) perderam R$ 279 bilhões em valor de mercado entre 3 e 12 de agosto, segundo levantamento da Elos Ayta. 
O Ibovespa (IBOV) acumulou queda de 5,9% no período, recuando de 178.000,24 pontos para 167.491,07 pontos. Para ter dimensão do tamanho da perda: R$ 279 bilhões equivalem a cerca de 90% do valor de mercado da Vale (VALE3), terceira maior companhia do país, atualmente em torno de R$ 311 bilhões.
"A sequência de perdas ocorreu em um ambiente de maior cautela com os ativos brasileiros, marcado por preocupações com o cenário doméstico, incertezas relacionadas ao processo eleitoral e redução da exposição de investidores estrangeiros à Bolsa", afirma o levantamento da consultoria.

JPMorgan, eleições e saída de estrangeiros

O movimento ganhou força após o JPMorgan rebaixar a recomendação das ações brasileiras de compra para neutra, citando o fim do ciclo de cortes da Selic, o cenário eleitoral e a deterioração do crédito. 
Os estrangeiros retiraram R$ 7,2 bilhões da B3 em agosto até 12 de agosto, segundo dados divulgados nesta semana.
A pesquisa CNT/MDA divulgada na terça-feira (11) também contribuiu para o ambiente de incerteza, ao mostrar Lula com 48% das intenções de voto contra 39,1% de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno. 
Apesar da redução da margem de 12,5 para 8,9 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, o presidente ainda venceria dentro da margem de erro de 2,2 pontos.

Bancos perderam R$ 100 bi, o equivalente a um Banco do Brasil

A destruição de valor foi disseminada, mas concentrada em seis setores: bancos, energia elétrica, exploração e refino de petróleo, seguradoras, cervejas e refrigerantes, e serviços médico-hospitalares. Juntos, esses segmentos responderam por R$ 213,6 bilhões em perdas, ou 76,5% do total.
O setor bancário liderou a derrocada. As 18 instituições que compõem o grupo perderam R$ 100,1 bilhões em valor de mercado, montante praticamente idêntico ao valor de mercado atual do Banco do Brasil (BBAS3), próximo de R$ 108 bilhões. 
Para ampliar a perspectiva, a perda total de R$ 279 bilhões equivale a cerca de 96% do valor de mercado do BTG Pactual (BPAC11), atualmente próximo de R$ 224 bilhões.

R$ 279 bi não saíram do bolso de ninguém

A Elos Ayta faz uma ressalva relevante. A perda de R$ 279 bilhões representa a desvalorização das ações no mercado, não o volume de recursos efetivamente retirado da bolsa por resgates ou vendas. 
Ainda assim, a magnitude do movimento dimensiona a intensidade com que os ativos brasileiros foram reavaliados para baixo em apenas uma semana. 
📊 "A concentração das perdas em grandes setores e a magnitude da redução do valor de mercado mostram que a sequência de quedas do Ibovespa representa um movimento relevante de reavaliação das companhias brasileiras pelo mercado", conclui a consultoria.