Petróleo a US$ 110 salva a sexta e Ibovespa quebra sequência de três quedas

O índice subiu 0,54% nesta sexta-feira (16) com a Petrobras, mas fechou a semana em queda de 1,74% após duas semanas de alta.

Publicado em 16/10/2026 às 18:20h - Atualizado em 16/10/2026 às 18:35h Publicado em 16/10/2026 às 18:20h Atualizado em 16/10/2026 às 18:35h por Matheus Silva
A PoderData/AYA mostrou Lula e Flávio com 50% dos votos válidos cada (Imagem: Shutterstock)
A PoderData/AYA mostrou Lula e Flávio com 50% dos votos válidos cada (Imagem: Shutterstock)
📈 O Ibovespa (IBOV) encerrou a semana com um respiro. Depois de três pregões seguidos no vermelho, o principal índice da bolsa brasileira subiu 0,54% nesta sexta-feira (16) e fechou aos 205.430,33 pontos, um ganho de 1.106,07 pontos. 
Foi a única alta de uma semana encurtada pelo feriado de Nossa Senhora Aparecida, na segunda-feira (12).
Ao longo do pregão, o índice oscilou entre a mínima de 204.164,17 pontos e a máxima de 206.305,26 pontos, com volume financeiro de R$ 43,50 bilhões. O avanço, porém, não foi suficiente para salvar o saldo semanal. 
Depois de duas semanas consecutivas de ganhos, o Ibovespa acumulou queda de 1,74% no período, resultado das baixas de 1,04% na terça, 0,19% na quarta e 1,06% na quinta. Ainda assim, outubro segue amplamente positivo, com alta de 10,24%, e o ganho em 2026 chega a 27,50%.
O real também ganhou fôlego. O dólar comercial recuou 0,28%, a R$ 5,073, interrompendo três altas seguidas, depois de oscilar entre R$ 5,068 e R$ 5,096. Na semana, porém, a moeda americana acumulou valorização de 1,75%. 
O movimento desta sexta acompanhou o enfraquecimento global do dólar, com o índice DXY caindo 0,25%, aos 101,81 pontos. Os juros futuros fecharam mistos, em linha com os títulos do Tesouro americano.

Pesquisas mostram disputa cada vez mais apertada

As pesquisas eleitorais seguem como o principal termômetro do humor dos investidores. Depois de o Datafolha mostrar, na noite de quinta-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 47% das intenções de voto contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), outros levantamentos confirmaram o cenário de empate técnico.
A pesquisa PoderData/AYA, divulgada pela manhã, mostrou os dois candidatos empatados com 50% dos votos válidos cada. Nos votos totais, ambos aparecem com 47%. 
O levantamento ouviu 3.000 eleitores por telefone entre 13 e 15 de outubro, com margem de erro de 1,8 ponto percentual.
Mais tarde, a CNT/MDA registrou Flávio com 46,8% e Lula com 45,9%, diferença de apenas 0,9 ponto percentual. Logo após a divulgação, as taxas dos juros futuros aceleraram as altas.
Mesmo com a disputa apertada, parte do mercado mantém o otimismo com a bolsa. O Inter elevou sua projeção para o Ibovespa em 2027, de 204 mil para 240 mil pontos. 

Lula participa de promulgação do fim da escala 6x1

No campo político, o presidente Lula participou da sessão solene no Congresso Nacional que promulgou a Emenda Constitucional 141, que acaba com a escala de trabalho 6x1. 
Durante a cerimônia, conduzida pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), Lula rebateu críticas à medida. 
"Toda vez que a sociedade conquista alguma coisa, aparece uma turma de um segmento da sociedade que não concorda, dizendo que não vai dar certo", afirmou.
Segundo dados da AP Exata, a aprovação da PEC gerou uma melhora discreta na avaliação do governo, com a fatia de ótimo e bom passando de 33,7% para 34,1% desde terça-feira. 
Já o monitoramento diário da Real Time Big Data indica que entre 94% e 95% dos eleitores dos dois candidatos mantêm sua escolha, o que sugere pouco espaço para mudanças até o segundo turno.

