Banco Central acende alerta com FIDCs e preocupa investidores; entenda o risco

Órgão diz que estruturas complexas dificultam a avaliação dos riscos de um mercado que movimentou R$ 283 bilhões em apenas cinco meses.

Publicado em 06/09/2026 às 07:00h Publicado em 06/09/2026 às 07:00h por Wesley Santana
Falta de transparência em fundos faz BC acender alerta sobre atuação das gestoras (Imagem: Shutterstock)
Falta de transparência em fundos faz BC acender alerta sobre atuação das gestoras (Imagem: Shutterstock)

Em ata divulgada nesta semana, o Comitê de Estabilidade Financeira admitiu estar preocupado com os FIDCs (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios). O órgão vinculado ao Banco Central destacou que esses ativos possuem múltiplas camadas que dificultam a avaliação de riscos.

"Tais estruturas dificultam a avaliação e a consolidação dos riscos assumidos pelos agentes econômicos que investem nesses instrumentos. A preocupação é particularmente relevante no caso dos FIDCs (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), que mantiveram aceleração no trimestre, vêm ampliando sua participação no crédito amplo como forma de financiamento às empresas e mantêm conexões relevantes com instituições reguladas pelo BC, por meio da cessão de ativos e do investimento em cotas", disse o comitê.

A nota vem em um momento de crescimento deste tipo de produto, mesmo no contexto de desaceleração do mercado de capitais. Os membros do BC destacam que o crescimento desta categoria supera o crédito bancário, apresentando-secomo uma fonte de financiamento para as empresas.

Os FIDCs funcionam como uma espécie de condomínio de investidores que se juntam para comprar direitos de crédito que as empresas têm a receber futuramente. Eles fazem uma espécie de empréstimo em troca de juros futuros e contam com uma garantia, que são os recebíveis.

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Para as empresas, são importantes ferramentas de liquidez, com menor custo e regras menos apertadas que as de emissão de dívidas. Já para os investidores, há opções que chegam a pagar CDI+5%, valor que está bem acima da média do mercado bancário, que não costuma pagar muito mais que 100% do DI.

Segundo um relatório recente da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), só nos cinco primeiros meses deste ano, os FIDCs movimentaram R$ 283 bilhões. O montante representa uma aceleração de 14% em relação ao mesmo período do ano passado.

Na semana passada, a Anbima já havia mostrado preocupação, depois que uma série de fundos deixaram de publicar informações relevantes. Em julho, 46 FIDCs não enviaram seus detalhamentos, número que foi de apenas oito no mês anterior.

“Anteriormente, já eram frequentes informes com lacunas, valores exorbitantes, divergências e ausência de consistência econômico-financeira ao longo do tempo, colocando em dúvida a coerência e a fidedignidade dos dados apresentados”, diz Alfredo Marrucho, sócio da Uqbar. “O mercado passou, assim, de um cenário de informação deficiente para outro de ausência de informação, comprometendo ainda mais a transparência, a fiscalização e a confiança dos investidores”, alerta.