Vale (VALE3) propõe agenda de 15 iniciativas para destravar mineração; confira

Em parceria com a Accenture, a mineradora lançou um estudo sobre o setor de mineração que será entregue aos presidenciáveis de 2026.

Publicado em 18/08/2026 às 14:59h Publicado em 18/08/2026 às 14:59h por Matheus Silva
A mineradora já vinha sendo cobrada pelo governo Lula por mais investimentos (Imagem: Shutterstock)
A mineradora já vinha sendo cobrada pelo governo Lula por mais investimentos (Imagem: Shutterstock)
🚨 A Vale (VALE3) colocou em Brasília, nesta terça-feira (18), uma proposta na mesa do debate econômico brasileiro. 
Em parceria com a consultoria Accenture, a mineradora apresentou o relatório "Destravando o Potencial da Mineração no Brasil" durante fórum que reuniu representantes do governo federal, do setor produtivo mineral e especialistas em infraestrutura e competitividade. O documento será entregue a todos os candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026.
A Vale já vinha sendo cobrada pelo governo Lula por investimentos adicionais e geração de empregos. Com o lançamento do plano, a empresa sai do campo defensivo e se posiciona ativamente no debate sobre políticas públicas para o setor mineral.
"Em um momento em que se discutem caminhos para impulsionar o crescimento do País, a Vale contribui para o debate a partir de uma proposta concreta para que o Brasil aproveite a janela de oportunidade global e destrave nosso enorme potencial minerário", disse Gustavo Pimenta, presidente da Vale.
"Com uma agenda propositiva, a mineração pode se tornar uma plataforma poderosa de compartilhamento de valor com geração de empregos, renda, crescimento econômico e proteção ambiental."

Setor pode gerar 2,3 mi de novos empregos

Os números projetados pelo estudo têm dimensão relevante para qualquer candidato ao Planalto. O setor mineral emprega hoje cerca de 3 milhões de pessoas de forma direta, indireta e induzida. 
Com uma agenda coordenada entre governo, setor privado e sociedade, esse total poderia saltar para 5,3 milhões de postos até 2035, adição de 2,3 milhões de vagas.
Na frente fiscal, o impacto projetado é igualmente expressivo. A contribuição do setor em arrecadação de impostos, que somou R$ 750 bilhões na última década, pode crescer para R$ 1,3 trilhão entre 2026 e 2035. 
Para dimensionar o que esse montante representa em termos de investimento público, a Vale faz uma comparação ilustrativa, trazendo a possibilidade de criar 23,1 milhões de vagas em escola integral, abrir 17,2 milhões de vagas em creches, asfaltar 478 mil quilômetros de vias ou instalar 870 mil leitos em hospitais.
A produção mineral anual do Brasil, que hoje gira em torno de R$ 300 bilhões, poderia chegar a R$ 535 bilhões em 2035 caso as condições do plano sejam implementadas.

15 iniciativas em 4 agendas prioritárias

O plano organiza suas recomendações em 15 iniciativas divididas em quatro eixos temáticos.
O primeiro, de licenciamento e fundamentos da mineração, propõe a otimização e padronização dos processos de licenciamento, o fortalecimento de órgãos como Ibama, Iphan, ICMBio, Funai e secretarias estaduais de Meio Ambiente, a simplificação das análises de processos minerários e uma aproximação entre o Sistema Geológico Brasileiro (SGB) e as empresas para parceria no mapeamento geológico.
O segundo eixo, de cadeia mineral integrada, prevê a criação de instrumentos de incentivo à transformação mineral no Brasil, a melhoria das condições energéticas para uma cadeia mineral de baixo carbono e a elaboração de um plano diretor de infraestrutura para o setor.
O terceiro, voltado ao ambiente de negócios e segurança institucional, inclui a implementação de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, a modernização da regulamentação de cavidades, a atualização das normas de segurança de estéril e rejeitos, o fortalecimento da ANM (Agência Nacional de Mineração) e o suporte à agenda setorial relacionada à reforma tributária.
O quarto e último eixo, de valor compartilhado, propõe a criação de um programa de qualificação do uso da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais), a definição de uma categoria de projetos estruturantes com contrapartidas socioambientais e o fortalecimento das práticas de mineração responsável.

Governo quer processamento no Brasil, Vale foca no upstream

O plano ganha relevância adicional pelo contexto dos minerais críticos. Lítio, níquel, grafite, cobre, cobalto, terras raras, potássio e fosfato estão no centro das estratégias industriais globais ligadas à transição energética, e o Brasil detém reservas expressivas de vários desses materiais.
O governo Lula reconhece a importância do setor, mas rechaça a ideia de exportar minério bruto sem processamento industrial em território nacional. 
O Ministério de Minas e Energia afirmou que a cooperação internacional pode contribuir "para o fortalecimento das cadeias produtivas minerais, a ampliação da capacidade de inovação e o desenvolvimento industrial e tecnológico do País."
O presidente da Vale, por sua vez, foi direto ao delimitar o apetite da companhia. Em evento no Rio de Janeiro no início de agosto, Gustavo Pimenta disse que a Vale enxerga oportunidades nos minerais críticos apenas na etapa de upstream, que compreende mineração, concentração e beneficiamento. No refino, as "margens são mais apertadas."
Uma pesquisa do MME divulgada em junho avaliou que o aperfeiçoamento do midstream, que envolve separação individual dos elementos, purificação, refino e transformação em óxidos, metais e ligas, é um investimento essencial para que o Brasil passe a figurar entre os atores mais relevantes nesse mercado global.
📊 No curto prazo, o estudo do governo aponta como prioridades a consolidação do upstream competitivo, o aprofundamento da inteligência geológica e a criação de instrumentos de redução de riscos ao longo da cadeia. O marco legal para minerais críticos ainda tramita no Congresso Nacional.

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