Taxas de CRAs e CRIs pagam muito mais que o Tesouro Direto até 2029; entenda os riscos

Títulos isentos da cobrança de imposto pagam juros compostos elevados em 2026, mas mercado está bem mais seletivo.

Publicado em 26/08/2026 às 16:27h Publicado em 26/08/2026 às 16:27h por Lucas Simões
CRAs e CRIs ajudam empresas do agronegócio e do mercado imobiliário a se financiarem (Imagem: Shutterstock)
CRAs e CRIs ajudam empresas do agronegócio e do mercado imobiliário a se financiarem (Imagem: Shutterstock)
Emprestar dinheiro diretamente às empresas em troca de receber juros compostos maiores que o Tesouro Direto sempre implica em assumir riscos de calote consideráveis. Mesmo com os títulos de renda fixa isentos de cobrança de Imposto de Renda (IR) pagando taxas bastante elevadas, o mercado está com a mão bem mais fechada em 2026.
Apesar de os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) e CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) terem captado R$ 30 bilhões no acumulado do ano, a cifra é bem menor que a registrada no mesmo período entre janeiro e julho de 2025, conforme dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). 
Olha que as taxas oferecidas pelos CRAs e CRIs nesta reta final de agosto giram em torno de 16% e 17% ao ano líquidos na modalidade prefixada com vencimentos ao longo de 2029, ao passo que o Tesouro Prefixado 2029 ofertava 14,13% ao ano nesta quarta-feira (26), uma taxa equivalente líquida (gross-up) de 12,01% ao ano.
Afinal de contas, o mercado de crédito privado se vê pressionado a pagar juros compostos cada vez maiores diante do engrossamento dos pedidos de recuperação judiciais e extrajudiciais de empresas dos mais variados setores nos últimos meses, desde a renegociação de dívidas de R$ 65 bilhões da produtora de açúcar e etanol Raízen (RAIZ4) ao episódio mais recente do Grupo Casas Bahia (BHIA3), com saldo devedor de R$ 17,3 bilhões.
É por isso que a ferramenta do Investidor10, monitoradora dos títulos de renda fixa presentes nas prateleiras das corretoras de valores, identifica situações semelhantes ao CRI Patrimar Pré-Fixado 17,36% ao ano, com vencimento em 23 de novembro de 2029. 
A despeito do seu risco financeiro alto e nenhuma proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), tais títulos de crédito privado imobiliário apresentam retorno líquido substancialmente superior a um CDB (Certificado de Depósito Bancário) que ofereça taxa de 100% do CDI.

Simulações com CRAs e CRIs Pré-Fixados

  • Investimento mínimo: R$ 992,38
  • Risco Financeiro: Alto
  • Quanto rendem R$ 50 mil após 39 meses: R$ 85.631,74
  • Quanto a mesma quantia em CDB a 100% do CDI: R$ 74.652,20
  • Prazo de vencimento: dia 23 de novembro de 2029
  • Liquidez: Somente no vencimento
  • Onde encontrar: Banco Inter
  • Tem proteção do FGC: Não
  • Observação: Este ativo de renda fixa pode não estar disponível para novos investimentos. Para confirmar, contate o banco emissor
  • Investimento mínimo: R$ 928,25
  • Risco Financeiro: Médio
  • Quanto rendem R$ 50 mil após 29 meses: R$ 73.712,41
  • Quanto a mesma quantia em CDB a 100% do CDI: R$ 67.000,29
  • Prazo de vencimento: dia 15 de janeiro de 2029
  • Liquidez: Somente no vencimento
  • Onde encontrar: Banco Inter
  • Tem proteção do FGC: Não
  • Observação: Este ativo de renda fixa pode não estar disponível para novos investimentos. Para confirmar, contate o banco emissor
  • Investimento mínimo: R$ 938,67
  • Risco Financeiro: Alto
  • Quanto rendem R$ 50 mil após 39 meses: R$ 72.472,63
  • Quanto a mesma quantia em CDB a 100% do CDI: R$ 67.000,29
  • Prazo de vencimento: dia 15 de janeiro de 2029
  • Liquidez: Somente no vencimento
  • Onde encontrar: Banco Inter
  • Tem proteção do FGC: Não
  • Observação: Este ativo de renda fixa pode não estar disponível para novos investimentos. Para confirmar, contate o banco emissor