Varejistas na B3 recebem detrator com o fim da "taxa das blusinhas"

Senado aprovou a Medida Provisória redigida pelo governo Lula, que mira apelo eleitoreiro.

Publicado em 03/09/2026 às 19:57h Publicado em 03/09/2026 às 19:57h por Lucas Simões
Lojas Renner, C&A Modas e Riachuelo estão entre as varejistas de vestuário mais afetadas (Imagem: Shutterstock)
Lojas Renner, C&A Modas e Riachuelo estão entre as varejistas de vestuário mais afetadas (Imagem: Shutterstock)
A famosa "taxa das blusinhas", que encarecia as compras de itens importados para o Brasil abaixo de US$ 50, caiu por terra nesta quinta-feira (3), uma vez que o Senado aprovou a Medida Provisória encaminhada pelo governo Lula antes da perda de validade. Só resta a sanção presidencial.
Embora o fim da taxa das blusinhas barateie, por exemplo, as compras de roupas feitas em plataformas online como Shein e Shopee, extinguindo a alíquota de 20% somada ao ICMS estadual, que encarecia em até 50% o valor final cobrado, as varejistas de vestuário brasileiras listadas na B3 perdem atratividade.
O texto aprovado pelo Congresso Nacional até incluiu a possibilidade de contrapartida aos setores produtivos após a avaliação dos impactos econômicos, mas o Ministério da Fazenda ainda terá até três meses para avaliar tais impactos e revisar as medidas a cada seis meses.
Lula rifou a própria indústria têxtil nacional, mirando possível ganho eleitoral, uma vez que a manutenção das taxas das blusinhas era uma medida impopular, conforme sondagem da própria equipe de campanha.
O governo Lula havia imposto a cobrança da taxa das blusinhas em agosto de 2024. Com a manobra da Medida Provisória, desde meados de maio de 2026, as compras abaixo de US$ 50 já estão isentas. 
Na visão do BTG Pactual, as varejistas Lojas Renner (LREN3), C&A Modas (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3) estão entre as companhias listadas na bolsa de valores mais expostas negativamente ao fim das taxas das blusinhas, diante da competitividade assimétrica com os sites asiáticos.
Por sua vez, a Shopee tem expandido seus investimentos no Brasil, sendo inquilina relevante em diversos FIIs de logística. Só em agosto, a empresa anunciou o aporte de R$ 400 milhões no maior complexo logístico de Minas Gerais.

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