Ozempic no Mercado Livre faz ações de farmácias despencarem na B3; entenda

O gatilho veio após a notícia que a Novo Nordisk abriu uma loja oficial no Mercado Livre México para vender Ozempic e Wegovy.

Publicado em 30/06/2026 às 21:08h Publicado em 30/06/2026 às 21:08h por Matheus Silva
Para o JPMorgan, a reação dos investidores foi excessiva (Imagem: Shutterstock)
Para o JPMorgan, a reação dos investidores foi excessiva (Imagem: Shutterstock)
🚨 As ações da RD Saúde (RADL3) e da Pague Menos (PGMN3) recuaram nesta terça-feira (30), pressionadas pela repercussão de uma novidade no mercado mexicano de medicamentos. A RD Saúde caiu 2,04%, a R$ 16,81, e a Pague Menos recuou 2,17%, para R$ 3,61. 
Para o JPMorgan, porém, a reação foi excessiva e abre oportunidade de compra, especialmente em RD Saúde.
O gatilho veio de uma reportagem da imprensa mexicana informando que a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, abriu uma loja oficial dentro do Mercado Livre (MELI34) México para comercializar medicamentos prescritos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Saxenda. 
A plataforma de e-commerce passou a funcionar como canal oficial de distribuição digital da farmacêutica no país, aproveitando a infraestrutura logística e de pagamentos da empresa para ampliar o acesso aos medicamentos voltados ao tratamento de diabetes e obesidade.

Mercado extrapolou o caso mexicano para o Brasil

Na avaliação do banco, os investidores parecem ter projetado o movimento do México para o Brasil, alimentando temores sobre uma possível expansão do Mercado Livre no setor farmacêutico nacional, especialmente após a aquisição de uma farmácia física em São Paulo e o lançamento da operação MELI Farma.
O JPMorgan argumenta que a comparação entre os dois mercados tem limites importantes, sobretudo em razão da regulamentação brasileira para a venda de medicamentos. 
Segundo a análise, as normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) exigem que a venda remota de medicamentos seja feita exclusivamente por farmácias ou drogarias licenciadas e abertas ao público, com estoques armazenados em estabelecimentos autorizados e supervisionados por farmacêuticos durante todo o horário de funcionamento.
No caso específico dos medicamentos da classe GLP-1, as restrições são ainda mais rígidas. Desde junho de 2025, produtos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro passaram a exigir retenção de receita no momento da venda e registro de movimentação em sistemas de controle específicos, tornando a logística de distribuição mais complexa.

MELI Farma está focada em produtos de venda livre

O banco destaca que a estratégia atual da MELI Farma parece concentrada em produtos de venda livre e categorias de menor complexidade regulatória. 
Análises de preços conduzidas pelos próprios analistas indicam ainda que o Mercado Livre não apresenta, de forma geral, uma oferta especialmente competitiva na maior parte das categorias farmacêuticas.
Na leitura do JPMorgan, a aquisição de uma única farmácia pelo Mercado Livre representa mais um teste operacional e uma prova de conceito do que o embrião de uma expansão nacional baseada em marketplace para medicamentos controlados. 
"O modelo pode permitir ofertas limitadas de venda direta, mas uma estrutura ampla de marketplace semelhante à reportada no México provavelmente exigiria mudanças regulatórias relevantes", afirmam os analistas.

JPMorgan vê queda como exagerada

Diante desse cenário, o banco classifica a queda recente das ações como desproporcional ao risco real. O JPMorgan afirma que seria comprador dos papéis em momentos de fraqueza, com preferência pela RD Saúde, que negocia a cerca de 14 vezes o lucro estimado para 2027. A Pague Menos é negociada a aproximadamente sete vezes o lucro projetado para o mesmo período.
O relatório também chama atenção para as características do mercado mexicano de GLP-1, que limitam o potencial de crescimento mesmo com novos canais digitais. 
💊 A penetração desses tratamentos no México ainda é muito baixa, atingindo cerca de 0,1% da população adulta, e o custo mensal representa aproximadamente um quarto da renda média das famílias mexicanas, restrição financeira que limita o tamanho do mercado endereçável.