IBC-Br sobe 0,3%, mas não afasta PIB negativo no 3T26

Na economia, o IBC-Br, indicador do Banco Central considerado uma prévia do PIB, subiu 0,3% em agosto na comparação com julho, em linha com o esperado. 
Segundo Matheus Pizzani, economista do PicPay, a expansão se concentrou em setores ligados à renda das famílias, favorecidos pela menor variação de preços de itens essenciais, como alimentos.
O dado, porém, não mudou a leitura sobre o trimestre. Leonardo Costa, economista do ASA, lembrou que o indicador recuou 0,6% no trimestre encerrado em agosto e cresceu apenas 1,6% em 12 meses. "Apesar da alta do IBC-Br em agosto, seguimos projetando PIB de -0,2% no 3T26", afirmou.

Petróleo dispara e IA derruba Wall Street

No exterior, o petróleo voltou a ser protagonista. O Brent para novembro subiu 3,72%, a US$ 109,86 o barril, depois de tocar a marca de US$ 110 e atingir o maior nível desde maio. O WTI avançou 3,51%, a US$ 101,41, no patamar mais alto desde meados de setembro.
Nos Estados Unidos, a produção industrial de setembro cresceu 0,7%, acima da previsão de 0,4%, reforçando a leitura de uma economia ainda aquecida. 
Somadas à alta do petróleo, as perdas das ações de inteligência artificial derrubaram Wall Street. O Nasdaq recuou 2,15%, o S&P 500 caiu 1,09% e o Dow Jones perdeu 0,34%. 
"Um dos grandes desafios que enfrentamos na área de IA e tecnologia em geral nos últimos seis a doze meses é que grande parte do que está acontecendo ocorre em mercados privados", afirmou Jeff Richards, sócio-gerente da Notable Capital, à CNBC. 
Na semana, o Nasdaq acumulou queda de 4,48%. Na Europa, as bolsas fecharam em alta, puxadas justamente pelo setor de tecnologia.

Petrobras sobe 4% e sustenta o índice

No mercado local, a alta foi sustentada principalmente pela Petrobras (PETR4). A PETR4 disparou 4,04%, fechando na máxima do dia, e foi a ação mais negociada da sessão. A PETR3 subiu 3,53%, e a PRIO (PRIO3) acompanhou o movimento, com ganho de 2,56%.
O varejo também voltou a animar. O Magazine Luiza (MGLU3) liderou as altas do Ibovespa, com avanço de 6,93%, seguido pelo Assaí (ASAI3), com 4,22%, e pela C&A (CEAB3), com 3,46%. 
Fora do índice, a Casas Bahia (BHIA3) subiu 2,70% depois de pagar R$ 2,9 milhões a um fundo imobiliário, embora siga inadimplente em relação a outro galpão. Os frigoríficos também ajudaram, com a MBRF (MBRF3) subindo 2,59% e a Minerva (BEEF3) avançando 1,46%.
Do outro lado, os grandes bancos caíram em bloco e impediram uma alta maior do índice. O Bradesco (BBDC4) recuou 1,78%, o Banco do Brasil (BBAS3) perdeu 0,55%, o Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 0,54% e o Santander (SANB11) cedeu 0,28%. A Vale (VALE3) teve leve baixa de 0,32%. 
A maior queda do Ibovespa ficou com a CSN (CSNA3), que recuou 3,51% depois de o Goldman Sachs cortar suas projeções para a siderúrgica. Vivara (VIVA3), Hapvida (HAPV3), Tenda (TEND3) e WEG (WEGE3) também figuraram entre as maiores baixas.

Maiores altas

  • MGLU3: +6,93% | R$ 11,11
  • ASAI3: +4,22% | R$ 12,84
  • PETR4: +4,04% | R$ 59,68
  • PETR3: +3,53% | R$ 66,48
  • CEAB3: +3,46% | R$ 12,56

Maiores baixas

CSNA3: -3,51% | R$ 5,77
VIVA3: -3,09% | R$ 26,69
HAPV3: -2,70% | R$ 8,28
TEND3: -2,49% | R$ 26,97
WEGE3: -2,24% | R$ 47,99
Entre os demais índices da B3, o Small Caps (SMLL) subiu 0,12%, aos 2.652,35 pontos, mas acumulou perda de 6,08% na semana. O IFIX, de fundos imobiliários, caiu 0,41%, aos 3.939,94 pontos, com recuo semanal de 1,22%.

Debate na Band abre a última semana antes do 2º turno

A segunda-feira não terá indicadores relevantes na agenda, mas o fim de semana promete movimentar o mercado. 
📊 No domingo (18), Lula e Flávio se enfrentam no debate da TV Band, abrindo a última semana de campanha antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.