O que diz o mercado sobre o IPCA-15?

O resultado da prévia da inflação foi puxado principalmente pela queda da energia elétrica.

Publicado em 26/08/2026 às 15:07h Publicado em 26/08/2026 às 15:07h por Elanny Vlaxio
A prévia da inflação caiu 0,40% no mês (Imagem: Shutterstock)
A prévia da inflação caiu 0,40% no mês (Imagem: Shutterstock)
O IPCA-15 de agosto veio abaixo das expectativas e reforçou a leitura de uma inflação mais comportada no curto prazo. A prévia da inflação caiu 0,40% no mês, ante alta de 0,06% em julho, acumulando avanço de 3,09% no ano e de 4,24% em 12 meses.
O resultado foi puxado principalmente pela queda da energia elétrica, mas especialistas destacam que os próximos dados serão importantes para confirmar se a desaceleração é sustentável.

Energia elétrica lidera alívio da inflação

Para Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, o número trouxe uma melhora além do índice cheio. “O IPCA-15 de agosto veio melhor do que o esperado, com deflação de 0,40%, contra uma expectativa de queda de 0,32%”, afirma.
Ele pondera, porém, que parte relevante do resultado veio de fatores temporários. “Boa parte da deflação, claro, veio de fatores pontuais, principalmente da energia elétrica, com o bônus de Itaipu, além da queda das passagens aéreas e dos combustíveis.”

Serviços continuam no radar

A leitura mais detalhada do indicador mostra que nem todos os sinais foram igualmente favoráveis. Os serviços desaceleraram para 0,07%, ante 0,41% em julho, enquanto os serviços subjacentes aceleraram para 0,50%. A média dos cinco núcleos ficou em 0,23%, e o índice de difusão avançou para 52%.
Na avaliação de Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, o resultado cheio foi positivo, mas a composição exige atenção. “Apesar da leitura cheia significativamente negativa (-0,40%), a composição qualitativa ainda mostra resiliência das pressões subjacentes e de serviços.”
O economista acrescenta que o resultado mantém o processo de desinflação, mas não elimina os riscos. “O resultado mantém a trajetória desinflacionária, mas reforça a cautela necessária em relação à dinâmica dos núcleos e de serviços para os próximos passos da política monetária.”
Gabriel Pestana, economista da Genial Investimentos, também chama atenção para o peso de componentes voláteis. Segundo ele, “parte importante da surpresa veio de itens voláteis, como passagem aérea, o que reduz o peso da melhora como sinal definitivo de desinflação mais disseminada”.
Para Pestana, os serviços seguem sendo o principal ponto de atenção. “O principal ponto de atenção segue em serviços”, afirma, destacando que os serviços subjacentes vieram acima da projeção e apresentaram surpresas altistas em itens como aluguel, condomínio e conserto de automóvel.

O que muda para os juros?

Apesar das ressalvas, o resultado foi interpretado como um sinal favorável para a política monetária. Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, considera o dado neutro, mas vê espaço para uma pequena revisão para baixo da projeção de inflação para 2026.
“Avaliamos o dado como neutro, mas que, se algo, deveria levar a uma revisão ligeiramente para baixo da projeção de 2026”, afirma Victal.
Sara Paixão, analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, destaca que os serviços vieram bem abaixo do projetado, embora os componentes mais sensíveis à política monetária ainda permaneçam pressionados. “Para a próxima reunião do COPOM, o resultado reforça uma leitura mais benigna para a inflação.”
Na avaliação de Paixão, a combinação entre inflação mais fraca e sinais de moderação da atividade pode favorecer os juros. “A combinação de dados de inflação melhor do que o esperado com sinais de moderação da atividade econômica pode abrir espaço para mais uma redução da taxa de juros, em linha com as expectativas atuais do mercado.”
Pestana, da Genial, também vê o resultado como mais uma evidência de moderação da inflação e mantém a expectativa de corte de juros em setembro. Para 2026, porém, a casa ainda projeta IPCA de 5%, enquanto alerta que commodities, o conflito no Oriente Médio e os efeitos do El Niño podem trazer novas pressões.