Lucro da Berkshire cai 28%, mas Greg Abel dobra aposta e recompra ações

A companhia teve queda de 28,2% no lucro do 3T26, recomprou US$ 9,6 bilhões em ações e manteve US$ 377,4 bilhões em caixa.

Publicado em 07/11/2026 às 15:39h - Atualizado em 07/11/2026 às 15:40h Publicado em 07/11/2026 às 15:39h Atualizado em 07/11/2026 às 15:40h por Matheus Silva
O patrimônio líquido da Berkshire chegou a US$ 761,368 bilhões em setembro (Imagem: Shutterstock)
O patrimônio líquido da Berkshire chegou a US$ 761,368 bilhões em setembro (Imagem: Shutterstock)

💰 A Berkshire Hathaway (BERK34), conglomerado construído por Warren Buffett e hoje comandado por Greg Abel, viu o lucro líquido cair 28,2% no terceiro trimestre de 2026, mas aproveitou o período para acelerar a recompra de ações e terminou setembro com uma reserva de caixa e títulos de curto prazo de aproximadamente US$ 377,4 bilhões.

O lucro atribuível aos acionistas somou US$ 22,112 bilhões, contra US$ 30,796 bilhões um ano antes. Mesmo com a retração, a companhia destinou US$ 9,6 bilhões à compra de suas próprias ações entre julho e setembro, elevando o total do ano para cerca de US$ 14,4 bilhões.

O movimento ganha significado pelo contexto. A transição de comando começou em janeiro, quando Abel assumiu o cargo de CEO, e o executivo vem adotando uma postura mais ativa na alocação de capital, combinando recompras, aquisições e aportes em empresas ligadas à inteligência artificial.

Ganhos com investimentos caem quase pela metade

A queda do lucro líquido tem explicação concentrada em duas frentes, a menor contribuição dos ganhos com investimentos e o desempenho mais fraco dos seguros.

Os ganhos com a carteira de investimentos somaram US$ 9,407 bilhões no trimestre, ante US$ 17,311 bilhões no mesmo período de 2025. A diferença está ligada sobretudo à menor valorização das ações do conglomerado, que são reconhecidas contabilmente a preços de mercado.

É justamente por essa volatilidade que a Berkshire costuma recomendar que os investidores acompanhem também o lucro operacional, indicador que exclui oscilações de ganhos e perdas  com investimentos e certos efeitos contábeis extraordinários. 

Por esse critério, o resultado foi de US$ 12,705 bilhões, queda mais modesta de 5,8% sobre os US$ 13,485 bilhões do terceiro trimestre do ano passado.

O retrato do ano, porém, continua positivo. De janeiro a setembro, o lucro líquido somou US$ 57,885 bilhões, acima dos US$ 47,769 bilhões do mesmo intervalo de 2025, enquanto o lucro operacional acumulado chegou a US$ 37,034 bilhões, crescimento de 8%.

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Geico pressiona e resultado de subscrição recua 43%

O ponto mais sensível do trimestre foi a divisão de seguros, historicamente um dos pilares do conglomerado. O resultado de subscrição, atividade relacionada à emissão de apólices e à cobertura de riscos, caiu 43% no período.

A Geico, seguradora de automóveis do grupo, enfrentou aumento das perdas com sinistros e das despesas ligadas às operações. 

A receita líquida de investimentos das seguradoras também recuou 14%, para cerca de US$ 2,7 bilhões, principalmente por causa da redução das taxas de juros de curto prazo.

Recompras mais que dobram em relação ao trimestre anterior

Mesmo com o lucro menor, a Berkshire intensificou a compra de ações próprias. Os US$ 9,6 bilhões aplicados no terceiro trimestre superaram com folga os US$ 4,5 bilhões desembolsados entre abril e junho.

A companhia havia retomado as recompras no início deste ano, depois de mais de um ano sem operações desse tipo. A decisão veio quando Abel avaliou que os papéis da Berkshire estavam sendo negociados abaixo de seu valor intrínseco, ou seja, abaixo do valor econômico estimado pela própria administração.

Na prática, trata-se de um uso mais ativo dos recursos em comparação com os últimos anos da gestão de Buffett, período marcado pela dificuldade de encontrar investimentos a preços atraentes. 

O programa não tem limite máximo de ações, mas a companhia estabelece que as operações não podem reduzir o total de caixa, equivalentes e títulos de curto prazo do Tesouro americano para menos de US$ 30 bilhões.

Caixa segue acima de US$ 377 bilhões

Mesmo após o desembolso bilionário, a reserva financeira permaneceu robusta. O montante de US$ 377,4 bilhões ao fim de setembro reúne US$ 40,7 bilhões em caixa e equivalentes e US$ 336,735 bilhões aplicados em títulos de curto prazo do Tesouro americano, conhecidos como T-bills.

Considerando cerca de US$ 20,5 bilhões em compras de títulos ainda não liquidadas, a disponibilidade ajustada fica próxima de US$ 357 bilhões, segundo a Bloomberg. 

No trimestre, a companhia também foi vendedora líquida de aproximadamente US$ 426 milhões em ações de outras empresas, e o patrimônio líquido atribuível aos acionistas alcançou US$ 761,368 bilhões.

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Ferrovias e energia crescem e compensam parte da fraqueza

Enquanto os seguros puxavam o resultado para baixo, outras operações seguiram em expansão. 

Na BNSF, uma das principais ferrovias de carga dos Estados Unidos, o lucro avançou 19,3% no trimestre, com receita média por vagão transportado crescendo 10,5%, impulsionada em parte pelas sobretaxas de combustível. 

O desempenho representa um avanço no esforço conduzido pela CEO Katie Farmer para elevar a rentabilidade da ferrovia e reduzir a distância em relação a concorrentes mais eficientes.

Na energia, a Berkshire Hathaway Energy registrou lucro de aproximadamente US$ 1,6 bilhão, alta de 8,3% em um ano, favorecida pelo aumento dos volumes de energia vendidos e por reajustes tarifários em algumas regiões atendidas pelas concessionárias do grupo.

Abel coloca US$ 10 bilhões na Alphabet

A marca do novo CEO também aparece na estratégia de investimentos. Nos últimos meses, o conglomerado destinou US$ 6,8 bilhões à aquisição da construtora Taylor Morrison Home, operação alinhada à tradicional estratégia de valor que marcou a trajetória de Buffett.

Ao mesmo tempo, Abel ampliou a exposição à tecnologia. A Berkshire direcionou cerca de US$ 10 bilhões à Alphabet (GOGL34), controladora do Google, movimento associado ao reforço de suas posições no setor, e investiu US$ 930 milhões na Bending Spoons, conglomerado italiano especializado em adquirir e transformar empresas por meio de tecnologia.

A aproximação com inteligência artificial, porém, acontece em um momento de maior questionamento sobre o setor, diante das oscilações nos preços das ações e dos títulos de empresas ligadas à construção de data centers. 

Em entrevista anterior à Bloomberg, Meyer Shields, analista da Keefe, Bruyette & Woods, avaliou que Abel provavelmente enxerga essas iniciativas como apostas de longo prazo no potencial da tecnologia.

📊 O desafio do novo comando será equilibrar essas oportunidades de crescimento com a preservação da solidez financeira que sustentou o conglomerado por décadas.

BERK34

Berkshire Hathaway
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