📉 O Copom (Comitê de Política Monetária) deve reduzir a
taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (5), levando os juros básicos de 14,25% para 14% ao ano. A decisão é amplamente esperada.
Segundo uma pesquisa do BTG Pactual com 70 participantes do mercado mostra que 100% dos consultados projetam o corte de 25 pontos-base.
Diante do consenso em torno do movimento, a atenção dos investidores está concentrada na comunicação do Banco Central e nos sinais sobre o futuro do ciclo de flexibilização.
A principal dúvida é se o Comitê deixará a porta aberta para uma nova redução em setembro ou indicará uma pausa.
O cenário ficou mais incerto desde a última reunião, em junho, com uma melhora relevante nos dados correntes de
inflação e sinais de desaceleração da atividade, mas com expectativas inflacionárias ainda acima da meta e riscos altistas no horizonte.
Setembro divide o mercado
As instituições divergem sobre o próximo passo após o corte desta semana. A XP espera que o Copom faça uma pausa em setembro para avaliar os efeitos da política monetária e a evolução dos dados.
A casa considera as leituras recentes de inflação e atividade favoráveis, mas avalia como prematuro falar em reversão da tendência diante de riscos como petróleo elevado, estímulos fiscais e parafiscais e expectativas de inflação acima da meta.
O C6 Bank também espera o corte de 25 pontos-base, mas projeta cautela na comunicação. Para o banco, a melhora dos dados permite a continuidade do processo de calibração, mas a piora das expectativas de inflação e a assimetria altista no balanço de riscos recomendam que o BC evite antecipar seus próximos movimentos. A instituição projeta a Selic em 14% ao fim de 2026 e de 2027.
Já o Bank of America ficou mais otimista com a continuidade do ciclo. Após a sequência de dados mais benignos de inflação e os sinais de perda de ritmo da atividade, o banco revisou sua projeção e passou a esperar dois cortes de 25 pontos-base, em agosto e setembro, levando a Selic a 13,75%.
Ainda assim, o BofA não espera que o Copom antecipe esse movimento no comunicado, preservando a opcionalidade do Comitê.
Na pesquisa do BTG, 84% dos participantes projetam que o Copom manterá uma sinalização formalmente aberta, sem compromisso com os próximos passos, e 83% consideram essa a mensagem mais adequada.
Inflação melhora nos dados correntes
O pano de fundo para uma comunicação cautelosa é a combinação entre melhora da inflação corrente e persistência de riscos para os próximos meses.
O IPCA de junho e o IPCA-15 de julho vieram abaixo das expectativas, inclusive nos núcleos, e indicadores de varejo, serviços e produção industrial apontaram alguma acomodação da atividade. O mercado de trabalho mostrou sinais de desaceleração na geração de empregos e nos salários, embora continue sólido.
Por outro lado, as expectativas seguem acima da meta nos horizontes mais longos. A projeção do mercado para o IPCA de 2027 subiu de 4,10% para 4,22%, enquanto a expectativa para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, avançou de 3,96% para 4,07%.
Três pontos vão concentrar a atenção dos investidores
Mais do que o tamanho do corte, três elementos devem pautar a leitura do mercado sobre o comunicado. O primeiro é se o BC manterá a expressão "ciclo de calibração" e como irá descrevê-lo.
O segundo é o tratamento dado ao balanço de riscos, que passou a apresentar assimetria para cima na reunião de junho. O terceiro é qualquer indicação sobre setembro, seja por uma sinalização mais explícita de pausa, seja pela manutenção de uma comunicação dependente dos dados.
A XP espera um comunicado neutro, que evite antecipar os próximos passos enquanto o Comitê avalia para onde o cenário irá pender antes de setembro.
📊 Segundo a casa, caso o BC faça poucas mudanças na comunicação, os movimentos na curva de juros e no mercado de opções tendem a ser moderados.