Trump vs Papa: crise entre EUA e Vaticano ganha novo capítulo

Presidente dos EUA intensifica críticas após discurso do Vaticano sobre guerra.

Publicado em 15/04/2026 às 12:31h Publicado em 15/04/2026 às 12:31h por Wesley Santana
Papa Leão foi eleito no ano passado para coordenar Igreja Católica no mundo (Imagem: Shutterstuck)
Papa Leão foi eleito no ano passado para coordenar Igreja Católica no mundo (Imagem: Shutterstuck)

Nesta quarta-feira (15), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar o Papa Leão XIV. Em publicação nas redes sociais, ele pediu que os seguidores lembrassem o pontífice sobre a atuação do Irã em protestos recentes que foram registrados no país persa.

"Alguém, por favor, diga ao papa Leão que o Irã matou pelo menos 42 mil manifestantes inocentes e completamente desarmados nos últimos dois meses", escreveu o chefe da Casa Branca.

Esse é o segundo ataque de Trump nos últimos dias à maior autoridade da Igreja Católica no mundo. Tudo começou depois de um sermão do Vaticano em que Leão XIV pediu cessar-fogo no Líbano. O Papa disse que havia uma “obrigação moral de proteger a população civil dos efeitos atrozes da guerra”.

A resposta de Trump veio em alto e bom som, classificando o líder religioso como “fraco” e dizendo que não queria um Papa que o criticasse. O presidente ainda apontou que Leão só está nesse cargo porque supostamente teve ingerência na indicação de seu nome para o Conclave de 2025.

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"O papa Leão XIV é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa (...) Eu não quero um papa que ache que tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos", publicou Trump no Truth Social.

"Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista para ser papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano — e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”, continuou.

O chefe da Casa Branca ainda publicou uma foto criada por inteligência artificial se retratando como uma figura religiosa. Na imagem, ele aparece vestido com uma túnica vermelha e abençoando um homem que supostamente está doente, no que muitos classificaram como uma referência a Jesus.

Minutos depois, ele apagou a publicação e publicou outra, em que aparece abraçado com Jesus. “Os lunáticos da esquerda radical podem não gostar, mas eu acho bem bonitinho!”, escreveu o presidente americano.

Premiê da Itália entra na linha de fogo

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, foi uma das várias autoridades globais que criticaram as falas de Trump sobre o papa. Ela, que já o classificou como “grande líder”, destacou que suas afirmações são inaceitáveis.

"Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump em relação ao Santo Padre. O papa é o líder da Igreja Católica, e é correto e natural que ele peça paz e condene todas as formas de guerra", disse Meloni em um comunicado.

Não demorou muito para que o líder norte-americano lhe respondesse. "Giorgia Meloni não quer nos ajudar na guerra, estou chocado. Achei que ela tinha coragem, mas me enganei", disparou ele.