Binance troca CFO após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas

A corretora anunciou Justin Yek como novo CFO e informou ter recomposto 95% dos ativos atingidos pelo ataque.

Publicado em 07/11/2026 às 18:43h Publicado em 07/11/2026 às 18:43h por Matheus Silva
O FBI atribuiu a ação a um grupo de hackers ligado à Coreia do Norte (Imagem: Shutterstock)
O FBI atribuiu a ação a um grupo de hackers ligado à Coreia do Norte (Imagem: Shutterstock)

🚨 A Binance anunciou uma mudança no comando de sua área financeira em meio à recuperação de um dos maiores ataques já registrados no mercado de criptomoedas. 

A corretora confirmou a saída de Kaiser Ng, que ocupava o cargo de diretor financeiro desde janeiro de 2022, e nomeou Justin Yek para assumir a função.

O anúncio foi feito em 7 de novembro, pouco mais de uma semana depois de hackers terem desviado US$ 6,3 bilhões em criptoativos da plataforma. 

Apesar da proximidade entre os acontecimentos, a empresa afirmou que a substituição já fazia parte de um planejamento interno iniciado aproximadamente seis meses antes.

Ng deixa a companhia após mais de cinco anos de atuação. Antes de ingressar na Binance, o executivo também trabalhou na Kraken, outra grande plataforma de negociação de ativos digitais.

O novo responsável pelas finanças da corretora, Justin Yek, ocupou recentemente a vice-presidência financeira da Airwallex, empresa de tecnologia especializada em serviços financeiros e pagamentos. 

A mudança coloca um novo executivo à frente da gestão financeira da Binance em um momento de pressão sobre os controles internos e a segurança da operação.

Ataque explorou computadores de funcionários

O roubo de US$ 6,3 bilhões ocorreu em 29 de outubro e, segundo a investigação divulgada pela Binance, teve origem em uma operação preparada ao longo de meses.

Os invasores teriam comprometido computadores de funcionários por meio de programas maliciosos disfarçados em downloads e processos falsos de recrutamento. A investigação interna identificou o uso de uma ferramenta de inteligência artificial adulterada e de uma entrevista de emprego fraudulenta para obter acesso aos sistemas da corretora.

O FBI atribuiu a ação a um grupo de hackers ligado à Coreia do Norte. O governo norte-coreano, por sua vez, negou a acusação.

A Binance informou que assumirá integralmente os prejuízos e reembolsará os clientes afetados. Dessa forma, a empresa afirmou que as perdas decorrentes da invasão não serão repassadas aos usuários.

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Corretora afirma ter recuperado 95% dos ativos

Após identificar a invasão, a Binance mobilizou recursos próprios e mecanismos de proteção para recompor os valores comprometidos e restabelecer as operações.

Em 2 de novembro, a empresa informou que havia recuperado aproximadamente 95% dos ativos afetados. A parcela restante, equivalente a 5%, envolvia criptomoedas com menor liquidez, cuja aquisição em volumes elevados exigia mais tempo.

A plataforma também começou a liberar gradualmente os saques em 1º de novembro, depois de interromper temporariamente as retiradas para realizar verificações de segurança.

No Brasil, a corretora declarou que os recursos dos clientes permaneceram protegidos e que nenhuma conta de investidor brasileiro foi atingida pelo ataque.

Mudança na diretoria ocorre durante recuperação

A substituição de Kaiser Ng acontece enquanto a Binance trabalha para recuperar a normalidade de suas operações e reforçar os mecanismos de proteção da plataforma.

Embora a companhia tenha atribuído a saída do executivo a uma decisão profissional planejada anteriormente, a chegada de Justin Yek ocorre em um período no qual a gestão financeira também terá de acompanhar os impactos econômicos do ataque e os esforços para preservar a confiança dos clientes.

📊 A empresa não apresentou a troca de comando como uma resposta direta ao incidente. Ainda assim, a combinação entre a mudança na diretoria e o processo de recuperação coloca a governança e a capacidade de gestão de riscos da maior corretora de criptomoedas do mundo sob atenção do mercado.